Guerra Fria – Tempo Quente

A Guerra Fria teve início em 1948, na Alemanha, quando as 4 zonas, divisão original pós 2ª Guerra Mundial, ficaram  reduzidas a 2 apenas, quando os soviéticos bloquearam as comunicações terrestres a partir de seu setor. Desde então, e até o fim do muro em 1989, a Alemanha seria dividida em Alemanha Ocidental  e Alemanha Oriental.

A década de 1960 foi a década de mudança de parâmetros. A Guerra Fria ficou célebre por casos envolvendo espionagem. A CIA e a KGB atuavam em escala mundial e em todos os campos, na luta para desestabilizar o inimigo. Valia tudo, desde propaganda, desinformação, investimento em cultura, esportes e suporte financeiro e técnico para aliados no mundo inteiro.

Lockheed U-2

O incidente envolvendo o avião espião Lockheed U-2 da CIA ( Central Intelligence Agency), que foi abatido sobre a URSS em 1 de maio de 1960 por uma salva de 14 SA-2 Guideline (S-75 Dvina), mísseis terra-ar, sobre a região do Ural, abriu uma crise que causou grande impacto na opinião pública, foi um dos marcos da Guerra Fria e piorou consideravelmente as relações EUA-URSS. O U-2, pilotado por Gary Powers, decolou de Badaber (Paquistão) com destino a Sverdlovsk e Plesetsk, área dos ICBM, as plataformas dos mísseis balísticos intercontinentais da União Soviética. Fotografias e sensores determinariam também dados sobre a produção de Plutônio e dessa forma, uma estimativa sobre a quantidade de armas nucleares.

kruschev (acima), o líder soviético, expôs o fato à mídia mundial, mas a princípio os americanos negaram, imaginando que o piloto estivesse morto, já que ele levava consigo uma cápsula de veneno para ser usada em casos como esse. Mas Powers sobreviveu, não engoliu a cápsula, e foi mostrado pelos soviéticos, o que fez cair por terra as negativas da Administração Eisenhower. Powers foi condenado a 3 anos de prisão e 7 anos de trabalho forçado. Ele cumpriu 1 ano e 9 meses de sua sentença e foi trocado por Rudolf Abel, codinome de Vilyam “Willie” Genrikhovich Fisher, espião soviético, em 11 de fevereiro de 1962, no Checkpoint Charlie, na Ponte Glienicke, que liga Potsdam, ex-Alemanha Oriental, a Berlim Ocidental. Foi esse evento que determinou a decisão do governo norte americano de fazer investimento imediato na construção de satélites para missões desse tipo, já que os U-2, projetados para grandes altitudes, podiam ser abatidos.

Não é à toa o enorme sucesso alcançado pela série cinematográfica a partir de 1962, com o espião com licença para matar, 007,  James Bond. Apresentava-se sempre assim, “a propósito, meu nome é Bond, James Bond”, fleugmático e cínico, nos momentos mais críticos, com o então desconhecido Sean Connery no papel principal. Very British.

“O Satânico Dr. No” abriu a série, que conta ainda com a esfusiante bombshell Ursula Andress. James Bond, agente 007, foi criado por Ian Flemming  em 1953, ele próprio tendo trabalhado para a inteligência naval britânica.

(Acima, Ursula Andress, no primeiro filme da série, “O Satânico Dr. No) Se Bond era o herói of Her Majesty The Queen, bem sintonizado com o clima da Guerra Fria, Phillip McAlpine era o anti herói. Esse espião criado pelo escritor Adam Diment, tinha um perfil mais sintonizado com a Swinging London e a permissividade dos anos 60 : Mod, hip, fumador de haxixe, tornou-se espião contra sua vontade. O Serviço Secreto Britânico, sabedor de seu envolvimento com drogas e de talentos raros, chantageou-o. Ou aceita a missão ou vai para a cadeia. Sua primeira aventura “Dolly Dolly Spy” (haveriam mais 3), foi best seller em 1968. Apesar de aclamado, depois de seu último livro “Think Inc” (1971),  Diment sumiu e nunca mais se ouviu falar dele.

Vale destacar a personagem criada para os quadrinhos em 1963 por Peter O’Donnell com arte de Jim Holdaway : Modesty Blaise, a heroína com passado criminal que fugiu de uma prisão em Kalyrus, Grécia, sem lembrar nada de seu passado.  Virou filme em 1966, com direção de Joseph Losey e estrelado por Monica Vitti, Terence Stamp e Dirk Bogarde.

Capa da primeira aventura de Modesty Blaise, 1963

Monica Vitti em “Modesty Blaise”, 1966

 

Cadeira “Modesty Blaise – S/ autoria – Encontrada em ‘bq of sweden’.

Para citar um exemplo de tentativa de desestabilização, um dos acontecimentos mais  famosos foi o “Caso Profumo” (1963 ),  ministro da Defesa britânica, envolvido em escândalo sexual, e se demitiu por manter caso amoroso com a modelo Christine Keeler (abaixo)

que era amante do adido naval russo e muito provavelmente agente da KGB (polícia secreta soviética), Ievgueni Ivanov, da embaixada da União Soviética em Londres.  Também em 1963, John Le Carré publicou “O Espião que Saiu do Frio”, logo após a construção do Muro de Berlim (alto da página) pelos russos, para impedir as fugas dos alemães orientais para “o inferno capitalista”. O livro aborda as trocas de espiões no famoso Checkpoint Charlie, posto de fronteira mais simbólico da Guerra Fria. Le Carré era agente do MI-6, agência britânica de inteligência, numa época em que era difícil de saber quem estava de que lado, sendo que muitos senhores britânicos acima de qualquer suspeita eram comunistas que se tornaram agentes pró URSS, e dessa forma muitos segredos ingleses e da OTAN (Organização Tratado do Atlântico Norte) foram devastados, e Le Carré teve o nome vazado para a KGB, a agência soviética. Dessa forma o mundo ganhou um escritor que conhecia muito bem os labirintos e segredos de espionagem internacional.

O Muro de Berlim começou a ser construído em 13 de agosto de 1961 ( foi derrubado a partir de 9 de novembro de 1989) e tinha 45 km de extensão. As autoridades comunistas tentavam evitar a fuga em massa de mão-de-obra qualificada para o ocidente. Segundo pesquisa historiográfica recente (2006) de um centro de pesquisas em Potsdam, patrocinada pelo governo alemão, 125 pessoas foram mortas pela polícia da ex- Alemanha Oriental, quando tentavam saltar o muro para o lado ocidental. Cerca de 100.000 pessoas foram detidas por tentativa ilegal de imigração. Ainda segundo o mesmo estudo, entre 1949 e 1962, cerca de 2,5 milhões de alemães orientais conseguiram se refugiar na Alemanha Ocidental. Esse número caiu para cerca de 5 mil, entre 1962 e 1989, por causa do muro. Foi derrubado em 1989, com o fim do regime comunista, e esse fato determinou o início da reunificação alemã e o fim da Guerra Fria.

Na América Latina, em 1964, as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – surgem como grupo guerrilheiro vinculado ao Partido Comunista. Chegaram a ter 80% do território colombiano, com um número de mortos que chegou a 30 mil. Nos anos 80, passaram para o tráfico de drogas e sequestros, cerca de 3 mil por ano, gerando poderoso recurso financeiro para a manutenção do poder conquistado. Um caminho oposto ao percorrido pelo PCC – Primeiro Comando da Capital – em São Paulo em 2006, resultado de tremendo fosso social existente, já que desde 1964 há conhecimento de projeções alarmantes sobre a questão social principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. O PCC foi criado por traficantes a partir das cadeias e criou um exército muito bem organizado, buscando uma “causa”, enveredando pelos campos políticos que já estão em cheque no Brasil por conta da corrupção institucional. Ernesto Che Guevara – Um dos líderes da Revolução Cubana, renunciou ao seu cargo de Ministro da Cultura no final de 1964 e resolve atuar como guerrilheiro para “promover a revolução” em Angola, no Congo e na América Latina em 1966. Em 9 de outubro de 1967 em La Higuera, Bolívia, é emboscado pelo exército boliviano, e reconhecido por um agente da CIA de origem cubana, é executado. Sua morte foi chorada por jovens de todo o mundo. Sua vida e sua morte o tornaram um ícone de idealismo. O mundo está pegando fogo. Os assassinatos de John Kennedy, Martin Luther King, Bob Kennedy, Malcolm X, a Primavera de Praga, os confrontos dos movimentos estudantis com a polícia em maio de 1968, iniciados em Paris, a luta pelos direitos humanos, Black Power, Flower Power, Panteras Negras, feminismo, a “queima de sutiãs” pelas feministas, em protesto contra o evento de Miss América, a Marcha ao Pentágono, todos esses eventos mostram que 1960 foi também uma década de confrontos.

4 Respostas to “Guerra Fria – Tempo Quente”

  1. […] não era previsto em meados dos anos 1950. Em 1962, a derrubada de um avião de reconhecimento U-2 que voava a quase 19.000 metros de altura surpreendeu os planejadores norte-americanos, […]

  2. eu não estou com pressa de procura mais o negócio que estou procurando esta dificio para procura nesta pagina ver se tenta bota melhor para ficar mais legal♥

  3. It’s difficult to find well-informed people in this particular subject, but you seem like you know what you’re talking
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