Meados de 60

Hélio Oiticica, Tropicália, 1965

A primeira metade dos anos 60, foi palco de grandes e importantes mudanças no contexto cultural, político (e geo-político) e econômico. Nos EUA, a luta pelos Direitos Civis, eventos como o assassinato de John Kennedy (1963), e por consequência, a ampliação da presença dos EUA no Vietnã (teoria conspiratória: alguém tem dúvida quanto ao motivo do assassinato de Kennedy ?); a Guerra Fria; revoluções libertárias por todo o mundo; e, no Brasil, o golpe militar de 1964, com escolha de novo presidente e a suspensão dos direitos políticos de qualquer cidadão e cassação de mandatos parlamentares durante 10 anos. Só poderia resultar em combustível bastante inflamável  na passagem para a 2ª metade da década.

As artes sempre foram o trombone anunciador de mudanças. Os Beatles, pós-modernos (sendo que a 3ª fase do Modernismo vai de 1945 a 1960), vanguardistas, antenas de um novo tempo, foram a resposta do inconsciente coletivo para a construção de uma nova sociedade contestadora.

O rock era a música e as bandas se tornaram os shamãs desse tempo, imprimindo o rítmo, as batidas, a entrada e a saída dos transes. Essa turma inicial, quem criou a sonoridade dos 60 (Bob Dylan, Beatles, Stones, Who, Animals, Kinks, etc) nasceu nos anos 40, entre 1940 e 1945. Quem desfrutou foram os baby-boomers, nascidos pós 2ª Guerra Mundial, adolescentes nos anos 60.

E ouça só o sonzaço dos Beach Boys (início em1961) – I Get Around, do álbum All Summer Long, 1964, o último de surf rock – uma resposta aos Beatles e à invasão britânica. The Beach Boys deixaram um grande legado na contribuição da evolução do rock, a partir principalmente de 1965 com os álbuns Today e Summer Days (and Summer Nights), uma espécie de pré Pet Sounds (1966). A propósito, o álbum “Smile”, de 1967, é finalizado com os remanescentes Brian Wilson, Jardine, Mike Love. “The Smile Sessions” será lançado em 31 de outubro de 2011, 44 anos depois.

No início dos 60 (v. post https://anos60.wordpress.com/2007/12/02/surgimento-dos-beatles-mudancas/.  2.12.07), a Inglaterra era o país com a menor taxa de crescimento, em comparação com os países ocidentais, mais EUA, Japão e URSS (v. Eric Hobsbawn, A Era dos Extremos, pg 255). Segundo Hobsbawn, a Era de Ouro do século XX ocorre entre 1947 e 1973, sendo a década de 60 a mais próspera.

Em contrapartida, foi criada a expressão Anos de Chumbo, para designar a repressão sobre grupos revolucionários, como Baader- Meinhof, na Alemanha, nos anos 70. Mas no Brasil, esse termo faz sentido principalmente a partir do AI-5, de 13.12.1968, no governo Costa e Silva, mas utilizado com toda potencialidade anti-democrática sob o governo Garrastazu Médici (1969-1974). Sob a euforia econômica, massivas campanhas publicitárias, a vitória da seleção na copa mundial do México, e o slogan da época : ” Brasil: ame-o ou deixe-o”, ao qual todos respondiam, ” o último a sair apaga a luz do aeroporto”.

A explosão dos Beatles contribuiu para tornar a economia inglesa mais fortalecida, com o “boom” do mercado fonográfico, que atravessou o Atlântico e encontrou o pote de ouro no fim do arco-íris: o mercado norte-americano. A Invasão Britânica, trouxe imenso reforço ao rock e gerou um enorme negócio nos EUA.

Esse foi o estrondo que dividiu o tempo já na 2ª metade do século 20.

Explodiu o mercado fonográfico, gerando empregos e multiplicando o mercado de consumo, ávido pelos produtos novinhos em folha, isto é, uma nova geração de bandas de rock com grande potencial criativo e as fusões entre as inúmeras correntes. Esse rejuvenescimento do velho império, as divisas que entraram na economia inglesa através de um novo e surpreendente mercado, os adolescentes, os jovens, mais as altas taxas em impostos para quem gerava riqueza, colocou Londres como centro cultural mundial em todas as frentes. Explosão de boutiques. Carnaby Street ferve. Youthquake. Op Art, mini-saias, botas de plástico, vitrines super coloridas.

Foi esse o motivo da condecoração oferecida aos Beatles (serviços prestados) pela rainha, o título MBE, recusado a princípio, mas, convencidos por seu empresário, aceitaram, e foram condecorados em 26 de outubro de 1965. John Lennon devolveu a sua em 25 de novembro de 1969, contrário ao envolvimento da Inglaterra “no lance Nigéria-Biafra”, e contra o apoio à guerra do Vietnã.

Penso que o nascimento dos Beatles em 1962-1963, e as consequencias culturais desse evento, corresponde a exatos 100 anos de aniversário do que passou a ser chamado de Modernismo, a partir da obra que causou escândalo em Paris em 1863 : “Le Déjeuner sur l’Herbe” (1862-1863) ou “O almoço sobre a relva”, de Édouard Manet,

embora para muitos a era Moderna se inicie em 1848, com o Movimento Revolucionário do Proletariado Industrial, as rebeliões dos oprimidos contra o Status Quo;  o Manifesto Comunista, de Marx e Engels; e a Primavera dos Povos, nos EUA, por volta de 1865, mas resultado de um processo iniciado com os movimentos europeus de 1848, e, como se sabe, resultou na Guerra da Secessão, uma guerra civil entre o sul e o norte, que durou de 1861 a 1865. No Brasil, também em 1848, ocorreu a Revolução Praieira, em Pernambuco, muito semelhante ao que ocorreu nos EUA, com os escravos se manifestando junto aos excluídos sociais, com grande violência contra aqueles que detinham o poder sócio-econômico. Logo depois, em 1850, foi criada a Lei Eusébio de Queirós, que aboliu o tráfico negreiro, e ainda, a Lei de Terras, que na prática acabou gerando latifúndios. E há ainda os que pensam ser no começo do século xx, porque foi uma época de grandes rupturas e mudanças, com movimentos artísticos muito provocativos e estranhos para a época, como o Dadaísmo, para citar apenas um. E todos têm suas razões. Tudo isso vai reverberar na Semana da Arte Moderna, em São Paulo, 1922. Mas isso era eco dos desenvolvimentos anteriores, como a obra citada de Manet, com um pé na Renascença e outro no futuro, para o moderno, como uma ponte. Em 1960, praticamente 100 anos depois, Picasso pinta o seu “Déjeuner…”

Picasso, Le Déjeuner sur L'Herbe, d'aprés Manet

No final dos anos 50, em 1958, o surgimento da Pop Art na Inglaterra (nos EUA a partir de 1962), tendência da década como fenômeno urbano da civilização, já determina o início do pós-modernismo.

Richard Hamilton, Colagem, 1956 – Uma das primeiras obras da pop Art, Londres

E a Nova Figuração, “movimento artístico contemporâneo que fez a transição entre a abstração hegemônica dos anos 50 e uma figuração narrativa”. Realidade do momento, relação com o real. De 1964 a 1968 foi o período nas artes plásticas brasileira, de confluência dos movimentos neo-figurativos, ou seja, de assumir uma posição crítica da realidade brasileira, como por exemplo, Lígia Clark e Hélio Oiticica.

Lygia Clark, Bichos, 1960

Hélio Oiticica, Bólide, Caixa 18, Homenagem a Cara de Cavalo, 1966

Também presente no Opinião 65, Wesley Duke Lee, A Zona: A Vida e a Morte, 1965

Por conta disso, surgiu a exposição “Opinião 65” (nome  emprestado do show “Opinião” de Nara Leão, João do Vale e Zé Ketti), no MAM, RJ, de 12 de agosto a 12 de setembro de 1965, e foi o início dos debates culturais que serviram de discussão sobre essa nova arte emergente, segundo Daysy Peccinini, em Figurações. v. em www.mac.usp.br e em Ana Cláudia Salvato Pelegrini (bolsista) e profa. Daysy Peccinini (coordenadora)  http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo4/opiniao/opiniao.html

A metade dos anos 60 – é o tempo que abrange 1964, 1965 e 1966 – representou uma virada, uma nítida linha divisória sobre a primeira fase da década e consolida os 60 como o auge do experimentalismo, mas também de incertezas, no século XX. O mid 60, 1965, 1 ano depois da British Invasion e 2 anos antes do Verão do Amor, é um divisor de águas, o tempo em que houve, vamos chamar de amadurecimento de tendências.

O Verão do Amor, 1967

Se a década de 60 foi a década de transição, a metade dos 60 foi de transição da década. Conscientização de uma jovem geração em relação às violências (guerras, revoltas libertárias, golpe militar) tanto aqui quanto no exterior. Aqui, todos os setores, estudantes, artistas, participaram de militância política e cultural, junto à classe média urbana. Confrontos ideológicos presentes por exemplo, nos festivais de música, radicalismos necessários, porém,  super nacionalistas e conservadores. Parte dos universitários eram absolutamente contra as guitarras elétricas, que consideravam instrumentos colonizadores do “imperialismo norte-americano”. Vale destacar Caetano Veloso, acompanhado pelos Mutantes, na fase declassificação do III FIC na PUC, São Paulo, (já em 12 de setembro de 1968) onde foi vaiado sem dó por um público enfurecido enquanto cantava “É Proibido Proibir”. Caetano manteve sua verticalidade e fez o famoso discurso:

“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder ?  …Vocês são iguais aos que foram na “Roda Viva” e espancou os atores…Estão querendo policiar a música brasileira… Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos !… Deus está solto”.

E nos EUA, no Festival Folk de Newport, 1965, Bob Dylan foi vaiado longamente por utilizar guitarras elétricas. V. post https://anos60.wordpress.com/2008/05/07/o-experimento-newport/

A necessidade de explorar novas experimentações e o LSD foi uma ferramenta de dilatação da percepção. A década de 60 é a era pós-religião na configuração da época, mas de abertura para a filosofia oriental. Novos limites foram alargados porque tudo passou  a ser contestação através da comunicação de massa. No Brasil, acabou a Jovem Guarda (inicialmente com a não participação de Roberto Carlos nos programas), por força das novas tendências, renovações que estavam ocorrendo praticamente em todos os cantos. A cena musical, a Nova Esquerda, os Direitos Civis e os Hippies (v. nesse blog, o post https://anos60.wordpress.com/2008/08/07/hippies/), tornaram-se o tripé daquilo que passou a se chamar de Contracultura, ou seja, Underground, Cultura Marginal, Cultura Alternativa. Isso tudo junto formou a grande corrente de transformações de consciência e expressão, individuais e coletivas. “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, era o slogan do Cinema Novo brasileiro, inspirado na Nouvelle Vague  – Godard fez “O Acossado” (1959), sem roteiro nenhum (e sem dinheiro também) e dessa forma abriu caminho para a linguagem independente – e também em função da necessidade de baratear a produção e contestar os valores-guias (exemplo: Hollywood) do cinema nacional. “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do baiano Gláuber Rocha, é de 1964.

Até então, as bandas brasileiras de rock tocavam versões de hits americanos primeiro e ingleses depois. Não podemos esquecer os pioneiros desse tempo, como Celly Campello e seu irmão Tony Campello (a partir de 1958), The Spuniks (banda fundada por ninguém menos que Tim Maia, em 1957), Nick Savoia, Ronnie Cord, Sérgio Murilo, The Jordans, The Clevers, The Jet Black’s, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Renato e seus Blue Caps, Eduardo Araújo, Ronnie Von, Trio Esperança, devo estar esquecendo um monte. Os Mutantes inventaram o novo rock brasileiro. Hibridismo. Mesmo super influenciados inicialmente pelos Beatles, e em seguida pelos baianos Caetano e Gil e ainda pelo Tropicalismo (1968, pós Sgt Peppers), eram muito criativos tanto nas letras e música, quanto nos arranjos (Rogério Duprat) e na irreverência. Depois deles e Raul Seixas, o rock brasileiro floresceu na década de 80, com maior identidade, o Brock, mas com as honrosas excessões que rolaram desde o início década de 70, que foi um grande desbunde, e seguiram tendências do rock progressivo, heavy rock, misturas rítmicas, que, em sua maioria, deixaram poucos ou nenhum registro, enquanto outros fizeram história. Secos & Molhados; A Cor do Som; Barca do Sol; Made in Brazil; Bicho da Seda; A Bolha; Joelho de Porco; O Terço; Patrulha do Espaço; Som Imaginário; Vímana; Humauaca; Casa das Máquinas. Veja mais em :

http://whiplash.net/materias/especial/000104.html

Acho interessante esse momento na cultura brasileira, porque é a partir daí que os baianos passam a exercer grande influência no sul maravilha, como era chamado o eixo Rio-São Paulo. A presença dos baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Betânia, Raul Seixas (este um pouco depois) – também nascidos entre 1940 e 1945, com excessão de Gláuber (1939) e Bethânia (1946), – entre outros, na vanguarda da produção musical e na cultura nacional, contribuiu muito para a superação dos preconceitos existentes que paulistas e cariocas tinham dos baianos, designação dada a qualquer nordestino. Inclusive ampliou as fronteiras do turismo para os jovens de São Paulo e Rio, que saiam em busca de aventuras em novas plagas paradisíacas e lugares que, no auge da era hippie, representavam o novo comportamento, como Arembepe, na Bahia, a princípio, e Canoa Quebrada, no Ceará, mais para frente. Mesclou, aproximou os grupos,  influenciou os jovens através da renovação estética em sua produção artística.

Na Inglaterra, os Mods (abreviação de modernos. V. post https://anos60.wordpress.com/2008/01/03/mods-e-rockers/) substituiam os Beatniks em termos comportamentais. Os Beatniks não eram um movimento a princípio, mas veio a ser, a partir da febre das novas publicações, da expansão dos saraus literários nas livrarias de São Francisco, e da qualidade dos poetas da Beat Generation (V. https://anos60.wordpress.com/2007/11/04/beatniks/). Além disso, eles eram a contracultura, que ganhou dimensão com os movimentos dos anos 60. Os Mods eram estudantes de arte e a música era a nova sonoridade do rock proporcionada por Beatles – que se inspiraram na música dos artistas negros norte-americanos, como sempre fizeram questão de afirmar, e até muitas canções do início eram releituras dessas músicas. Mas, ao invés de seguir a linha do R&B, seguiram sua própria trilha, ousando e compondo suas próprias canções e inovando. Isso é que foi determinante – The Rolling Stones, Dave Clark Five, Animals, Who, e ainda, o Merseybeat. Também, a inspiração vinda dos blues, gerou artistas e bandas que também fariam parte da 1ª geração do rock inglês: Rolling Stones, Yardbirds, Eric Clapton, Kinks, John Mayall.

É a partir de 1965 que tem início a evolução experimental do rock. Experimentalismo, psicodelia, sons instigantes, foram o tempero que colocou Londres como centro fervilhante e criativo, e se consolidasse como irradiador de cultura no mundo.

O surgimento do Movimento Hippie nos EUA (que sucedeu os Beats) é fator decisivo do Psicodelismo, junto à obra de Timothy Leary, o papa do LSD,  “A Experiência Psicodélica”. (V. post https://anos60.wordpress.com/2008/01/03/nozens-e-provos/)

Em 1965 nasce em Memphis, o funk, fusão de soul music, soul, jazz, rock psicodélico e R&B, na voz de James Brown, com a canção “Papa’s Got a Brand New Bag”. Consta que os músicos que acompanharam James Brown eram oriundos da banda de Little Richard, que havia se retirado do rock’n’roll  para se tornar pastor.

O ativista dos Direitos Civis Malcolm X é assassinado em 21 de fevereiro de 1965, enquanto discursava em Manhatan. V. post https://anos60.wordpress.com/2008/02/04/direitos-civis-nos-eua-malcolm-x/

Os Rolling Stones lançam “Satisfaction”, a canção-símbolo dessa virada na década, e o álbum “Out of Our Heads”.

The Who lança “My Generation”, e era o que se podia chamar de uma banda de rock, contestadora e incendiária.

Os Beatles lançam “Yesterday”, no álbum “Help” (composta em 1964 e lançada em agosto de 1965), uma canção pop barroca acompanhada por guitarra acústica e quarteto de cordas. Sofisticação que foi explorada logo em seguida no Rubber Soul. É a música mais tocada de todos os tempos.

John Coltrane lança “Love Supreme”, uma masterpiece, espécie de caleidoscópio/oração/jazz/étnico.

O skate é criado na Califórnia, EUA.

Nesse contexto as cenas musicais – Bossa Nova, Folk, Country, Funk, Black Music, Merseybeat, Rock – não eram movimentos artísticos, mas evolução que influenciaram movimentos – Hippies, Tropicália, e lá nos 80, Mangue Beat. Exemplo disso são os álbuns Revolver e Sgt Pepper’s, dos Beatles: artesanato musical com alta tecnologia, invenção, música do passado e do futuro, ao mesmo tempo regional e urbana, popular e de experimentação. High Brow e Low Brow : fusão de alto repertório intelectual e artístico com as culturas populares de massa.

Essa conceituação é importante na concepção do Tropicalismo, como disse Caetano Veloso: …”Uma  necessidade de inclusão nacional de estilos e gostos, vindos de grupos, etnias e classes sociais diferentes”.

Caetano Veloso com Parangolé

“Tropicália” (1968), em pleno regime militar (só sabe a dureza que foi quem viveu na época), “Acabou Chorare” (Novos Baianos, 1972),

Mangue Beat (Chico Science & Nação Zumbi, “Da Lama ao Caos”, anos 80), passando pelo Clube da Esquina (Milton Nascimento, Lô Borges, Wagner Tiso, 1972),

são ressonâncias do que ocorreu a partir de 1965. É a partir daí o momento da virada, que o caldeirão cultural vai ferver, um salto vertiginoso em pouquíssimos anos. Tudo foi vivido nesse período. Bossa Nova, samba, xote, xaxado, baião, poesia concreta, tango brasileiro, Manifesto Antropofágico, Beatles, Macunaíma, Villa-Lobos, rock. Maracatu, hip-hop, tambor, guitarras. Em clima político não favorável, mas em uma época de transgressões.

Dentro dessas correntes de renovação, Chico Buarque, ainda que fiel ao samba tradicional, inovou com letras e canções belíssimas, trouxe rejuvenescimento à MPB, determinante nas composições críticas que provocavam a ditadura e  burlavam a censura.

Um clássico. Começou a destacar-se a partir dos festivais nos meados dos anos 60 (A Banda).

Marcos e Paulo Valle, também injetaram energia renovadora nesse tempo efervescente.

E ainda, Luís Melodia, que ainda moleque, no início dos 70, compôs simplesmente, Pérola Negra.

Mas, não dá para negar que, no Brasil, o que aconteceu de bom musicalmente, tem uma inspiradora imagem de fundo : João Gilberto. Erudito e popular – High brow, low brow.

Em apenas 3 anos, de 1965 a 1967, 6 obras tiveram papel definitivo naquilo que representou mudança de paradigma, nítida quebra de curso, de virada revolucionária, que redefiniriam as linhas e os valores do rock. V. https://anos60.wordpress.com/2008/05/06/fusao-frutos-e-sementes/ A eletrificação do folk (com The Band acompanhando Dylan, influencia Beatles), a experimentação e o aprofundamento nas letras dos Beatles (influencia  Dylan), a renovação do rock norte-americano na Califórnia, a partir principalmente de 1965 (influência Beatles e Dylan, The Byrds, com o seu álbum “Mr. Tambourine Man” de dez 64; o nascimento dos Doors – ouça “Love me Two Times”, 1968)

e bandas como The Grateful Dead, Jeferson Airplane, The Lovin’ Spoonful, Country Joe and The Fish, Steppenwolf, The Moody Blues, The Grass Roots, The Yardbirds, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Cream, Velvet Underground, The Troggs, The Mamas and the Papas e muitas outras).

Quando ouvi essa gravação do Spencer Davis Goup, com Stevie Winnwood, de 1966, jurava que era uma daquelas bandas só de negão da Motown.

O surgimento dos Hippies e o psicodelismo, são os fatores que imprimiram um tom de renovação e expansão de conteúdo nas obras que se seguiram e de comportamento e produção artística de forma geral. Até 1968 tudo já teria acontecido (festivais, desbundes, recrudescimento na guerra do Vietnã, assassinatos políticos, movimentos libertários, movimentos estudantis, Maio de 68, Primavera de Praga, esperanças perdidas) com excessão do Festival de Woodstock em 1969 e da chegada do homem à Lua, embora o precursor de todos os festivais tenha acontecido em 1967 em São Francisco, Califórnia, em pleno Verão do Amor, o Monterey Pop Festival. Mas, voltando a citar o historiador Eric Hobsbawm, em seu livro “Tempos Interessantes – Uma vida no século XX” (Companhia das Letras), ele escreve na página 290, “O que realmente transformou o mundo foi a revolução cultural da década de 1960. O ano de 1968pode ter sido menos um ponto decisivo na história do século XX do que o ano de 1965, que não teve qualquer significação política, mas foi o ano em que pela primeira vez a industria francesa de roupas produziu mais calças femininas do que saias, e no qual o número de seminaristas católicos romanos começou a declinar visivelmente”…”Pode-se argumentar que a marca indicativa realmente importante da história da segunda metade do século XX não é a ideologia nem as ocupações estudantis, e sim o avanço dos ‘jeans’.

v. https://anos60.wordpress.com/2008/09/02/monterrey-pop/

As obras a que me referi são :

Março de 1965 – Bringing it All Back Home – Bob Dylan – É o disco que explora a eletricidade em algumas composições, um afastamento de Dylan do folk tradicional, mas sempre no campo das canções temáticas, críticas, poéticas, sarcásticas.

30 de agosto de 1965 – Highway 61 Revisited – Bob Dylan – Mais rocker do que nunca, um dos maiores álbuns de todos os tempos, com Michael Bloonfield na guitarra.

Dezembro de 1965 – Rubber Soul – The Beatles – Lembro muito bem da primeira vez que vi e ouvi, era diferente de tudo. Causou  estranheza e magnetismo, com aquela capa que tinha uma distorção tão sutil, ao mesmo tempo enigmática e incopiável. É o início de uma mudança de parâmetro em relação aos instrumentos convencionais de uma banda de rock, embora isso já tenha ocorrido com a canção Yesterday, do álbum Help, de agosto de 1965. É um ábum meio country, folk e rock, já psicodélico, mas nós, eu, pelo menos, não sabia onde encaixar aquela informação. Esse é o álbum que inspirou Brian Wilson a fazer o Pet Sounds, que inspirou os Beatles (principalmente Paul McCartney) a fazer o Sgt Pepper’s, que surtou o Brian Wilson. Figura em Top 5, na lista da R.S.

16 de maio de 1966 – Blonde on Blonde – Bob Dylan – O que começou com Bringing…teve seu auge aqui. É um álbum duplo de Dylan e o mais denso desde Highway 61, dos 3 álbuns citados. Esses álbuns parecem ter esgotado o período mais rock e criativo de Dylan (teve um sério acidente de motocicleta).

16 de maio de 1966 – Pet Sounds – Considerado o 2º melhor álbum de todos os tempos, 2º a lista dos “500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos”, da Rolling Stone Magazine. Para a revista MOJO, em avaliação de 1995, é “o melhor álbum já feito”. Enfim, Art Rock.

4 de agosto de 1966 – Revolver – Uma obra-prima com grande unidade de construção, mesmo com tantas variações de temas, instrumentos e estilos. Alucinógeno, principalmente nas composições de Lennon, é o álbum que define o gênero psicodélico, juntamente a Pet Sounds, dos Beach Boys, e Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd. Aparece em Top 3, na lista da Rolling Stone.

1 de junho de 1967 – Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band – The Beatles – Psicodelia, arte, música clássica, rock’n’roll, em sequências harmônicas. A partir daí não haveria mais regras e tudo poderia ser tentado.

Veja a lista dos 500 maiores álbuns, segundo a revista Rolling Stone: http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http://www.rollingstone.com/music/lists/500-greatest-albums-of-all-time-19691231

2 Respostas to “Meados de 60”

  1. (-.-) a minha juventude, o meu percurso aquase todo aqui. Parabens… mais uma vez vou roubar, Um xi de coração para o ” Autor/a”

  2. […] rainha Elizabeth II com a Ordem do Império Britânico, por serviços prestados, sua criação, a mini-saia. Nessa ocasião, Londres era considerada a capital mundial da moda,  Carnaby Street, […]

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