Enquanto isso, na China

A China também teve sua revolução cultural. A “Grande Revolução Cultural Proletária”, teve início em 16 de maio de 1966, promovida por Mao Tsé Tung, (pronuncia-se Mao Ze Dong), o “Grande Timoneiro” (acima, em obra de Andy Warhol). Os guardas vermelhos, foram criados para dar suporte a Mao contra seus críticos e rivais, com apoio militar.

Eram adolescentes que de posse do “Pequeno Livro Vermelho”, com citações e pensamentos do ‘grande líder’, tornaram-se o braço efetivo de todos os excessos que ocorreram à época, com prisões e execuções de intelectuais e a destruição do patrimônio cultural e físico chinês.

Perseguição religiosa, política, social e cultural, deslocamento forçado de camponeses, purgações políticas, prisão e tortura de pessoas, com mortes que chegaram ao patamar dos milhões, principalmente de intelectuais.

Se os camponeses obtiveram um aumento de sua produção de grãos em torno de 70 % entre 1949 e 1956, é natural que a maioria dos chineses confiassem que estavam no curso certo para um tempo de grandeza e paz. Mas em 1960, houve a ruptura com a URSS, que retirou os suportes financeiros e materiais que davam à China. Esse fato foi acelerador de um processo que E. Hobsbawn chamou de “mergulhos cataclísmicos” ( ver “A Era dos Extremos”, pg. 452), do próprio Mao. Esses ‘mergulhos’ estão presentes nas 3 principais diretrizes de programas como : coletivização super rápida da agricultura chinesa em 1955-57 ; o “Grande Salto Avante” da indústria, em 1958, – sem o respaldo da liderança do partido, seguido da grande fome de 1959-61, considerada a maior do século XX – foi, na verdade, um período de grande estagnação continuada, e só revertida recentemente. E, por fim, a Revolução Cultural, mergulho radical no obscurantismo, e na idolatria cega, contra a liderança do partido e todos os intelectuais, o que lhe permitiu a continuação de seu itinerário insólito.

Alguns jornalistas conseguiram enviar para o ocidente imagens aterradoras dessa época.

Mao permitiu que sua mulher, Chiang Ching, comandasse os acontecimentos responsável por todos os tipos de violência, como destituições de cargos, perseguições, humilhações e assassinatos em massa. Oficialmente, foi encerrado em abril de 1969, por ocasião do 9º Congresso do Partido Comunista Chinês, mas permaneceu ativo até a morte de Mao, em 9 de setembro de 1976. Foi aí que Chiang Ching, com o apoio de seus lugares-tenentes Zhang Chunqiao, Wang Hongwen e Yeo Wenyan, a “Camarilha dos Quatro”, tentou substituir o marido Mao no poder, plano que não obtém sucesso. São todos presos e processados.

Chiang Ching é condenada à morte, considerada responsável por centenas de milhares de mortes, mas teve sua pena comutada em prisão perpétua. É encontrada morta e é oficialmente considerada suicídio. Quem assumiu o poder, ironicamente, foi Deng Xiaoping, a quem Chiang Ching havia lançado em desgraça como um dos piores inimigos do povo.

Foi ele quem comandou a China em nova e pragmática revolução. O 40º aniversário da “Revolução Cultural Chinesa”, em 2006, foi totalmente ignorado pela imprensa chinesa. Na China atual, as autoridades proíbem o acesso na Internet Chinesa para qualquer pesquisa que tenha a expressão “revolução cultural”. É ainda uma questão sensível. Se há um país cuja frase atribuída a Maquiavel, “os fins justificam os meios”, esse país é a China. Hoje, com seu pragmatismo, é a economia que mais cresce no mundo, já ultrapassando a Alemanha, e preparando-se para se tornar a 2ª maior potência mundial.

Uma resposta to “Enquanto isso, na China”

  1. Bom!🙂
    Twittei você, apesar de ser antigo, é bom e atual!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: