1960 – 100 anos de Modernismo

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 Le Déjeuner Sur L’herbe, Édouard Manet, 1862-63

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O julgamento de Páris, Marcantonio Raimondi, 1515 – influenciou “Le Déjeuner sur l’Herbe”

1960. Aniversário de 100 anos do Modernismo. Imagine uma viagem na qual você sobrevoa o tempo-espaço cultural pelo ocidente a partir de um determinado período durante um século e assim ter um panorama das imagens e dos fatos do que aconteceu e quem foram os protagonistas desse tempo. Nessa perspectiva vemos que a partir de 1860 tem início o Modernismo, que teve protagonismo importante no movimento que revolucionou os costumes e as artes plásticas e foi ponto de partida para as tendências que influenciaram o século XX, o Impressionismo, cujo nome deriva da obra “Impressão, Sol Nascente, Claude Monet, 1872 – “Le Déjeuner sur l’Herbe”, de Édouard Manet, 1862-3, escandalizou o público presente no Salon des Refusés, em 1863. A imagem de uma mulher nua sorrindo de forma quase imperceptível (Victorine Meurent, modelo também da não menos polêmica Olympia, do mesmo autor) sentada na relva acompanhada de 2 homens completamente vestidos que olham para o espectador. Essa obra mostra uma imensa liberdade do artista e causa um choque na conservadora sociedade parisiense, foi a mola propulsora de pontes virtuais, através de movimentos artísticos revolucionários, plataformas de lançamento para o que viria, com artistas como, Cézanne, Gauguin, Van Gogh, Seurat, Munch, Matisse. Impressionismo, Divisionismo (ou Pontilhismo), Nabis, Fovismo, Expressionismo, Cubismo, Construtivismo, Dadaísmo, Surrealismo, De Stijil.

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Le Déjeuner sur L’herbe, Pablo Picasso, 1960

O “Le Déjeuner…” de Picasso, é uma visita que faz a uma das obras consideradas capitais na fundação da pintura moderna. Picasso revisitava o passado e uma vez disse que Cézanne tornou possível todo o resto. Esses movimentos e artistas entre outros, uniram décadas que fez um século em 1960, início de nova revolução cultural no Ocidente, e é nesse período que se começa a questionar as rupturas propostas pela Arte Moderna, as chamadas Vanguardas Modernistas.

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Le Déjeuner sur L’herbe, Alain Jacquet, 1964 (díptico, serigrafia sobre papel)

A arte produzida principalmente a partir dos 60 tinha características e questionamentos diferentes daquelas referentes à Arte Moderna, como a Op Art, geometrização da arte, e a Pop Art, baseadas nos ícones da época, com artistas como Richard Hamilton (U.K.), Andy Warhol e Roy Liechtenstein (USA). Esse tempo é a delimitação entre Arte Moderna e Arte Contemporânea. Uma imagem que me ocorre para visualizar os anos 60, é a de um imenso corredor por onde pudéssemos caminhar, e em cujas paredes laterais que o compõe, em grande velocidade, correm de um lado, as imagens da revolução cultural, artistas, bandas de rock, psicodelismo, moda, atitude, festivais, música, hippies, contracultura, provocações. E do outro, os principais assuntos políticos dos anos 60, a Guerra Fria (Otan x Pacto de Varsóvia), o Muro de Berlim, as lutas pelos direitos civis, as viagens espaciais, a Guerra do Vietnã, a posse e a renúncia de Jânio Quadros, o assassinato de lideranças nos EUA, os hippies, a questão ambiental, a revolta estudantil, maio de 1968, as lideranças sindicais, os “golpes de estado” no Brasil e na América Latina. A pílula anti-concepcional que revolucionou a condição feminina, que deu à mulher o poder de planejar e escolher o melhor momento para ter seus filhos e também sua liberação sexual, enfim, a emancipação da mulher e as lutas pela igualdade de direitos. Revoluções culturais, de costumes e comportamento através da artes. Assim como nos 60 do século XIX, a década de 60 do século XX determina o fim de uma era e estabelece o início de outra. Só que numa escala sem precedentes.

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Festival de Woodstock, 1969 – Imagem que remete às celebrações pagãs ancestrais, referência histórica do Movimento Hippie

Pop Art, Ligia Clark, Brigitte Bardot, Barbarella, James Bond, Pasolini, Felini, Antonioni, Roger Vadin, Glauber Rocha, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton, Monterey Pop, Woodstock, Jimmi Hendrix, Janis Joplin, a mini-saia, Mary Quant, Twiggy, Jean Shrinpton, Swinging London, João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Jorge Ben (depois mudou para Jorge Benjor para se proteger de plágios), Jovem Guarda, Festivais da Record, Chico Buarque, Nara Leão, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tropicália (modernismo + antropofagia: devorando todas as influências e recriando-as, do samba e bossa nova a Sgt. Pepper’s), Hélio Oiticica, etc.

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Eric Hobsbawn diz em seu livro “Era dos Extremos – O breve século XX – 1914 – 1991”, – em que divide o século XX em três eras, a primeira, a Era da Catástrofe ( as guerras mundiais, etc. ), e a terceira, entre 1970 e 1991, a Era do Desmoronamento, a derrocada dos sistemas institucionais, que levou à brutalização da política e à “irresponsabilidade teórica da ortodoxia econômica, o que leva a um futuro incerto”. –  A segunda, é a Era de Ouro, que ocorreu entre 1947 e 1970, com ênfase nos anos 60, quando as mais profundas transformações aconteceram. Ele escreve “…se o século XX foi um século de transição, a década de 1960 foi a década de transição do século XX”.

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Martin Luther King Jr, em um de seus últimos discursos pelos direitos civis e contra a guerra do Vietnã, 4.04.1967

Uma luta subterrânea se desenvolvia com imensa brutalidade em relação aos direitos civis, tanto no Brasil como nos EUA. E, ao mesmo tempo em que valores culturais e artísticos, ideológicos e sociais se renovavam, e que em contrapartida à KKK ( Klu Klux Klan, organização racista de ultra direita norte americana ) e à segregação racial, erguiam-se Martin Luther King, os Black Panthers, Malcolm X, Mandela, etc. As drogas, que representavam atitude libertária, revoluções na cabeça, nova semântica, anti-sistema, a contra-cultura, traziam em seu limite de experimentações, sua sombra, alienação, deixando de ser expansão mental, até o ponto em que passa a servir ao Sistema.

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“Hoje é consenso que os anos 60 foram período de transição para a arte ocidental. Foi nos anos 60 que o rock expandiu para novas linguagens, e como na arte modernista, movida por um ímpeto revolucionário e utópico. E os responsáveis por esse processo, também é consenso, como todos sabem, foram os Beatles : entertainers e artistas sérios, diluidores e vanguardistas, artigos de consumo e antena da raça. Eles exemplificam o modernismo no universo do rock” ( Paulo H. Britto, in Folha de São Paulo, 17.10.1993 ).
O rock foi a linguagem fundamental dos 60. Energia transformadora, como Shiva, a energia primordial destrutiva-construtiva no Hinduísmo. E o maior meio de comunicação na cultura de massas. É o maior veículo, e é linguagem de expressão e de conexão instantânea com as pessoas. Em certo sentido, os ídolos de rock são os shamans do nosso tempo (ou daquele tempo), que podem levar à catarse milhares de pessoas simultaneamente com os acordes de suas guitarras. E trazê-los de volta. As letras de suas canções hipnóticas, são palavras de ordem, cheias de símbolos e significados, até de cura.

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Jimmi Hendrix, Festival de Woodstock, 1969

Em seu livro “Maps to Ecstasy: Teaching of an Urban Shaman” (1989, Nataraj Publishing, Novato, CA, USA), Gabrielle Roth, escreve que tudo o que envolve o desenvolvimento de seu trabalho, de sua performance, as inúmeras experiências individuais e coletivas e a relação entre todos esses elementos, ela chama de ‘Espelhos’ “. Ela diz que ‘espelhos’ pode vir a ser uma banda de rock’n’roll que leva ao transe. “Música é essencial para a moderna jornada shamânica. Ela é a inspiração, o guia, a chamada. Ela envolve nossas histórias, nossos mitos, nossos corações e nossas almas. Ela fala ao espírito de nosso tempo. Muitos de meus shamãs favoritos são estrelas do rock. Eles provavelmente nunca saberão que são shamãs, mas eles sabem como conduzir ao êxtase e voltar, e como levar outros com eles. Eles podem não ter uma licença, mas sabem como dirigir. O rock tornou-se uma forma universal de música. Move além das fronteiras, além das políticas, além da religião, da economia, da cultura, sociologia, linguagem, costumes, ideologia. O rock fala para a alma da liberdade. É hoje a chamada shamânica de volta para a batida, ritmo, bater do coração, a volta ao corpo, ao básico. Os concertos de rock são modernos rituais tribais onde o êxtase coletivo é uma real possibilidade. Isto é uma experiência religiosa, comunhão sagrada “.

7 Respostas to “1960 – 100 anos de Modernismo”

  1. Lidiane Says:

    Eu gostaria de saber o que acontecia na literatura em 1960 à 1970?

  2. priscila Says:

    gostaria de saber como era a cultura e a arte em 1960?
    porque estou tentando pesquisar mas nao conssigo achar…

  3. fransiele Says:

    n estou conseguingo achar os costumes

  4. Elaine Says:

    gostaria de saber sobre a revolução dos direitos humanos no brasil no período de 1960 á 2009!!!!!!

  5. José Says:

    Tá tudo na Wikipédia

    • José,
      Minhas fontes estão no texto.
      Wikipédia em sua maior parte é cópia de textos existentes.
      Embora não represente minhas fontes principais de pesquisa, é normal fuçar na wiki. A construção dos assuntos e o conjunto de exposições, se estiver na wiki, como diz, então eles estão copiando do 60.
      e.c.

  6. Republicou isso em 60.

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