Dr. Timothy Leary

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por edi cavalcante

Em 1964 foi publicado o livro “A Experiência Psicodélica”, do Dr. Timothy Leary, e seu assistente, o Dr. Richard Alpert.   O Dr. Timothy Leary ficaria conhecido como o “papa do LSD”, por fazer experiências lisérgicas com seus alunos, voluntários, a princípio com mescalina e depois com LSD, em pesquisas de expansão da consciência e na libertação da mente, porque acreditava que dessa forma as pessoas poderiam encurtar o caminho em direção à luz própria. Quando preso, afirmou ter dado LSD para mais de 1000 jovens. Em “Leary, Surfista do Caos”, Cláudio Júlio Tognolli, autor de tese focada em Leary, estando pessoalmente com êle por várias vêzes, conta alguns momentos e trechos de conversas: “Você sabe quem controla suas retinas ? Cyber, do grego, que quer dizer luz ou timoneiro. Quem comanda a luz nos controla. Isto é, os papas da cibernética e da TV”. Ainda segundo Tognolli, para Leary, os memes é que determinam a evolução biológica. Memes são idéias, conceitos, paradigmas básicos, palavras-chave. Eles se reproduzem e se espalham de pessoas para pessoa, podem ser expressos numa palavra, num símbolo, num ícone. Nas palavras de Leary, ” a bandeira de um país é um meme. Cristo, Alá, são super memes, assim como a suástica. A Coca-Cola é quase um super meme. Memes são como marcos, selos, para os arquivos de nosso computador biológico, que é nosso cérebro. P.e., o nome Stálin, ativa certos arquivos históricos no cérebro da maioria das pessoas. Uma forma de mudar a cultura, de modificar as mentes, é introduzir novos memes no cérebro das pessoas. Segundo Tognolli, Leary, em sua entrevista, salientava que a “grande verdade” trazida pela física quântica era a noção de que na natureza, o substrato básico era o caos. Acreditava que com a ajuda de nosso meme de cada dia, colonizávamos pequenos extratos dese caos, transformando-o num terreno seguro e imutável em que pensaríamos, obedeceríamos ordens, produziríamos, amaríamos, votaríamos e até mesmo odiaríamos com toda a margem de risco já tranquila e quase já geográficamente delimitada. Sobre esse tema escreveu “Chaos and Cyberculture”. “A Experiência Psicodélica” foi escrito com base no texto do “Livro Tibetano dos Mortos”, o “Bardo Thodol”, usado cerimonialmente em rituais fúnebres do budismo do Tibete há séculos, e dedicado a Aldous Huxley (26.07.1894 – 22.11.1963), autor que escreveu “As Portas da Percepção” e “O Céu e o Inferno”, em que narra sua experiência LSD. O “Bardo Thodol”, é uma espécie de mapeamento sobre aquilo que encontraremos ‘do outro lado’ e para sairmos do Sansara, que quer dizer, ‘ vagando entre a vida e a morte sem notar o eterno’. Cada passo chama-se bardo, p.e., o 1º bardo diz : ” ausência do ego, ou perda do ego ou o êxtase decorrente da perda do ego” (Chikkai Bardo)”. John Lennon conviveu com Leary e foi depois de ler a “Experiência Psicodélica” que compôs “Tomorrow Never Knows” em abril de 1966, para o álbum “Revolver”, uma das músicas de maior experimentação da história do rock. Noel Gallagher disse que sem essa música não existiriam Oasis, Primal Scream, Chemical Brothers, Massive Attack, My Bloody Valentine, etc. Expulso da Universidade de Harvard, Leary foi preso na cadeia de Folson, onde dividiu cela com ninguém menos que Charles Manson, e talvez por isso mesmo, tenha fugido de lá, escalando cercas de arame farpado em 12 de setembro de 1970. Nos últimos 4 mêses que antecederam sua morte, por câncer de próstata, escreveu “Design for Die” (Projeto para Morrer). Nascido em 22 de outubro de 1920, em Springfield, Massachusetts, faleceu em 31 de maio de 1996, em Los Angeles. Foi cremado em outubro de 1996 e suas cinzas foram transportadas pela espaçonave Pégasus e liberadas no espaço com o auxílio de um satélite, junto com as cinzas de Gene Roddemberry, criador de “Jornada nas Estrelas”, e de outros cientistas e pioneiros em estudos aero-espaciais, como Gerard O’Neill, da Hight Frontier Space Station, e Todd Harley, professor da International Space University. Suas últimas palavras foram “Porque não?”. Um dia ele disse : “O espírito da liberdade dos anos 60 viverá enquanto as pessoas pensarem por si mesmas e questionarem a autoridade”.

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