Archive for the Década de 60 Category

Top 5 dos posts + lidos do 60

Posted in Década de 60 on 16/08/2009 by edi cavalcante

hippysun

Nem sempre o fato de ser escrito há mais tempo representa um número maior de visitas. Por esse motivo coloco 2 rankings. Um desde set 2007 quando iniciei o blog (um total de 55 posts editados), e outro com as visitas nos últimos 30 dias. Aí vai.

TOP 5 dos posts do 60 desde sua criação (set 07)

1. Mortes Trágicas no Universo Rock – Sharon Tate – 11.969 visitas

2. Hippies – 4.763 visitas

3. Mortes Trágicas no Universo Rock – Jim Morrison – 4.494 visitas

4. “A Queima dos Sutiãs”… – 3.697 visitas

5. Hit Parade Paris 1968 – 3.260 visitas

TOP 5 – Últimos 30 Dias (16 jul 09 a 16 ago 09)

1. Mortes Trágicas no Universo Rock – Sharon Tate – 5.143 visitas

2. Woodstock – 1.334 visitas

3. Mortes Trágicas no Universo Rock – Jim Morrison – 957 visitas

4. Os Maiores Cantores de Todos os Tempos – 658 visitas

5. Hippies – 345 visitas

Agradeço aos leitores que curtem o 60.  Um grande abraço a todos.

hippiewoman

Anúncios

Abbey Road

Posted in Década de 60 on 29/07/2009 by edi cavalcante

beatles_-_abbey_road

Este é o último álbum gravado pelos Beatles e seu penúltimo lançamento. Isso porque Let it Be foi gravado em janeiro de 1969 e lançado em 6 (UK) e 11 (US) de março de 1970. O Abbey Road (que quase se chamou Everest, marca de cigarro usada por um dos técnicos que fumava sem parar) teve as gravações finalizadas em 25 de agosto de 1969 e foi lançado em 26 de setembro (UK) e 1 de outubro (US) de 1969. Portanto, completa 40 anos em 2009. Dos tempos selvagens de Hamburgo e da loucura da beatlemania, até Rubber Soul, o salto foi imenso em apenas 3 anos, seguidos simplesmente por 2 álbuns que juntos com o R.S. fariam toda a diferença na segunda metade dos anos 60: Revolver e Sgt Peppers, rivalizando apenas com os os 3 álbuns revitalizadores desse tempo: Highway 61 Revisited (1965), Bringing It All Back Home (1965) e Blonde on Blonde (1966), todos de Bob Dylan. Abbey Road mostra muita maturidade musical e canções finamente elaboradas e executadas, que apesar da imensa tensão existente, não tirava o brilho das músicas, que continuavam “afiadas e ousadas”. As discordâncias foram potencializadas por várias ocorrências. Um acidente de carro na Escócia com John e Yoko grávida, tiraram John de várias sessões de gravação. Mas quando voltou para o estúdio estava alegre e de bom humor.

Abbey Road - John e Paul

Mas para piorar o clima, Yoko, em sua gravidez delicada (perderia o bebê entre 9/12 de outubro), pede para ficar numa cama dentro do estúdio, onde ficava tricotando e dando palpites. Muita tensão. Linda, esposa de Paul, estava para dar à luz (Mary nasceu em 28 de agosto). Ambos Paul e John passavam a ter opiniões diametralmente opostas. Nunca estavam juntos quando viajavam.

Abbey Road - Yoko

Em 31 de agosto, George e Pat, Ringo e Maureen, John e Yoko vão ao Festival da Ilha de Wight (200.000 pessoas), para ouvir Bob Dylan. Ok, Paul havia acabado de ter uma filha. A situação pós morte de Brian Epstein, de Beatles – Plastic Ono Band – Phil Spector/George Martin – Allen Klein – John Eastman – Apple – Nems – Northern Songs, mostrava claramente o grau de disputas por interesses e lutas por poder. Após o fim oficial da banda, Allen Klein, o empresário substituto, foi parar na justiça por ter roubado £ 5.000.000 dos Beatles. You Never Give me Your Money foi gravada logo após o anúncio de John, George e Ringo (também já cansados dos artifícios pop. V. I Want You, mais bluesy, mais adulto)  da intenção de contratar Allen Klein para cuidar das finanças do grupo, coisa que abalou Paul que lutava para emplacar o escritório da família de Linda Eastman (aqui cabe dizer que Mick Jagger já os havia alertado contra Klein). Essa música satiriza esse episódio e as dificuldades financeiras geradas pelos desacertos contínuos de gerenciamento do produto do século. Segundo Ian MacDonald (in “Revolution in the Head”, pg 281), essa canção é a percepção de McCartney, um ano antes, do “Dream is Over” citado por John. Mas é certo que a escolha de Allen Klein, por votação (3 votos a 1), foi a gota d’água para a separação efetiva da banda. Mais tarde, John conscientizou-se da besteira que foi a contratação de Klein, e até escreveu uma música dirigida à Klein, Steel and Glass, do álbum “Walls and Bridges”, de 1974 (há quem pense que é uma canção auto-biográfica, por causa de uma frase : “Your mother left you when you were young…”, que como todos sabem, aconteceu sim em sua vida). Ainda antes do lançamento de Abbey Road, John convida seus amigos Klaus Voorman (ainda dos tempos de  Hamburg, da banda The Manfred Mann, e simplesmente desenhou a capa do Revolver), Eric Clapton e Allan White, para fazerem parte de uma banda com ele e Yoko, a Plastic Ono Band, para tocar em Toronto, Canadá. Logo depois, John avisa que está se retirando dos Beatles, mas, por causa do momento complexo e delicado da Apple, foi aconselhado a não tornar público esse fato.

Abbey Road apple, bolacha

A logomarca da Apple foi inspirada na obra do pintor surrealista belga René Magritte (1898 – 1967). Para mim faz sentido a obra de um artista modernista ser o símbolo do principal ícone dos 60, na era pós-moderna. Como isso aconteceu ? Paul MacCartney contou em entrevista que havia dito ao seu amigo e galerista Robert Fraser, que amava Magritte e seu grande senso de humor. Um dia, Robert deixou sobre a mesa de Paul (que estava no jardim filmando alguns takes junto com os outros e não quis incomodá-los), uma pequena obra que era uma maçã com uma frase escrita “Au revoir”.

Le jeu de mourre , Magritte

“Le jeu de mourre”,  título da obra, é um óleo sobre tela de 1966, 30×40 cm, inexplicavelmente barata para a época. Acharam que a obra tinha um conceito muito interessante e tornou-se inspiração para o logo. Então decidiram cortá-la na metade para o lado B. Apareceu pela 1ª vez no Sgt. Pepper’s, de 1967, ano da morte de Magritte.

George Harrison, que se firma como compositor de primeira linha a partir desse disco (mas já tinha feito algo como Taxman, para o álbum ‘Revolver’, 1966), comenta na época de seu lançamento: ” Eu não consigo ter uma visão completa de ‘Abbey Road’. Com ‘Pepper’, e até o ‘Álbum Branco’, eu tive uma imagem do começo ao fim do produto, mas nesse disco eu ainda estou perplexo. Acho que é parecido um pouco com ‘Revolver’, não sei direito. Não consigo realmente vê-lo como uma entidade completa”. Muitos consideram esse álbum como o melhor da banda.

Abbey Road studios

Foi o 1º a utilizar 8 canais e uma nova ferramenta, o sintetizador Moog,  (George trouxe da Califórnia em 1968) que seria utilizado largamente por bandas de rock progressivo nos anos 70. O álbum foi para o Top 1 uma semana depois de ser lançado e lá ficou por 18 semanas. No ranking da Rolling Stone, aparece como  Top 14  dos “Melhores Álbuns de Todos os Tempos”.

AbbeyRoad2LabelsBSideDecca

Uma banda de maçã

Realmente o álbum tem momentos brilhantes como Come Together, música de maior impacto, composta por John a pedido de Timothy Leary, que a usaria em sua campanha para governador da Califórnia, contra Ronald Reagan. Não usou. Reagan contra atacaria dizendo que seu adversário era usuário de drogas, etc. Ian MacDonald, em seu “Revolution in the Head ” diz, em Come Together, que “o preâmbulo pessoal é lançado na esfera pública e elevado ao nível de (anti) ideologia: uma chamada para libertar a imaginação e, pela montagem de uma linguagem livre, desintrincheirar da rigidez emocional e política. A canção continua um tema consistente no trabalho de Lennon, desde I Am The Walrus  – em parte originada em seu LSD e em parte embebida na atmosfera contracultural da anarquia anti-elitista como definida por eruditos como Marshall McLuhan, Arthur Janov, R.D. Laing e Herbert Marcuse. O arquétipo de anti-políticas contracultural como apresentadas em Come Together estava no espírito rebelde da sabedoria hippie: o guru atordoante/shamã espelhado em Timothy Leary, Ken Kesey, o personagem fictício Don Juan de Carlos Castañeda e figuras como o Mulá Nasruddin e os mestres Zen do Oriente”. O lado 1 finaliza com a minha preferida I Want You (She’s So Heavy).

É uma canção cuja frase solo é blues com John, voz e  guitarra no mesmo tom. E o Moog de George, aquele efeito de ventania no final da música. Nenhuma música dos Beatles carrega um teor emocional tão extremo quanto essa. Tem também as canções de George – Something, simplesmente considerada um dos maiores clássicos da música por gente como Ray Charles e Frank Sinatra e Here Comes The Sun, composta no quintal de Eric Clapton, logo no começo da Primavera, enquanto Harrison esperava por ele. Ainda tem a maravilhosa Because, uma das mais interessantes do disco. E o lindo Long Medley no lado 2, músicas de John e Paul, todas juntas desde You Never Give Your Money, que parece ser duas músicas, diferentes uma da outra. Depois vem Sun King (escrita por John e que originalmente chamou-a de Los Paranois), passando  por duas músicas escritas na India, Mean Mr. Mustard e Polytheme Pam, depois entra She Came In Through the Bathroom Window, Golden Slumbers e Carry that Weight (outra provocação a Allen Klein) onde Ringo faz um solo de bateria seguido de solos de guitarra dos outros 3, que se cruzam num crescente até The End. Fim.

Vinte segundos se passam para entrar Her Majesty e fechar o disco e também uma era. A banda só acabaria oficialmente em 10 de abril de 1970. Sobre isso, Mário César Carvalho, escreveu em 1 de dezembro de 2001 (Folha de São Paulo, Ilustrada) : “Os Beatles ajudaram a criar um novo tipo de mercado para a música pop: aquela em que a mística da contestação vale tanto quanto o som. Os Rolling Stones só acrescentaram um viés mais assustador, como a propaganda que faziam dos negros marxistas dos Panteras Negras, porque tinham que cumprir um papel diferente: deveriam parecer mais perversos, mais sexualizados, mais drogados. Justiça seja feita: foram os próprios Beatles que inauguraram a cena de expor o mal-estar causado pelo comércio do que julgavam ser contestação. A troca do terninho mod por cabelos e barbas desgrenhados é o símbolo mais óbvio desse mal-estar. O subtexto da mudança visual é mais ou menos óbvio: já que me transformaram em mercadoria, a ofensa suprema para hippies e revolucionários românticos, você vai ter de me engolir do jeito mais insuportável possível. O fim dos Beatles foi o fim desse jogo”.

A capa

beatles_-_abbey_road 

A capa de Abbey Road foi ideia de Paul e o design gráfico do diretor de arte da Apple, o Kosh. A foto é de Iain Mcmillan, e levou cerca de 10 minutos para ser feita, em 8 de agosto de 1969, as 10 : 35 hs am. É uma das imagens mais famosas de todos os tempos e uma das mais copiadas. Se isso é verdade, como pode uma imagem tão simples, tranquila e até banal em um lindo dia de verão – como no filme “Veludo Azul” (1986, David Lynch) que começa mostrando o cotidiano de uma simpática e pacata cidadezinha, e como sabemos, não é bem assim. NADA É O QUE PARECE. Ou como em “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll (que é citado por Lennon em “I am the Walrus”) – conter tantos sinais e significados e alimentar uma nova onda de notícias pelo que ficou conhecido como os rumores de “Paul está Morto”. Esses rumores eram baseados em sinais abundantes e sutis que começaram a aparecer no álbum “Collection of Beatles Oldies”, lançado apenas na Inglaterra em 10 de dezembro de 1966. Quem viveu nessa época se lembra da onda de boatos. Acontece que a suposta morte de Paul ocorreu em 9 de novembro de 1966, decapitado em um acidente de trânsito com seu Aston Martin. “He blew his mind into a car. He didn’t notice that the lights have changed…” (A Day in the Life, Sgt. Peppers, 1967). Ou ainda, no mesmo disco, “Nothing to do to save his life call his wife in…” (Good Morning, Good Morning). O nº 9 é recorrente em músicas dos Beatles ou de John Lennon (Revolution nº 9,  Number 9 Dream). Músicas tocadas de trás para frente, capas, livretos dos álbuns, tudo é normal até que os detetives de sinais mostram para onde você tem de olhar e aí não dá para não acreditar numa conspiração muito bem articulada, porque não é possível que tanta coisa se agrupe ao acaso, sinais tão sofisticados que pululam por toda a discografia dos Beatles, a partir do álbum citado acima. Sgt. Pepper é abundante nesses sinais, e para citar apenas um, se você colocar um espelho na horizontal encostado na metade da palavra Lonely Hearts no centro da bateria da banda, aparecerá a data da morte de Paul. Abbey Road foi o estopim que desencadeou ainda mais a lenda urbana “Paul is Dead”.  E como é de Abbey Road que estamos falando… Bom, foi a partir daquela foto que foi dito que era uma procissão, liderada por John, de branco, como o clérigo. Ringo, de preto, é o agente funerário. Paul, o cadáver, o único descalço (na U.K. os mortos são enterrados descalços) e o único em descompasso em relação aos outros. E seus olhos estão fechados. Havia o rumor de que era um sósia, porque segurava o cigarro (coffin nail) com a mão direita e todos sabem que Paul é canhoto. Ao fundo, alinhado com Paul, se vê um carro, como se tivesse passado por ele e seguido em frente. E George, com jeans (roupa de trabalho) é o coveiro.

Abbey Road fusca 1

Atrás de George tem um fusca (beetle), que alguém disse que era do John, mas isso não deve ser verdade, porque consta que a produção queria retirar o carro do ângulo de visão da foto, e como se sabe, não conseguiu. O dono do carro era um jovem sueco que estava de férias, e seu carro ficou para a posteridade.

Abbey Road fusca detalhe

Como se vê na foto, sua placa é “28IF” (IF = SE), sugerindo que teria 28 anos SE estivesse vivo. Na verdade Paul tinha 27 anos na época. Mas em algumas culturas, especialmente as orientais (que eles frequentavam), a idade é contada a partir da concepção. Por esse ângulo ele teria 28 anos SE estivesse vivo. Também se vê as letras “LMW”, que pode-se interpretar como “Linda McCartney Weeps” (Linda McCartney Chora). Ou, “Linda McCartney Viúva” (Widow).

abbeypaul

No lado direito da via tem uma van da polícia estacionada, como fazem sempre no atendimento de alguma ocorrência e permanecem parados no local. O homem em pé na calçada é um turista americano que só ficou sabendo que saiu na capa do disco muitos anos depois.

AbbeyRoadBackCover

Na contra capa do álbum, à esquerda da palavra Beatles, tem 8 pontos que conectados, formam o nº 3 e então se lê 3 Beatles. À direita, uma estranha sombra forma uma caveira fantasmagórica. Há também uma rachadura no muro que corta o S de Beatles.

abbey3

Estranha também é a imagem de um pênis que atravessa a capa em diagonal a partir da base esquerda (pode ter algo a ver com a frase “We gonna fuck you like supermen”, no final da última faixa do Sgt. Peppers, girando o disco ao contrário). A mulher passando é supostamente Jane Asher, a namorada de Paul na época do acidente que o ‘matou’, e que teria sido paga em troca de seu silêncio sobre o assunto. E se olhar para o cotovelo dela, de uma certa distância, poderá ver um suposto perfil de Paul. Ou algo do tipo. Em Come Together a linha “One and one and one is three…” sugere que há 3 beatles em vez de 4. É uma viagem.

Abbey Road - Fusca

O fusca da capa foi vendido em 1986 em um leilão por US$ 23.000, e hoje pertence ao Museu da Volkswagen, na Alemanha.

Em 9.09.09, uma data única que não se repetirá, a Apple e a EMI lançarão 2 caixas com todos os CDs da banda, remasterizados, em estéreo e MONO, com DVDs (documentários), libretos e fotos produzidos especialmente para esse lançamento.

Abbey Road - Bateria Beatles

60-anouk-em-abbey-road

Foto de Camila Yahn, 12.02.2017

Anouk, minha neta de 11 anos, curtindo passar pela famosa faixa

 

Para quem quiser conhecer outras pistas :

The Michigan Daily, 14 oct 1969, v. McCartney Dead: New evidence brought to light

 

Kind of Blue

Posted in Década de 60 on 01/05/2009 by edi cavalcante

 milesdaviskindofblue

Esse disco de Miles Davis, lançado em 17 de agosto de 1959 pela gravadora Columbia, e portanto completa 50 anos, é considerado a obra máxima do jazz e portanto, um dos mais influentes de todos os tempos, por causa de sua abrangência em ‘n’ tendências musicais. Kind of Blue é resultado das experimentações que Miles vinha fazendo desde “Milestones” e “58 Sessions”. A banda formada para acompanhar esta gravação só pode significar que o centro da galáxia é aqui:

Miles Davis – trompete

Julian “Cannonball” Adderley – sax alto

John Coltrane – sax tenor

Bill Evans (Wynton Kelly toca em “Freddie T Freeloades”) – piano

Paul Chambers – contrabaixo

Jimmy Cobb – bateria

“Trata-se de um momento que definiu um gênero musical do século 20 e ponto final”. Seth Jacobson (SJac), em “1001 Discos para ouvir antes de morrer”, de Robert Dimery, Editora Sextante (selecionados e comentados por 90 críticos de renome internacional).

kind-of-blue-painting

Glaze Painting Cerulean Blue – Oil on Canvas, Marcia Hafif, 2004

www.artnet.com

 A qualidade espiritual desse disco (em tempo: foi gravado em uma igreja de Manhattan transformada em estúdio de gravação) me transporta para uma pintura feita de sobreposições de transparências, e faz-me lembrar de um amigo, Otávio Pereira, gravador (litogravura) que um dia me falou que tinha ido para Los Angeles, EUA, para fazer um estudo sobre os diversos tons de azul (nada a ver com o título do disco). Perguntei de quantos tons se tratava e ele me respondeu que havia chegado a 800 tons, mas que existem muito mais que isso. E assim é com a música, e assim é com a qualidade espiritual desse disco.

miles-davis-4

A National Academy of Recording Merchandising and Rock and Roll of Fame divulgou em março de 2007 os 200 discos indispensáveis de todos os tempos. 4 títulos de jazz estão entre os 200:

Kind of Blues – Miles Davis – Top 34

Love Supreme – John Coltrane – Top 78

Time Out – Dave Brubeck – Top 150

Breezin’ – George Benson – Top 177

Na lista da Rolling Stone dos “500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos”, Kind of Blue aparece em Top 12, onde vários gêneros musicais estão presentes nessa elaboração: rock, blues, jazz, hip hop, folk, etc.

Eis os Top 15 dessa lista:

1. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, The Beatles

2. Pet Sounds, The Beach Boys

3. Revolver, The Beatles

4. Highway 61 Revisited, Bob Dylan

5. Rubber Soul, The Beatles

6. What’s Going On, Marvin Gaye

7. Exile on Main Street, The Rolling Stones

8. London Calling, The Clash

9. Blonde on Blonde, Bob Dylan

10. The Beatles (White Album), The Beatles

11. The Sun Sessions, Elvis Presley

12. Kind of Blue, Miles Davis

13. Velvet Underground & Nico, Velvet Underground

14. Abbey Road, The Beatles

15. Are you Experienced ?, Jimi Hendrix Experience

Saiba + em: “Kind of Blue – A História da Obra Prima de Miles Davis”, de Ashley Kahn, Editora Barracuda.

kind-of-blues-ashley-khan

Woodstock

Posted in Década de 60 on 25/04/2009 by edi cavalcante

woodstock_music_festival_poster

Um mês depois de o homem pisar na Lua, aconteceu na fazenda de leite alugada de Max Yasgur, em Bethel (com 2.300 habitantes, não comportava o evento), NY, costa leste dos EUA, o Woodstock Music & Art Fair, ou como é mais conhecido, Festival de Woodstock, aconteceu entre os dias 15 e 17 de agosto (6ª a domingo) de 1969.

woodstock2022-bus

Foram 3 dias (muita gente permaneceu acampada depois do evento. E consta que Jimi Hendrix tocou às 9 hs da manhã de 2ª feira, dia 18) de sexo livre, drogas, rock’n’roll, cenas de nudismo, confrontando todas as regras do stablishment. Pode ser considerado o auge da contracultura e da era hippie, culminando com o fim da década, que se tornava difícil e confusa.  Em 21 de agosto de 1969, os tanques soviéticos invadem Praga para reprimir protestos de aniversário da invasão de 1968. A guerra do Vietnã em escalada, o assassinato de Sharon Tate e de seus amigos pela família Manson – o assassinato de Martin Luther em Memphis, Tenessee, e ainda a morte de Robert Kennedy, também abatido a tiros, ambos em 1968 – foram eventos emblemáticos desse tempo. E em 5 de dezembro durante o concerto dos Rolling Stones em Altamont, Califórnia, os Hell’s Angels, contratados para fazer a segurança do evento, assassinam o jovem negro Meredith Hunter, que assistia ao show. Década de extremos.

O Festival de Woodstock foi uma celebração à chegada da Era de Aquário, e nada representava melhor do que isso, o significado dessa Nova Era. Ou melhor, um outro evento que culminou em 20 de julho de 1969, carregava em si o mesmo simbolismo: a chegada do Homem (da Humanidade) à Lua. Outra utopia que se tornava realidade. O homem saltou de seu último limite terrestre, a conquista do Everest, em 1953 (Edmund Hillary e Tenzing Norgay), para o espaço exterior, o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik (1957), e as primeiras naves do programa espacial soviético. E com a motivação da Guerra Fria, os anos 60 dão início a uma nova utopia. Em 1961, o presidente John Kennedy, lança o desafio de colocar astronautas na Lua ainda na década de 60. Isso é muito pós-moderno. Sua morte não modificou o roteiro do Programa Apollo – principalmente a Apollo 8 (representa a partida, porque colocou humanos além da órbita terrestre baixa); a Apollo 11 (representa a chegada, o objetivo alcançado); e a Apollo 13, pela epopéia que foi o retorno à Terra – que teve 17 missões, todas bem sucedidas (menos a Apollo 13, que mostrou a todos o nível de aventura que eram aquelas viagens).  Os soviéticos mudaram seu programa por causa do fracasso de seus super foguetes N1 para missão desse porte e passaram  a investir em voos de longa duração em órbita baixa, que se mostrou muito eficaz nas experiências de permanência no espaço e suas implicações no organismo humano.

Não há nada mais representativo do simbolismo da Era de Aquário do que a imagem da própria Terra flutuando no imenso vazio, vista do espaço.

Apollo-11-40th-Anniversary

Quando a imagem foi divulgada aqui na Terra, o poeta Archibald MacLeish escreveu no “New York Times” : “Ver a Terra como ela realmente é, pequena e azul e bela naquele eterno silêncio em que flutua, é ver-nos como viajantes juntos sobre a Terra, irmãos nesse brilhante afeto em meio ao frio eterno – irmãos que agora se sabem realmente irmãos”. No livro “Nascer da Terra: como o homem viu a Terra pela primeira vez”, 2008, Robert Poole acredita que esse evento “é o nascimento espiritual do movimento ambientalista”, porque “é o momento em que o sentimento da era espacial deixou de ser o que ela significava para o espaço para ser o que significa para a Terra”.

O Festival de Woodstock foi projetado para 50.000 pessoas, chegaram 500.000 jovens,

woodstock-transit

daí o caos nas rodovias (os 160 km de estrada que liga Nova York a Bethel eram percorridos em mais de 8 hs, com gente abandonando seus carros nos acostamentos (?) e seguindo a pé) e na infra geral de produção, como alimentação e toaletes, compensados pela constelação de artistas que se apresentaram e pelo espírito de confraternização e da filosofia de paz e amor.

woodstock2-menina-e-lama

Mesmo com a chuva que caiu no 2º dia, o que se viu foi tudo se transformar em brincadeira, todo mundo escorregando na lama, batucando com o que encontravam pela frente.

Não houve pânico nem violência. Muitas mães levaram suas crianças ao festival.

DZ006503

Pessoas da região cooperaram com doações de frutas, sanduíches e enlatados, o que não significava de forma alguma que esses alimentos chegariam ao seu destino, por causa de fatores como o tráfego, para citar apenas um. Todos os espaços da fazenda foram tomados. A cobertura médica teve a participação de 70 médicos e 36 enfermeiras, que realizaram mais de 6.000 atendimentos, sendo que os casos mais graves eram levados de helicópteros para os hospitais. Morreram 3 pessoas, sendo 1 caso de overdose de heroína, 1 atropelamento por trator e 1 por crise aguda de apendicite. Houve também o nascimento de 2 crianças. 600 homens cuidaram do policiamento, entre seguranças contratados e policiais voluntários, que diante de tal situação, tiveram que fechar os olhos para os excessos de consumo de drogas e sexo livre.

woodstock-richie-havens

Quem abriu o Festival foi Richie Havens com seu violão de 12 cordas.

Foi tocando até não ter mais músicas, então resolveu improvisar sobre uma música chamada “Motherless Child”, acrescentando a palavra ‘freedon’ e repedindo-a à exaustão, criou a empolgante “Freedon”, como ficou conhecida a canção, e sua performance foi incluida no álbum e no filme oficiais do festival. A produção tentou levar Beatles, Bob Dylan, The Doors, Led Zeppelin e Frank Zappa, mas não conseguiu. No caso dos Beatles, John impôs a condição de incluir a participação da Plastic Ono Band, o que fez com que a produção retirasse o convite. Apresentaram-se Jimi Hendrix, Janis Joplin (precisou de apoio para entrar no palco), Santana, The Who, Joan Baez, Joe Cocker (outro que entrou chapado, mas quem não ?)

jeffersonairplane-at-woodstock

Jefferson Airplane (acima), The Band, John Winter, Country Joe & The Fish, John Sebastian, Tim Hardin, Ravi Shankar, Arlo Guthrie, Canned Heat, Sly & The Family Stone, Grateful Dead (que teve problemas no som durante a apresentação, e porisso ficou fora do álbum que foi lançado posteriormente), Creedence Clearwater Revival, Crosby, Still, Nash & Young, Sha-Na-Na, Paul Butterfield Band, The Incredible String Band e outros.

Um dos melhores momentos foi Alvin Lee (Ten Years After), em sua performance de “I’m Going Home”.

O Festival de Woodstock foi o estopim para que nos anos 70 houvesse uma explosão de reinvindicações de minorias étnicas e sexuais, de forma jamais imaginada pela sociedade norte-americana. Revoluções comportamentais, sexo alternativo (com respaldo das pílulas anticoncepcionais). O evento foi tranformado em documentário inovador (aparição simultânea de vários quadros na tela) por Michael Wadleigh. Foi lançado em 1970 e ganhou Oscar de “Melhor Documentário” de 1971. E graças ao filme – que íamos ver repetidas vêzes, em bando e chapados –  pudemos ter uma dimensão do que foi. O desbunde de Woodstock é pura contestação e ativismo. Cito Tom Wolf mais uma vez nesse blog, que chamou a década de 60 de “We Decade” e a década seguinte de “Me Decade”, para concluir que finalizava ali em Woodstock uma era de experimentações e força criativa para dar lugar a uma egotrip voltada para a ascensão profissional e social e o rock sendo controlado pelo mercado. Quando Lennon disse “Dream is Over”, referia-se a isso. Embora exista uma discussão entre aqueles que afirmam  que 1968 e eventos como os festivais e o Movimento Hippie e os anos 60 não tenham contribuido para mudanças duradouras, digo apenas que ainda hoje, de alguma forma vivenciamos as mudanças ocorridas nesse tempo (v. Hippies ), inclusive para o fim da guerra do Vietnã e suas consequências positivas – porque eram pacifistas e sua exposição na mídia influenciou movimentos estudantis (não apenas eles) pela paz e pelo fim da guerra, e levando também em conta que a mesma mídia colocava imagens horrorosas da guerra na sala de jantar da classe média norte americana, ou seja, a opinião pública – também em relação aos direitos civis e minorias étnicas e sexuais, que se organizaram e foram à luta por seus direitos.

woodstock-hendrix1

Grandes performances aconteceram. Talvez, o ponto máximo tenha sido quando Jimi Hendrix tocou o hino americano com sua guitarra imitando sons de bombas, metralhadoras e aviões e transformando sua performance num gesto ritualístico, ao botar fogo em sua guitarra.

woodstock-one-more-time

Um museu foi criado no local onde aconteceu o festival. O Museu de Bethel Woods, inaugurado em junho de 2008.

museu-woodstock

+ imagens sobre Woodstock : www.woodstockwitness.com/filmcrew.html

Leia também o post Verão do Amor – Monterey Pop de 2 set 08, neste blog.

Trilha Sonora – 1969

As 10+ Agosto 69, EUA

1. In the Ghetto – Elvis Presley

2. Je t’Aime…Moi non Plus – Jane Birkin & Serge Gainsbourg

3. Stay Awile – Lee Lynch

4. The Year 2525 – Zaeger & Evans

5. Honky Tonk Women – The Rolling Stones

6. The Ballad of John and Yoko – The Beatles

7. Give Peace a Chance – The Plastic Ono Band

8. Aardig Meisje van den Buiten – Marc Dex

9. Fiesta – Marva

10. Venus – Shocking Blue

fonte : Muziek. com

As 10+ de 1969 – EUA – Músicas que alcançaram o Top 1 em 1969

1. Aquarius / Let the Sunshine In – The 5th Dimension

2. The Year 2525 – Zaeger & Evans

3. Get Back – The Beatles

4. Sugar, Sugar – The Archies

5. Honky Tonk Women – The Rolling Stones

6. Everyday People – Sly & The Family Stone

7. Dizzy – Tommy Roe

8. Wedding Bell Blues – The 5th Dimension

9. I Can’t Get Next to You – The Temptations

10. Crimson and Clover – Tommy James & The Shondells

fonte : Billboard; The 60s Official Site

As 10+ 1969 – Brasil

1. As Curvas da Estrada de Santos – Roberto Carlos

2. Aquele Abraço – Gilberto Gil

3. Hoje – Taiguara

4. Aquarius / Let The Sunshine In – The 5th Dimension

5. País Tropical – Wilson Simonal

6. Get Back – The Beatles

7. Mustang Cor de Sangue – Marcos Valle

8. Sugar, Sugar – The Archies

9. I Started a Joke – Bee Gees

10. F…Comme Femme – Adamo

fonte : jovem-guarda.com

Mortes Trágicas no Universo Rock – Torquato Neto

Posted in Década de 60 on 03/04/2009 by edi cavalcante

torquato-neto-de-capa

O Anjo Torto da Tropicália, Torquato Pereira de Araújo Neto, nasceu em Teresina, Piauí, em 9 de novembro de 1944. Está incluido nesse “Mortes Trágicas …” porque sua composição “Geléia Geral” é considerada o verdadeiro manifesto tropicalista, e um dos idealizadores da Tropicália

tropicalia-ou-panis-et-circencis1

(aparece na capa do disco homônimo sentado ao lado de Gal Costa e duas composições : “Mamãe Coragem” e “Geléia Geral”), movimento de Contracultura, juntamente com Caetano, Gil e Capinam.

torquato_caetano_capinam

 Uma semana antes do AI-5 (o famigerado Ato Institucional nº 5, que tirou dos brasileiros todos os seus direitos constitucionais), Torquato foi contemplado com uma bolsa de estudos para escrever sobre as influências africanas na MPB. Assim, viaja para os EUA e Europa no final de 1968. Em Londres ele encontra com os baianos Caetano e Gil, em exílio político, depois da prisão no Brasil.  Entre outras coisas, conta que um dia foi visitar Jimi Hendrix em seu ap e o encontrou ouvindo “aquele álbum branco dos Beatles”. No final de 1969, volta ao Brasil rompido com os baianos.

 Sua morte foi uma retirada inesperada. Na madrugada de 10 de novembro de 1972, 1 dia após completar 28 anos, ele e sua mulher, Ana Maria dos Santos e Silva, voltaram de uma festa. Ela foi dormir. Ele trancou-se no banheiro, ligou o gás e suicidou-se. Deixou o seguinte bilhete : “Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega ! Não sacudam demais o Thiago (seu filho de 3 anos), que ele pode acordar”.

Os artigos de sua coluna na Última Hora (Rio de Janeiro, entre 1971 e 1972), “Geléia Geral”, e poesias inéditas, foram reunidos no livro “Os Últimos Dias de Paupéria”, organizado por Waly Salomão e Ana Maria.

torquato-neto-cr2

Torquato Neto foi enterrado no Cemitério São José (lado sul, próximo ao muro frontal), em Teresina, no mesmo espaço de sua mãe, Salomé Araújo Nunes.

 torquato-de-capa-2

Para saber mais do percurso e obra de Torquato Neto : www.naoser.hpg.ig.com.br/torquato.htm e http://blogln.ming.com/profiles/blogs/torquato-neto-o-cara-que-nao-1 , por Gregório Macedo – “Torquato Neto O Cara que não Andava Sendo Feliz por Aí”. Veja também o livro “Torquato Neto ou A Carne Seca é Servida”, de Kernard Kruel, Editora Zodíaco, 2008, 2ª edição.

Leia também o fundamental livro de Tom Zé, “Tropicalista Lenta Luta”, Publifolha, 2003, onde, na págna 115, encontra-se o texto ‘Torquato, Torquato’, publicado originalmente em junho de 1987 no Estadão. Nele, Tom Zé conta como recebeu a notícia de sua morte e sua compreensão daquele drama.

Eu Agradeço

Posted in Década de 60 on 23/03/2009 by edi cavalcante

hippysun

Hippy Sun, de Rick Ruhman

A todos os que visitam esse blog, aqueles com quem trocamos informações, os blogs e pessoas que fico conhecendo e me surpreendem com tanta diversidade. E se essa lista é grande (8848 visitantes em março 09 e quase 30000  desde novembro 08 até aqui) é porque sou uma pessoa de sorte. Sejam sempre bem vindos.

edi cavalcante

Prêmio Selo Dardos de Reconhecimento

Posted in Década de 60 on 07/03/2009 by edi cavalcante

premios-dardo

O Anos 60 foi indicado pelo Coluna Blues Rock ao Prêmio Selo Dardos de Reconhecimento, um dos mais importantes prêmios destinados aos blogs da internet brasileira.

Agradeço imensamente pela indicação.

As regras do prêmio:

1. Colocar a imagem do selo no blog

2. Linkar o blog que nos indicou

3. Indicar mais 15 blogs ao prêmio

4. Comentar no blog dos indicados sobre essa postagem

Meus indicados são:

Blues de Raiz

César Kiraly

Something

Estante Virtual

Jazzman

Na bocarra da madrugada

o blog da cami

Pitadas Cotidianas

Rockloco

Sovaco de Cobra

Trabalho Sujo

Twilight Haters Brasil

O Gato de Rodas

Deveria estar estudando

Impressões Seresteiras

%d blogueiros gostam disto: