Altamont

 

Altamont é uma estrada no norte da Califórnia, perto de Livermore. Foi lá que aconteceu em 6 de dezembro de 1969, há 40 anos, o evento promovido pelos Rolling Stones, Altamont Speedway Free Festival (The Killer Concert, como passou a ser conhecido), com convidados como Grateful Dead, Santana, Jefferson Airplane, The Flying Burrito Brothers e Crosby, Still, Nash & Young. Seria uma espécie de “Woodstock do Oeste”. Porém, houve problemas desde o início. Originalmente programado para acontecer no Golden Gate Park, San Francisco, não foi concedida a  licença. Tentaram negociar o espaço da Sears, que também não deu certo porque o proprietário exigia direitos sobre as filmagens e não chegaram a um acordo. Muito tempo já havia passado, e quando se decidiram por Altamont, estavam há apenas 2 dias da data marcada. Em 4 de dezembro, anúncios começaram a circular por toda a mídia, divulgando o festival. Um dos pontos considerado inadequado foi o preço do ingresso, entre 7 e 8 dólares, ao invés dos habituais 4 ou 5 dólares. Para um público aproximado de 300.000 pessoas, a infra-estrutura também ficou precária, como por exemplo, toaletes e barracas médicas em quantidade e espaço muito aquém do necessário. O palco tinha apenas 1,21 m de altura, e o erro-mor, foi contratar os Hell’s Angels para fazer a segurança do festival.

Já no show do Jefferson Airplane, os Hell’s Angels, espancaram um garoto com tacos de sinuca. Marty Balin, do Jefferson, chegou a perder os sentidos, quando pulou no meio da multidão para tentar parar os Hell’s de bater em outro garoto hippie, com seus tacos. Consta, segundo o Guardian, que ele foi o único músico a intervir físicamente.

Os Stones chegaram de helicóptero no meio da tarde, e um garoto gritava na cara de Mick Jagger, “I hate you, I hate you”. A área do palco parecia um hospital, com pessoas que eram levadas para lá inconscientes, e onde avisos eram dados sobre atendimento médico.

Mas o clímax ainda não havia chegado. Os Stones estavam no palco e tocavam “Sympathy for the Devil”. Alguma confusão fez com que parassem a música por um momento e logo retomaram. Foi quando um jovem negro, Meredith Hunter (1951-1969), provocado por alguns Hell’s Angels, sacou uma pequena pistola e sacudiu-a no ar. Então foi esfaqueado muitas vezes no pescoço e nos ombros por Alan David Passaro, e espancado até a morte enquanto os Stones tocavam “Under my Thumb”, alheios ao que estava acontecendo.

foto : The Guardian

Quando perceberam, a música foi interrompida e Mick implorou para que parassem a briga, mas ele não tinha controle algum sobre a situação. O assassino, alegando agir em auto-defesa, foi absolvido. Mas em 1985 seu corpo foi encontrado boiando no Reservatório Anderson, com US$ 10.000 no bolso.

Eamonn MacCabe, fotógrafo do Guardian, disse : “Era um lugar estranho e sinistro. Eu cheguei cedo no dia e era muito claustrofóbico. Fui com a intenção de filmar os Stones na minha pequena Super 8, mas demorei horas para abrir caminho até a frente do palco. Eu queria ver mesmo era Crosby, Still, Nash &Young e tudo parecia calmo. Aí, durante o show do Jefferson Airplane, eu vi um garoto sendo atacado pelos Hell’s. Todos tentamos correr. Mas não havia espaço físico para isso”. (…) “O que me lembro era de um sentimento de escuridão, de perigo presente. (…) Mick (vestido com uma capa e um pentagrama bordado em sua roupa) se movimentava em seu palco satânico. Mas quando a violência emergiu em torno dele, súbitamente ele se tornou muito pequeno e vulnerável”.

Depois disso, os Dead se recusaram a tocar, por causa da violência, e foram embora de helicóptero. Os Stones desembarcaram minutos depois, em um terminal do Aeroporto de Los Angeles, chocados. Stanley Booth escreveu : “Mick sentou-se em um banco de madeira, desnorteado e amedrontado, sem capacidade para compreender o que havia acontecido – quem eram os Hell’s Angels ou porque eles estavam matando pessoas em seu show de paz e amor…’Eu devia ter chamado os guardas’, disse Mick”.

Country Joe McDonald disse que “Woodstock e Altamont são como grandes experimentações sociais do final dos anos 60. Mas realmente, não foram. Altamont foi errado desde o começo por razões claras : lugar ruim, organização ruim, cobiça, arrogância, estupidez. Woodstock funcionou porque as pessoas não se sentiram usadas. Woodstock foi progressista, na direção da sabedoria, de união das raças. Foi um triunfo da tecnologia. Um modelo para que um festival seja bem sucedido”.

Não dá para não comparar Woodstock e Altamont. Do sonho ao pesadelo em apenas 4 meses de diferença.

Fontes :

Christopher Andersen, in “Mick Jagger – Biografia Não Autorizada”

David Dalton (Rolling Stone) : “Altamont : An Eyewitness Account”

www. guardian.co.uk

2 Respostas to “Altamont”

  1. Luiz Carlos Farid Says:

    Foi uma triste aula ,de como não se deve organizar um festival e acho que os Stones aprenderam ,pois desde então só fizeram shows em grandes produções…

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