Arquivo de hippies

Scott Mckenzie e Neil Armstrong, Mortes Emblemáticas

Posted in Década de 60 with tags , , , on 26/08/2012 by edi cavalcante

Agosto de 2012 traz à cena notícia das mortes de 2 lendas da década de 60: Scott Mckenzie e Neil Armstrong. Um cantor e um astronauta.

Scott Mckenzie faleceu em 18 de agosto de 2012. No Monterey Pop Festival – em junho de 1967, em pleno Verão do Amor, o principal evento do Movimento Hippie – imortalizou aquele que foi considerado o hino desse tempo, “San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Head)”, de seu amigo John Phillips, dos Mamas & Papas. R.I.P. Scott, 1 única canção e  tão linda memória.

Neil Armstrong participou da histórica Missão Apollo 11 e foi o 1º homem a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969, um mês antes do Festival de Woodstock. Uma utopia tornou-se realidade. Se compararmos a tecnologia utilizada nessa viagem espacial com as atuais, não dá para imaginar que tenham conseguido tamanha proeza. Neil Armstrong faleceu em 25 de agosto de 2012, aos 82 anos.

Anos 60 Cronologia Parte 2 1966 – 1969

Posted in Década de 60 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 19/06/2012 by edi cavalcante

Principais fatos que ocorreram na Década de 60 em escala nacional e mundial.

1966

Artes Visuais

Union I, 1966, Frank Stella

Minimalismo é definitivamente incorporado às artes visuais.

Em São Paulo, os artistas plásticos Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, Carlos Fajardo, José Resende, entre outros, fundam o Grupo RexE lançam o jornal Rex Time e a Rex Gallery & Sons.

Cinema

Estreias de Blow Up, de Antonioni; Modesty Blaisede Robert Losey; Um Homem, Uma Mulher, de Claude Lelouch; Fahrenheit 451, de François Truffaut; Persona, de Ingmar Bergman; Chelsea Girls, de Andy Warhol; A Grande Cidade, de Carlos DieguesMade in USA Jean-Luc Godard; Quem Tem Medo de Virginia Woolf ? Mike Nichols.

Moda

Swinging London é a capital mundial da moda: Carnaby Street (John Stephens’ men’s styles), King’s Road (Mary Quant, Ossie Clark), Kensington Church Street ( Biba, de Barbara Hulanicki).

Mary Quant é condecorada pela rainha Elizabeth II com a Ordem do Império Britânico, por serviços prestados. Sua criação, a mini-saia combinada com botas e blusas justas ganhou o mundo.

Op Art é assunto nos modelos de Courrèges e Ungaro.

Literatura

A Penguin lança: The Beat Poets (Ginsberg, Corso, Ferlinghetti).

William Burroughs lança Junkie.

João Cabral de Melo Neto lança Morte e Vida Severina.

Augusto de Campos com Haroldo de Campos lança Sousândrade : Poesia.

Rock/Pop

Aftermath The Rolling Stones; Blonde on Blonde Bob DylanFreak Out Frank Zappa and The Mothers of Invention; Mann Made Hits Manfred Mann; The Monkees The Monkees; Pet Sounds The Beach Boys; Fresh Cream Cream; Revolver The BeatlesThe Mamas and The Papas The Mamas and The Papas; The Classic Roy Orbison Roy Orbison; Fifith Dimension The ByrdsMoonlight Sinatra Frank Sinatra; A Quick One The Who; The Yardbirds The Yardbirds; Whisper Not Ella Fitzgerald.

No Brasil, o II Festival de MPB da TV Record consagra Chico Buarque, com a canção A Banda, de sua autoria e interpretada por ele e Nara Leão e obtém o 1º lugar, que divide com Disparada (Geraldo Vandré e Téo de Barros), com Geraldo Vandré.

Jazz

Live at The Village Vanguard Again John ColtraneMiles Smiles Miles DavisFar East Suite Duke Ellington; Straight, No Chaser Thelonious Monk.

Janeiro

Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, de Roberto Carlos, é a Top 1 no Brasil em 1966.

7 – Simon and Garfunkel lançam o álbum Sounds of Silence

8 – We Can Work It Out, dos Beatles, alcança Top 1 por 3 semanas seguidas nos EUA.

15 – Trips Festival, San Francisco, CAL : fundação do movimento hippie norte-americano.

17 – Cai no Mar Mediterrâneo, perto da Espanha, um B-52 com Bomba H à bordo.

Fevereiro

12 – O presidente Mal. Castelo Branco assina o decreto AI-3, que estende as eleições indiretas também para os governos estaduais.

14 – Encontrada a Bomba H do B-52 no leito do oceano.

19 – The Jefferson Airplane e Big Brother and The Holding Company com Janis Joplin se apresentam no Fillmore, San Francisco.

Março

3 – Neil Young, Stephen Stills e Richie Furay formam a banda Buffalo Springfield em Los Angeles.

4 – The Evening Standard, jornal de Londres, publica matéria em que John Lennon afirma que os “Beatles são mais populares que Jesus Cristo”.

12 – Jan Berry, da dupla Jan & Dean (Surf music), sofre acidente de carro que o deixa paraplégico e com danos cerebrais.

15 – Morre o ex-presidente do Brasil, Venceslau Brás (1914-1918).

30 – Morre o pintor e ilustrador norte-americano Maxfield Parrish.

Abril

7 – A Bomba H é retirada do mar.

13 – Morre o pintor surrealista italiano Carlo Carrà.

Maio

1 – The Beatles, The Rolling Stones e The Who se apresentam no New Musical Express Poll Winners, em Londres.

2 – Mao Tsé Tung proclama a Revolução Cultural, estratégia para obter controle do Partido Comunista Chinês, incitando os jovens da Guarda Vermelha a ‘purificar os revisionistas e burgueses reacionários’.

15 – 8000 manifestantes anti-Guerra do Vietnã rodeiam o Pentágono em esforço para fazê-lo levitar.

16 – Lançados os clássicos Pet Soundsdos Beach Boys, e Blonde on Blondede Bob Dylan.

17 – Bob Dylan e The Hawks (que mudaria o nome para The Band) se apresentam no Free Trade Hall, em Manchester, Inglaterra, e Bob Dylan é vaiado por aderir à guitarra elétrica.

Junho

7 – Morre o pintor, escultor e poeta dadaísta alemão Jean (Hans) Arp.

7 – James Meredith é baleado durante marcha pelos direitos civis no Mississipi.

25 – James Meredith reaparece em marcha pelos direitos civis no Mississipi.

27 – The Mothers of Invention lança o clássico Freak Out.

Julho

2 – The Beatles é a primeira banda a tocar no Budokan Hall, Tóquio.

3 – 31 pessoas são presas em protesto contra a Guerra do Vietnã, em frente à Embaixada Americana, em Londres.

28 – Golpe de Estado impõe ditadura na Argentina.

30 – A Inglaterra sagra-se Campeã da Copa Mundial da FIFA.

31 – Conflitos racionais em Nova York, Chicago e Cleveland.

Agosto

1 – Charles Whitman comete um massacre ao atirar sobre 12 pessoas de uma torre da Universidade do Texas, em Austin. Esse evento foi assunto de uma música de David Bowie anos mais tarde : Running Gun Blues

5 – Os Beatles lançam o clássico Revolver e anunciam o fim das apresentações em público, e passam a se dedicar a trabalho em estúdio.

11 – Em Chicago, John Lennon pede desculpas por dizer que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo.

Setembro

6 – Premier sul-africano é assassinado no Congresso.

13 – É criada a Lei nº 5.107, que cria o Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e outras providências.

Outubro

Os Beach Boys lançam Good Vibrations, que chega a 2 milhões de cópias vendidas.

4 – Morre o compositor, cantor e pintor brasileiro, Heitor dos Prazeres.

8 – A WRKS-FM, com o cultuado Murray the K, de Nova York, é a primeira rádio FM dedicada ao rock a entrar no ar.

15 – É fundado em Oakland, San Francisco, o Partido Pantera Negra.

20 – O presidente do Brasil, Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco fecha o Congresso Nacional.

Novembro

No decorrer do mês, ocorrem conflitos em Sunset Strip, Los Angeles, local sob toque de recolher. Hippies e celebridades liberais enfrentam a polícia.

9 – Morre o escritor, pintor, poeta, ensaísta, crítico de arte e de literatura, sociólogo e tradutor brasileiro Sérgio Milliet.

15 – Morre Walt Disney, que popularizou e revolucionou o desenho animado.

20 – Estréia na Broadway o musical Cabaret.

30 – Barbados torna-se independente.

Dezembro

A Assembléia Geral da ONU estabeleceu o Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos.

7 – O Cruzeiro derrota o Santos e torna-se campeão da Taça Brasil, equivalente ao Campeonato Brasileiro.

1967

A ONU declara 1967 o Ano Internacional do Turismo

O capitão Carlos Lamarca do 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna, ingressa na VPR – Vanguarda Popular Revolucionária.

Carlos Marighela funda o ALN – Ação Libertadora Nacional, grupo armado de combate à ditadura militar no Brasil.

Foi convocada uma “Reunião de Tribos” no Golden Gate Park, onde aconteceria o World’s First Human Be-In, que teve a presença de cerca de 20.000 jovens, cobertos de flores, colares e pulseiras de contas. A partir desse evento que nasceu o Verão do Amor, que começou com Monterey Pop Festival, em junho de 1967.

Artes Visuais

Tropicália, instalação de Hélio Oiticica

A Nova Objetividade Brasileira – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, (MAM/RJ) – Abril 1967 – Uma das prioridades era “a tomada de posição em relação aos problemas políticos, sociais e éticos”.

Participaram da mostra: Hélio Oiticica, Antonio Dias, Lygia Clark, Carlos Vergara, Rubens Gerchman, Lygia Pape, Glauco Rodrigues, Carlos Zilio, Maurício Nogueira Lima, Sérgio Ferro, Waldemar Cordeiro, Flávio Império, Geraldo de Barros, Nelson Leirner, Marcelo Nitsche, Mona Gorovitz, Alberto Aliberti, Ivan Serpa, Sonia Von Brüsky, entre outros.

Cinema

Algumas das principais estréias de 1967:

Bonnie and Clyde, de Arthur Penn. Com Faye Dunaway e Warren Beaty.

2 ou 3 Coisas Que Sei Dela, de Jean-Luc Goddard.

Belle de Jour, de Luís Buñuel. Com Catherine Deneuve e Michel Piccoli.

O Caso dos Irmãos Naves, de Luís Sérgio Person. Com Juca de Oliveira, Anselmo Duarte e Raul Cortez.

A Dança dos Vampiros, de Roman Polanski. Com o próprio, Jack MacGowran e Sharon Tate.

A Primeira Noite de um Homem, de Mike Nichols. Com Anne Bancroft, Dustin Hoffman e Catharine Ross.

Adivinha Quem Vem Para Jantar, de Stanley Kramer. Com Spencer Tracy, Sidney Poitier e Catherina Hepburn.

Play Time, de Jacques Tati.

Terra em Transe, de Gláuber Rocha. Com Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha, Paulo Gracindo, Hugo Carvana e Mário Lago.

Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira. Com Leila Diniz, Paulo José, Joana Fomm, Flávio Migliaccio.

O Estrangeiro, de Luchino Visconti. Com Marcello Mastroiani e Anna Karina.

Jazz

Insterstelar Space, John Coltrane – Sweet Rain, Stan Getz – Nefertiti, Miles Davis -Schizophrenia,Wine Shorter

Rock/Pop

1967 é o ano da Psicodelia e de paroxismos na produção musical. O  Sgt Pepper’s alçou o rock  para novos patamares e ampliação de horizontes através de experimentalismos e de novos conceitos.

Segue uma lista resumida dos principais lançamentos em 1967:

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, The Beatles – The Who Sell Out, The Who – The Piper at the Gates of Dawn, Pink Floyd

Winds of Changes, The Animals – The Doors, The Doors – Surrealistic Pillow, The Jefferson Airplane

Forever Changes, Love – Disraeli Gears, Cream – Their Satanic Majesties Request, The Rolling Stones

The Velvet Underground and Nico, The Velvet Underground – Are You Experienced, Jimi Hendrix – Days of Future Passed, Moody Blues

The Magical Mistery Tour, The Beatles – Beetween The Buttons, The Rolling Stones – More of The Monkees, The Monkees

Younger Than Yesterday, The Byrds – The Marvelettes, The Marvelettes – Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, Frank Sinatra e Tom Jobim

The Temptations Live, The Temptations – Happy Together, The Turtles – Joan, Joan Baez – Brighten the Corner, Ella Fitzgerald

Aretha Arrives, Aretha Franklin – Absolutely Free, The Mothers of Invention – Little Games, The Yardbirds

Moby Grape, Moby Grape – Procol Harum, Procol Harum – Blues is King, B.B. King – Axis: Bold As Love, Jimi Hendrix

Silk and Soul, Nina Simone – Wave, Tom Jobim

Surgem: David Bowie, Genesis, Blue Oyster Cult, Iggy Pop, Sly & The Family Stone, Ten Years After, Creedence Clearwater Revival

No Brasil

Louvação, Gilberto GilTravessia, Milton Nascimento – Em Rítmo de Aventura, Roberto Carlos – Vinícius: Poesia e Canção, Vinícius de Moraes

Sidney Miller, Sidney Miller – Onze Sambas e uma Capoeira, Paulo Vanzolini

Musikantiga, Vol. 1, Musikantiga – Beach Samba, Astrud Gilberto – We and the Sea, Tamba 4

Edu e Bethânia, Maria Bethânia – Vinicius, Vinícius de Moraes

Teatro

O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, estréia no Teatro Oficina, São Paulo, com direção de José Celso Martinez e elenco formado com Renato Borghi, Francisco Martins, Fernando Peixoto, Liana Duval, Ítala Nandi, Etty Fraser, Dirce Migliacci e outros.

Navalha na Carne, peça de Plínio Marcos, censurada em 1967. Levou 13 anos para ser montada na íntegra.

Janeiro

Coração de Papel, de Sérgio Reis, é a Top 1 de 1967 no Brasil

27 – Os astronautas norte-americanos Virgil Grisson, Edward White e Roger Choffe, morrem em incêndio da nave Apollo 1.

30 – Beatles grava vídeo promocional de “Strawberry Fields” em Knole Park, Sevenoaks.

Fevereiro

3 – Jo Meek, produtor musical britânico, se mata com 1 tiro na cabeça.

12 – Keith Richards e Mick Jagger são acusados de posse de drogas.

13 – Beatles lança compacto com “Strawberry Fields” e “Penny Lane”, nos EUA.

- Jefferson Airplane lança o álbum “Surrealistic Pillow”.

14 – Aretha Franklin grava “Respect”.

16 – É declarado o “Aretha Franklin Day”, em Detroit.

18 – Morre o físico norte-americano Robert Oppenheimer.

26 – A cantora Dalida, namorada de Luigi Tengo, tenta o suicídio, mas sobrevive.

Março

6 – Morre em Budapest, Zoltán Kodaly, compositor, etnomusicólogo, educador, linguista e filósofo húngaro.

11 – Os vídeos de “Penny Lane” e “Strawberry Fields” são transmitidos pelo canal de TV especializado em música, American Bandstand.

12 – The Velvet Underground lança o álbum The Velvet Underground and Nico.

13 – É inaugurada a Rede Bandeirantes de Televisão.

15 – Mal. Arthur da Costa e Silva é empossado como novo presidente do Brasil.

- A Republica dos Estados Unidos do Brasil passa a ser “Republica Federativa do Brasil”.

 - Deslizamento de terras causados por chuva intensa em Caraguatatuba, litoral norte de São paulo, deixa mais de 120 mortos e dezenas de desaparecidos. 

25 – The Who faz seu primeiro show nos EUA, em Nova York.

27 – John Lennon e Paul McCartney recebem o prêmio Ivos Novello, por “Michelle”.

30 – Tem início as sessões de fotografias dos Beatles para a capa do álbum “Sgt. Pepper’s”, no Chelsea Manor Studios, Londres.

31 – Jimi Hendrix põe fogo em sua guitarra pela primeira vez.

Abril

14 – A banda australiana Bee Gees estréia com o single New York Mining Disaster 1941.

15 – 400.000 protestam contra a Guerra do Vietnã diante das Nações Unidas, em Nova York.

19 – Morre Konrad Adenauer, o primeiro chanceler da República Federal da Alemanha (RFA).

21 – Golpe de Estado na Grécia depõe o Rei Constantino e implanta ditadura militar que se prolongou até 1974.

24 – Acidente com a nave russa Soyuz – 1 mata seu único tripulante, o cosmonauta Vladimir Komarov.

Maio

1 – Elvis Presley casa-se com Priscilla Presley, em Las Vegas.

2 – Pink Floyd faz seu primeiro concerto no Queen Elizabeth Hall, Londres.

12 – Jimi Hendrix lança seu álbum de estréia Are You Experienced ?, em Londres.

Morning Sun, Edward Hopper

15 – Morre Edward Hopper, pintor norte-americano.

26 – “Rally da Paz” contra a Guerra do Vietnã, em Trafalgar Square, Londres.

30 – O colombiano Gabriel Garcia Márquez lança em Buenos Aires, ARG, seu romance “100 Anos de Solidão”, com grande sucesso de crítica e de vendas.

Junho

1 – É lançado em Londres, Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. É considerado até hoje, a obra que determinou a mudança de paradigmas no universo do rock e do pop.

3 – Conflitos raciais em Boston, EUA.

5 – 10 – Israel derrota coalizão árabe na “Guerra dos 6 Dias”.

15 – Peter Green deixa o Blues Breakers, de John Mayall, para formar o Fleetwood Mac.

16-18 – Acontece o Monterey Pop Festival, em San Francisco, CAL, o 1º mega festival da história, em pleno Verão do Amor. Esperava-se um público de 100.000 pessoas e chegaram 200.000 jovens de todos os cantos.

25 – All You Need Is Love, dos Beatles, é a 1ª transmição mundial de TV via satélite, acompanhados por várias personalidades, como integrantes dos Rolling Stones e The Who.

28 – The Supremes oficializa o novo nome do grupo : Diana Ross and The Supremes, durante show em Las Vegas.

29 – Keith Richards e Mick Jagger são presos por porte de drogas, em Londres.

Julho

15 – É criada a OMPI – Organização Mundial de Propriedade Intelectual.

16 – Manifestação pela Legalização da Maconha no Hyde Park, Londres.

17 – Morre John Coltrane, o maior sax tenor do jazz.

18 – O ex-presidente Humberto Castello Branco morre em colisão aérea,  no Estado do Ceará.

23 – 7 (ago) – Conflitos raciais em Detroit, EUA.

- Começam os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, Canadá.

27 – Homossexualismo é legalizado na Inglaterra.

30 – Estréia de “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade e direção de José Celso Martinez, no Teatro Oficina, São Paulo.

Agosto

6 – Agentes da CIA são presos em Cuba (segundo o governo cubano).

- Fim dos Jogos Pan-Americanos do Canadá.

 Olympia, 1948, René Magritte

15 – Morre em Bruxelas o pintor surrealista René Magritte.

27 – Morre Brian Epstein, empresário dos Beatles, por overdose acidental, em Londres.

Setembro

11 – A sonda Surveyor 5 envia do espaço resultados das análises químicas realizadas no solo da Lua.

17 – The Doors, banda de Jim Morrison, se apresenta no Ed Sullivan Show.

19 – Bee Gees lança a canção que se tornou seu maior sucesso: Massachusetts, e alcança Top 1 em 15 países.

27 – Entra em vigor o Decreto-Lei nº 898, de uma nova Lei de Segurança Nacional, o AI-15.

30 – Estréia de “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade, no Teatro Oficina, direção de José Celso Martinez.

Outubro

Acontece o III Festival de MPB, da TV Record. A música vencedora é Ponteio, de Edu Lobo e Capinan. Em 2º lugar ficou Domingo no Parque, de Gilberto Gil, com Gil e Os Mutantes. Em 3º ficou Roda Viva, de Chico Buarque, com Chico e MPB 4. Em 4º, Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, com Caetano e Beat Boys (banda de rock argentina). O prêmio de Melhor Intérprete ficou para Elis Regina, por O Cantador, de Dori Caymmi e Nelson Motta.

6 – Acontece a cerimônia “A Morte do Hippie”, Haight-Ashbury, San Francisco.

9 – Morre o escritor francês André Maurois.

21 – O escritor Norman Mailer é preso em protesto anti-Guerra do Vietnã, em frente ao Pentágono.

Novembro

Fundação dos “Yippies” (Youth International Party – Partido Jovem Internacional).

Dezembro

3 – É realizado o 1º transplante de coração da história, pelo Dr. Christian Barnard, no Hospital Groote Schuur, Cidade do Cabo, Africa do Sul.

5 – A loja Apple Shop, dos Beatles, é inaugurada em Londres.

8 – Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones, é lançado na Inglaterra.

10 – Morre Otis Redding em desastre aéreo.

26 – Estréia do filme “The Magical Mistery Tour”, dos Beatles, na TV inglesa.

31 – Morre Bert Berns, autor de “Twist and Shout, aos 38 anos, vítima de ataque cardíaco.

1968

Ano Internacional dos Direitos Humanos, decretado pela ONU

Na Conferência sobre Educação realizada no College of Education, Leichester, Grã Bretanha, recomendou-se fundar a Society for Environmental Education – SEE (Sociedade para a Educação Ambiental).

A delegação da Suécia na ONU chamou a atenção da comunidade internacional para a crescente crise do ambiente humano, sendo a primeira observação oficial da necessidade de uma abordagem global para a busca de soluções contra o agravamento dos problemas ambientais.

Artes Visuais

O Porco Empalhado, 1966, Nelson Leirner

1968 foi o ano mais revolucinário de uma década revolucionária. Os happenings e os grafitis nos muros (maio 68, Paris) ganham força em 1968 e criam nova relação com o espaço, independente do poder econômico e político. Rotatividade de signos. Ações provocativas e anti-estéticas. Significado é mais que Forma. Arte Conceitual. Resistir políticamente significava trazer o artista para uma postura de ativista em busca de novas respostas e posições estéticas. Exemplo disso é a “Nova Objetividade Brasileira”, de 1967, um chamado para “tomada de novas posições em relação a aos problemas políticos, sociais e éticos”. As pixações de Maio 68 e obras de artistas como Nelson Leirner, Lygia Pape, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Rubens Gerchman, o Grupo Rex e muitos outros, ilustram o panorama nesse tempo.

O arquiteto norte-americano Buckminster Fuller, criador das geodésicas, recebe medalha de ouro do RIBA – Royal Institute of British Arquitects.

O Museu de Arte Moderna de Nova York, o MOMA, recebe exposição Dadaísta/Surrealista.

Andy Warhol faz sua primeira exposição em Londres. Em Nova York, é baleado pela feminista radical Valerie Solanas.

Cinema

Algumas das principais estréias de 1968

A seguir, 4 exemplos do novo cinema inglês

if – de Lindsay Anderson

How I Won the War – de Richard Lester

Wonderwall - de Joe Massot

e a animação Yellow Submarine - de George Duning e Dennis Abbey

Alguns clássicos:

Teorema - de Pier Paulo Pasolini

O Bebê de Rosemary - de Roman Polanski

Z – de Costa Gravas

Barbarella – de Roger Vadin

No Brasil o Cinema Marginal (1968-1973) questiona o modelo de se fazer cinema na época, calcado no Cinema Novo, que segundo Rogério Sganzerla, era europeizado, de difícil entendimento para o público brasileiro.

A seguir, 3 exemplos de filmes Marginais:

O Bandido da Luz Vermelhade Rogério Sganzerla

Jardim de Guerra – de Neville de Almeida

Hitler no 3º Mundo – de José Agripino de Paulo

Teatro

O musical triballove-rock Hair é a sensação do ano em Londres. Em 26 de setembro a censura é abolida na Inglaterra e no dia 27 o elenco se apresenta nu no palco.

No Brasil, 1968 foi um ano muito difícil para o teatro. Os Teatros Gil Vicente, em Porto Alegre, e o Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, sofrem atentados à bomba. Artistas são espancados: em julho, o teatro onde se encenava Roda Viva, de Chico Buarque, é invadido e depredado, e o elenco espancado e humilhado. Em setembro, ocorre o mesmo com a mesma peça em Porto Alegre. Norma Bengell é sequestrada em São Paulo, espancada e solta no Rio de Janeiro. Cacilda Becker é demitida da TV Bandeirantes por pressão dos órgãos de segurança. O Teatro Oficina chegou a colocar uma grade de madeira que era baixada no fim dos espetáculos,  para proteger os atores, embora fizesse parte da cenografia.

A peça Navalha na Carne, de Plínio Marcos, censurada em 1967, foi levada no Teatro Maison de France, no Rio de Janeiro.

Literatura

Carlos Drummond de Andrade publica Boitempo e a Falta que Ama

Augusto de Campos publica Balanço da Bossa (com Brasil Rocha Brito, Julio Medaglia e Gilberto Mendes). Tem versão ampliada em 1973, Balanço da Bossa e Outras Bossas.

Gore Vidal lança Myra Breckinridge

Carlos Castañeda publica Os Ensinamentos de Don Juan

Yasunari Kawabata é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

Morre John Steimbeck, autor de As Vinhas da Ira

Morre Manuel Bandeira, poeta brasileiro

Jazz

Duke Ellington faz o Second Sacred Concert

Miles Davis lança Miles in The Sky

Bill Evans lança Live At Montreux

Herbie Hancock lança Speak Lika A Child

Chick Corea lança Now He Sings, Now He Sobs

Rock/Pop

Na minha modesta opinião, o evento cultural mais importante de 1968 no Brasil foi o lançamento do álbum manifesto-movimentoTropicália ou Panis et Circensis“, capitaneado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé, Capinan, Nara Leão, Os Mutantes, e arranjos de Rogério Duprat. Esse álbum é considerado o Top 1 entre os “11 Grandes Álbuns da Música Brasileira Segundo a Crítica” (veja a lista completa aqui), em enquete da Folha de São Paulo (13.01.05) em votação dos críticos músicais.

Em entrevista à Ana de Oliveira (leia a entrevista completa neste link) em seu projeto Tropicália, Gilberto Gil conta que ficou um mês em Recife e conheceu as cirandas e a Banda de Pífanos de Caruaru, e que ouvia o Sgt Pepper’s, dos Beatles. Aquela experiência em Pernambuco o inspirou de várias maneiras, com muitas idéias rolando em sua cabeça. Aqui, alguns trechos da entrevista:

Ana : “O que o inspirou então foi Pernambuco e Beatles”

Gil: “No meu caso foram as duas coisas básicas”…Falou com “Caetano Veloso, Torquato Neto, Capinan, Rogério Duarte sobre estimular no Brasil uma busca mais arrojada e também mais polêmica”…”Pensei em convocar uma assembléia de artistas”…” Foram convidadas as pessoas que estavam no Rio, Chico Buarque, Edu Lobo, Sidney Miller, Sérgio Ricardo, Paulinho da Viola. Só os mais próximos se entusiasmaram: Caetano, Torquato, Capinan. Os restantes reticenciaram ou por razões político-ideológicas ou estéticas”…”Diziam que a gente era tutelado pela cultura americana e pela cultura de massa”…”A maioria até tinha aproximações com o jazz e outras formas internacionais, sobretudo americanas. Mas tinham muita dificuldade em se aproximar do rock, que era então o que mais tocava”… etc.

Em 1968 é o ano do surgimento das bandas pioneiras do heavy metal: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple.

Principais lançamentos em 1968:

The Beatles (o Album Branco) The Beatles; Beggar’s Banquet The Rolling Stones; Traffic Traffic; Waiting For The Sun The Doors;

Wheels Of Fire Cream; Bare Wires John Mayall; The Hangman’s Beautiful Daugthter The Incredible String Band; John Wesley Harding Bob Dylan; Music from Big Pink The Band; Odissey & Oracle The Zombies; We’re Only In It For The Money The Mothers of Invention;

Fleetwood Mac Fleetwood Mac; A Sourceful of Secrets Pink Floyd; History of Otis Redding Otis Redding; The Kinks Are The Village Green Preservation Society The Kinks; Eletric Ladyland Jimi Hendrix; Cheap Thrills,Big Brothers and The Holding Company (com Janis Joplin e capa de Robert Crumb);

The Songs Of Leonard Cohen Leonard Cohen; John Cash At The Folsom Prison John Cash; The Notorious Byrds Brothers The Byrds; In-A- Gada-Da-Vida Iron Butterfly; S.F. Sorrow The Pretty Things; Boogie Canned Heat; This Was Jethro Tull; Truth Jeff Beck.

No Brasil:

Elis Regina, acompanhada do Bossa Jazz Trio

Elis Regina é a primeira artista a se apresentar por duas vezes no mesmo ano no Olympia, templo da música em Paris, França.

Tropicália ou Panis et Circensis Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Capinan, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé, Os Mutantes;

Caetano Veloso Caetano Veloso

Tom Zé Tom Zé

Os Mutantes Os Mutantes

Janeiro

Hey Judedos Beatles, é a Top 1 de 1968 no Brasil. E também no mundo.

Caetano Veloso lança seu primeiro ábum solo, Caetano Veloso.

The Beatles inaugura a Apple Corps. É um conglomerado de divisões que abrangia inicialmente, boutique, fundação artística, estúdio, gravadora, divisão eletrônica e editora.

Muhammad Ali confronta o governo americano, recusa-se a fazer alistamento militar e perde o Cinturão Mundial.

5 – Alexander Dubcek assume o poder na Tchecoslováquia e inicia movimento reformista, a Primavera de Praga.

15 – Terremoto de 6.8 graus na escala Richter atinge a Sicília, Itália. 230 são mortos.

21 – Bombardeiro B-52 dos EUA cai na Groenlândia com 4 bombas atômicas.

31 – Os Vietcongs lançam a Ofensiva Tet e invadem a Embaixada dos Estados Unidos.

- As Ilhas Nauru proclamam sua independência.

Fevereiro

Continua Ofensiva Tet. Imagens de TV levam aos lares norte-americanos a violência e atrocidades da guerra.

Robert Crumb, na Califórnia, cria a primeira revista de quadrinhos alternativa (leia-se underground) do mundo, a Zap Comix.

Sid Barred deixa o Pink Floyd.

18 – Grande manifestação estudantil na Alemanha contra a Guerra do Vietnã, liderada por Rudi Dutschke.

Março

8 – 12 – Conflitos anti-comunismo na Polônia.

12 – Declarada a independência das Ilhas Maurício.

16 – Exécito dos EUA executam 504 civis vietnamitas no episódio que ficou conhecido como o Massacre de My Lai.

- Robert Kennedy entra na disputa pela presidência dos EUA pelo Partido Democrata.

17 – Protesto anti-Guerra do Vietnã transforma-se em batalha contra a polícia diante da Embaixada Americana, em Grosvenor Square, Londres.

22 – Estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit ocupam a torre administrativa da Universidade de Nanterre e criam o “Movimento 22 de Março”, precursor das revoltas que se espalhou pela França e Europa.

27 – Morre em acidente com ultra-leve o cosmonauta russo Yuri Gágarin, o primeiro homem a ir ao espaço.

28 – O estudante Edson Luís é morto por PMs na invasão ao Restaurante Calabouço, no centro do Rio.

Abril

Um grupo de 30 especialistas de várias áreas (economistas, industriais, pedagogos, humanistas, etc.), liderados pelo industrial Arillio Peccei, passou a se reunir em Roma para discutir a crise atual e futura da humanidade. Assim se formou o Clube de Roma.

By Antony Pridle

4 – O ativista dos direitos humanos e Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King Jr. é assassinado em Memphis.

- Morre em São Paulo, o jornalista, empresário e fundador da TV Tupi, Assis Chateaubriand, aos 75 anos.

6 – É lançado nos cinemas 2001: A Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick.

7 – Jim Clark, piloto de F1, morre após acidente no GP da Alemanha, circuito de Hokkenheim.

- Bobby Hutton, “ministro da Defesa” dos Panteras Negras (Black Panther Party) é assassinado.

11 – Comunidades negras dos EUA se rebelam depois do funeral de Martin Luther.

- O presidente Lyndon Johnson assina a Lei dos Direitos Civis.

12 – O capitão Charles Chandler, do exército dos EUA, é morto por guerrilheiros em São Paulo.

17 – É decretado pelo governo Costa e Silva que 68 municípios passam a ser área de segurança nacional e têm eleições municipais proibidas.

20 – Pierre Elliott Trudeau torna-se Primeiro-Ministro do Canadá.

21 – Estudantes franceses ocupam o campus de Nanterre.

23-30 – Mobilização e ocupação estudantil na Universidade Columbia, Nova York.

30 – Polícia invade campus da Universidade Columbia e evacua estudantes com violência incomum.

Maio

É lançado o Álbum-manifesto “Tropicália ou Panis et Circensis”.

1 – No Dia do Trabalho, o governador de São Paulo, Abreu Sodré, é apedrejado por trabalhadores na Praça da Sé, contra a ditadura militar.

2 – Manifestações estudantis acontecem em Paris contra o “Status-Quo” das universidades.

3 – A polícia abandona a Universidade Columbia, Nova York.

3 a 7 – Rebelião de estudantes franceses. Sorbonne é fechada. A UNEF (Union Nacionale des Étudiants de France) organiza passeatas que são reprimidas com violência pela polícia. No Quartier Latin, Paris, confrontos ferem mais de mil pessoas.

5 – Estudantes enfrentam a polícia na tentativa de ocupar a Sorbonne. 487 feridos.

9 – Forças soviéticas chegam às fronteiras da Checoslováquia.

10 – Polícia invade o campus de Nanterre. Em Paris, cerca de 20.000 estudantes enfrentam a polícia pelas ruas e nas universidades. Esse evento tornou-se conhecido como a “Noite das Barricadas“. Os trabalhadores apoiam a causa estudantil e os sindicatos decidem por greve geral.

14 – John Lennon e Paul McCartney anunciam em Nova York o novo conceito de empreendimentos: a Apple corps.

21 – Operários franceses convocam greve geral em apoio aos estudantes.

22 – O submarino nuclear norte-americano Scorpion afunda no Oceano Atlântico, próximo aos Açores. 99 tripulantes são mortos.

26 – É realizado em São Paulo pelo Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, o primeiro transplante de coração no Brasil.

30 – De Gaulle anuncia fortes medidas contra distúrbios. Dissolve a Assembleia Nacional e convoca eleições para o mês de junho.

- Na França, o Partido Comunista retira o apoio às manifestações. Os sindicatos negociam o fim das greves.

Junho

3 – Andy Warhol é baleado pela feminista radical Valerie Solanas em Nova York.

By Antony Pridle

5 – Robert Kennedy é assassinado a tiros no Hotel Ambassador, em Los Angeles, CAL.

11 – O telhado do Olympic Studios pega fogo durante a gravação de “Sympathy For The Devil”, dos Rolling Stones.

15 – Morre nos EUA, Wes Montgomery, guitarrista de jazz.

21 – Passeata de estudantes contra a ditadura no Rio de Janeiro, acaba com forte repressão policial. 90 são feridos.

26 – O soldado do 4º RI, Mário Kozel Filho, é morto em atentado contra o QG do II Exército, no Ibirapuera, São Paulo.

30 – Eleições francesas são realizadas no meio de novos conflitos. Gaulistas retornam com vitória esmagadora.

Julho

Barricadas em Berkeley, CAL, e aliança entre o ativismo negro (Black Panthers) e o estudantil (SNCC-Comitê Não-Violento de Coordenação dos Estudantes)

1 – É assinado o Acordo de Não-Proliferação Nuclear com adesão de 137 países.

- John Lennon inaugura a exposição “You Are Here”, na Robert Fraser Gallery, Londres.

13 – A baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil, é eleita Miss Universo 1968, em Miami, EUA.

17 – Golpe de Estado no Iraque. Saddam Hussein toma o poder.

- O CCC (Comando de Caça aos Comunistas) invade o Teatro Galpão, em São Paulo, espera que o público se retire, e espanca o elenco e destrói o cenário de “Roda Viva”, de Chico Buarque.

19 – A CNBB condena a falta de liberdade de expressão no Brasil.

22 – A sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) no Rio de Janeiro sofre atentado a bomba.

Agosto

12 – Conflitos raciais em Watts, Los Angeles.

21 – 23 – Forças do Pacto de Varsóvia, lideradas pela União Soviética, invadem a Checoslováquia e impõem retorno ao totalitarismo. É o fim da “Primavera de Praga”.

23 – Morre em São Paulo aos 73 anos, o cantor e compositor (“Coração de Mãe”), Vicente Celestino.

26-29 – A Convenção Democrata de Chicago se torna o que ficou conhecido como o “Massacre de Chicago”. Milhares de jovens de todo o país se reúnem para protestar contra a Guerra do Vietnã e a TV mostra as cenas ao vivo enquanto a polícia espancava os estudantes que gritavam: “O mundo inteiro está assistindo”.

29 – Líder estudantil da UNB, Honestino Guimarães, é preso dentro da universidade, após invasão de PMs e Polícia Federal, em Brasília.

30 – A marca da Apple aparece pela primeira vez em disco. É lançado o compacto de Hey Jude e Revolution. No lado A aparece uma banda da maçã, e no lado B o lado cortado da banda de maçã. O logo foi criado pelo designer Gene Mahor e foi inspirado na obra adquirida por Paul: “Le Jeu de Mourre”, de René Magritte. Por pouco o pintor surrealista não viu a homenagem, pois havia falecido há apenas 1 ano antes, em 15 de agosto de 1967.

Setembro

2 – O deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, pronuncia discurso anti ditadura e governo militar no Congresso, e critica a proposta do AI-5.

11 – É lançada a 1ª edição da Revista Veja.

26 – Abolida a censura ao teatro na Inglaterra.

27 – O elenco do musical Hair aparece nu no palco em Londres.

- A Reforma Universitária é aprovada pelo governo federal.

Outubro

1 – O capitão Sérgio Miranda acusa a FAB de plano para eliminar oposicionistas.

2 – A Rua Maria Antonia torna-se palco de batalha campal entre estudantes de Ciências e Filosofia da USP e do Mackenzie. A Polícia Militar intervem. O estudante José Guimarães é morto. Dezenas ficam feridos. A Faculdade de Filosofia da USP é fechada.

- Resposta policial contra manifestantes mata mais de 200 pessoas, evento que ficou conhecido como “Massacre de Tlatelolco”, Cidade do México.

- Morre na França o artista surrealista e dadaísta Marcel Duchamp, criador dos Ready-Made.

3 – Golpe militar no Peru. O nacionalista Gal. Velasco Alvarado toma a presidência.

8 – A atriz Norma Bengell (Passeata dos 100 mil, pelo fim da ditadura, em 26.06.1968  Tonia Carrero, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell e Ruth Escobar) é sequestrada e espancada por policiais em São Paulo e solta no Rio de Janeiro.

13 – Morre o poeta Manuel Bandeira.

14 – Reunião clandestina da UNE em Ibiúna, SP, acaba com prisão de 1,2 mil estudantes.

20 – Jimmy Page, guitarrista da banda londrina The Yardbirds, em função de cumprimento de contratos assumidos pelo Yardbirds já em dissolução, monta uma nova banda, Led Zeppelin, a mais nova super-banda.

- A ex primeira dama dos EUA, Jacqueline Kennedy, casa-se com o armador grego Aristóteles Onassis.

24 – Dom Hélder Câmara tem sua casa metralhada no Recife.

28 – Milhares protestam em Praga contra ocupação soviética.

Novembro

1 – O presidente Johnson ordena  cessar o bombardeio no Vietnã do Norte.

- É lançado em Londres “Wonderwall”, filme produzido por George Harrison com trilha sonora de sua autoria.

5 – Richard Nixon é eleito presidente dos EUA.

7 – Conflitos anti-soviéticos na Universidade de Praga contra a ocupação soviética.

- É inaugurada a nova sede do MASP – Museu de Arte São Paulo, na avenida Paulista, com projeto de Lina Bo Bardi.

22 – É lançado em Londres o The Beatles, o Álbum Branco, dos Beatles. Capa inteiramente branca com o nome da banda também em branco e grafado em relevo e número de série, para dar de idéia de “edição limitada de nº 5.000. 000″, brincou Hamilton. Mas com um poster interno bem colorido, cheio de imagens e informações. Duplo, tornou-se o álbum mais vendido e o mais cultuado da banda. Ganhou por 19 vezes o  “Disco de Platina”. O projeto gráfico da capa é do artista pop inglês, Richard Hamilton, considerado o precursor da Pop Art, indicação do galerista londrino Robert Fraser, amigo dos Beatles.

- É criado o Conselho Superior de Censura.

26 – Cream (Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce) faz sua última apresentação, o Cream’s Farewell Concert, no Albert Hall, Londres.

Dezembro

1 – A Rainha Elizabeth II inicia visita oficial de 12 dias ao Brasil.

10-11 – Os Rolling Stones filmam Rock and Roll Circus, produção para a TV, em Wembley, Londres, só mostrado recentemente.

13 – A Câmara dos Deputados rejeita o pedido de autorização para processar o deputado Márcio Moreira Alves, do MDB carioca.

- O presidente Costa e Silva sanciona o AI-5 e fecha o Congresso Nacional.

- Os 82 tripulantes do Puebla, navio-inteligência norte-americano, são libertados pela Coréia do Norte.

23 – Carlos Lacerda, ex governador do Rio de Janeiro, é preso e tem seus direitos políticos cassados por 10 anos.

24 – Os astronautas da Missão Apollo 8, da NASA, Frank Borman, William Anders e Jim Lovell circunavegam a Lua e enviam imagens do solo Lunar. Presentinho por um ano tão conturbado e levados ao Rio de Janeiro.

27 – Caetano Veloso e Gilberto Gil são presos em São Paulo, sob o pretexto de desrespeito ao Hino e à Bandeira nacionais.

1969

Fim da década, e também o fim das utopias. Dois grandes acontecimentos podem representar esse tempo: O Festival de Woodstock e a Missão Apollo 11 e o 1º homem a pisar na Lua, Neil Armstrong. Embora genial, a década teve também no final um sabor de fim de festa, muita ressaca e bad trip.

Malucos psicopatas como Charles Manson e sua Família Manson, serial-killers que cometeram crimes horrendos, como no caso Tate-La Bianca;  a eleição de Richard Nixon, que ampliou o conflito no Vietnã; o excesso da violência policial em todo o mundo durante as manifestações estudantis; o fim da Primavera de Praga; os assassinatos políticos; o uso excessivo de drogas, que levariam muitos jovens e artistas de importância cultural imensa à morte ou à alienação temporária ou não – Brian Wilson, que demorou um tempão para se recuperar; Sid Barrett; Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison (já no início da década de 70, mas era o rastro dos 60 ainda); a ditadura no Brasil; os excessos do regime militar; repressão, censura e o fim dos direitos políticos e civis; o exílio de Caetano e Gil, em Londres e de Chico Buarque em Roma; o malfadado Altamont Free Concert, dos Rolling Stones.

Nos EUA, os hippies voltaram aos campos, em busca de menos exposição turística que acontecia em San Francisco, CAL. Os Beatles chegavam ao fim (leia mais aqui). O sonho acabou. A última canção do último álbum dos Beatles é “And in the end, the love you take is equal to the love you make”. E o bilhete deixado por Jimi Hendrix, encontrado pouco tempo depois de sua morte, diz: “a história da vida é mais breve que um piscar de olhos/a história do amor é um alô e um tchau”.

Eventos como os festivais – Monterey, Woodstock - que tiveram o poder de mobilização, assim como as passeatas pelos direitos civis e contra a Guerra do Vietnã, e contra a ditadura no Brasil, os movimentos estudantis, a Nova Esquerda, a Contracultura, chegou a um ponto de paroxismo. O sistema, o stablisment, contra-atacou não apenas em forma de repressão violenta contra estudantes e militancias, mas também ‘aprendeu’ a produzir ‘produtos’, porém sem alma. Mastigou, engoliu, deglutiu tudo isso e transformou em produtos massificados, sob uma embalagem anti tudo aquilo que foi palavra de ordem nos 60. Ou tudo já foi feito em forma de

semeadura.  A economia forte na Europa e EUA, os Beatnicks, Hippies, Yippies (Youth International Party), são parte desse processo. E o rock o combustível, a veia de comunicação. E os artistas, os rock-stars foram os shamãs desse tempo. É uma discussão difícil. Mas esse período de transição foi excessivo porque a ação renovadora confronta naturalmente o conservadorismo. E a reação conservadora foi extremamente violenta. Foi uma década de confrontos, uma revolução mundial. E os jovens passaram a ter voz.

No Brasil, O Pasquim nas bancas. O genial tablóide semanal carioca criado por Millôr Fernandes, Jaguar, Paulo Francis, Ziraldo,

Fradim, personagem do Henfil

Henfil, Ivan Lessa e colaboradores brilhantes, como Caetano Veloso, de Londres, Leila Diniz, Chico Buarque, etc. Humor cáustico, irreverente, crítica mordaz, textos e entrevistas brilhantes e ainda os personagens desenhados por Henfil e Jaguar.

E logo, logo, os Novos Baianos dariam o ar da graça no cenário assim como o Clube da Esquina.

John Lennon vai morar nos EUA e se junta à Nova Esquerda. Faz shows gratuitos nas universidades por todos os EUA, contra a política de Nixon na Guerra do Vietnã. Como já escrevi no comecinho deste blog, para mim os anos 60, diferentemente do tempo cronológico, terminam em 1972/73.

Missão Apollo 11, Neil Armstrong é o primeiro homem a pisar na Lua

Na BBC de Londres, no Reith Lectures, apresentado por Sir Frank Fraser Darling (ecologista), o meio ambiente se tornou um tópico debatido em shows, pronunciado por estrelas famosas do mundo artístico. Nos EUA, Paul Ehrlich, popularizava o termo “ecologia” como a palavra-chave nos debates sobre o meio ambiente.

É lançado nos EUA o número 1 do Journal of EE (Jornal da Educação Ambiental).

A ONU e a União Internacional pela Preservação da Natureza definiam o termo “preservação” como “o uso racional do meio ambiente a fim de alcançar a mais elevada qualidade de vida para a humanidade”. O termo fora usado, inicialmente, para designar os “guardiões” das leis promulgadas na Idade Média para proteger o Rio Tâmisa, Londres (1720) (In: Dictionary of the History of Ideas, I, 471 p.)

Literatura

Samuel Beckett leva o Prêmio Nobel de Literatura

Carlos Drummond de Andrade publica “Reunião” (10 livros de poesia)

Jorge Amado publica o romance “A Tenda dos Milagres”, traduzido para 11 países

É lançado no Brasil o romance-ficção “O Poderoso Chefão”, de Mario Puzo

O escritor argentino Manuel Puig publica o romance “Boquinhas Pintadas”

Clarice Lispector publica “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, seu 6º romance

Oriana Fallaci, escritora e jornalista italiana, publica “Nada e Assim Seja”, um diário de guerra sobre a Guerra do Vietnã

Cinema

Principais estréias

2001, Uma Odisséia no Espaço, Stanley Kubrick

O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Gláuber Rocha

O Restaurante de Alice, Arthur Penn

Era Uma Vez No Oeste, Sergio Leone

O Conformista, Bernardo Bertolucci

Easy Rider, Dennis Hopper

La Femme Infidele, Claude Chabrol

Satyricon, Federico Fellini

Queimada, Gillo Pontecorvo

Topázio, Alfred Hitchcock

Zabriskie Point, Michelangelo Antonioni

Meteorango Kid – O Herói Intergalático, de André Luiz de Oliveira. Cult do Cinema Marginal, foi embargado pela censura militar.

Teatro

No dia 6 de maio Cacilda Becker sofreu um AVC durante intervalo da peça Esperando Godot, em São Paulo, em que contracenava com Walmor Chagas, seu marido. Levada ao hospital, permaneceu em coma por 38 dias. Faleceu em 14 de junho. Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “Atriz”, em sua homenagem : “Era uma pessoa e era um teatro”.

Hair estréia em São Paulo. A proeza foi de Adhemar Guerra, que teve a coragem de trazer essa peça para o Brasil, uma vez que estávamos em pleno AI-5, um recrudescimento da censura e da repressão.

Artes Visuais

Ondas Paradas de Probabilidades, Mira Schendel, X Bienal de São Paulo, 1969

A partir do AI-5, houve um recrudescimento em relação aos abusos do poder, cerceamento de direitos, tortura e censura. Dessa forma, 1969 tornou-se um ano crítico do lado de baixo do (da linha) Equador. Dessa forma, a 10ª Bienal, o maior evento artístico da América Latina, ficou conhecida como a “Bienal do Boicote”. Em protesto contra o regime, muitos artistas, nacionais e estrangeiros, deixaram de expor suas obras. Segundo o livro “Bienal 50 Anos”, de Agnaldo Farias, …”Carlos Vergara, Rubens Gerchman, Burle Marx, Sérgio Camargo e Hélio Oiticica”, recusaram-se a participar. “Artistas estrangeiros dos EUA, México, Holanda, Suécia, Argentina e França juntaram-se ao protesto”.

Gravura de Oswaldo Goeldi

Obra de Ismael Nery

Os principais destaques nacionais ficaram com Ismael Nery e Oswaldo Goeldi (Salas Especiais), e Mira Schendel (instalação).

Jazz

In A Silent Way, Miles Davis

People in Sorrour, Art Ensemble of Chicago

African Piano, Dollar Brand

Extrapolation, John McLaughlin

Rock/Pop

Led Zeppelin, Led Zeppelin

Led Zeppelin II, Led Zeppelin

Abbey Road, The Beatles

Bayou Country, Credence Clearwater Revival

Tommy, The Who

Let it Bleed, The Rolling Stones

Nashville Skyline, Bob Dylan

Stand Up, Jethro Tull

CSN, Crosby, Stills & Nash

Ummagumma, Pink Floyd

Thinking of Woody Guthrie, Country Joe & The Fish

The Howlin’ Wolf Album, Howlin’ Wolf

Empty Sky, Elton John

Everybody Knows This is Nowhere, Neil Young & Crazy Horse

The Velvet Underground, Velvet Underground

The Band, The Band

Kick Out of Jams, MC5

Cloud Nine, The Temptations

Chicago Transit Authority, CTA

Elephant Mountain, The Youngbloods

In The Court of The Crimson King, King Crimson

The Stooges, The Stooges

Hot Rats, Frank Zappa

Brasil:

Caetano Veloso, Caetano Veloso (álbum branco)

Mutantes, Mutantes

Roberto Carlos, Roberto Carlos

Alegria, Alegria, Vol. 4 ou Homenagem à Graça, à Beleza, ao Charme e ao Veneno da Mulher Brasileira, Wilson Simonal

Top Hits da MPB em 1969

Ando Meio Desligado, Mutantes

Aquele Abraço, Gilberto Gil

Atrás do Trio Elétrico, Caetano Veloso

Cadê Tereza, Jorge Benjor

País Tropical (Jorge Benjor), Wilson Simonal

Iaiá do Cais Dourado (Martinho da Vila), Martinho da Vila

Hoje (Taiguara), Taiguara

Irene, Caetano Veloso

Não Vou Ficar, Tim Maia

Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), Evinha

Que Maravilha, Jorge Benjor e Toquinho

Que Pena, Jorge Benjor

Sentado à Beira do Caminho, Erasmo Carlos

Sua Estupidez, Roberto Carlos

Janeiro

As Curvas da Estrada de Santos, de Roberto Carlos é a Top 1 no Brasil em 1969.

5 – É lançado o álbum Bayou Country, do Credence Clearwater Revival.

12 – É lançado o álbum Led Zeppelin, do Led Zeppelin, a nova grande sensação.

19 – O estudante Jan Palach se auto-imola em Praga, em protesto contra a ocupação soviética.

21 – Jan Palach morre.

26 – Estudantes protestam pela morte de Jan Palach na praça Wencesla, Praga.

30 – The Beatles fazem sua última performance pública, no telhado da Apple. A apresentação foi interrompida pela polícia.

Fevereiro

Gilberto Gil e Caetano Veloso são libertados em plena 4ª feira de Cinzas e seguem para Salvador.

Lançado o álbum Mutantes, Mutantes.

Lançado o álbum Ball, Iron Butterfly.

Lançado o álbum Bless Its Pointed Little Head, Jefferson Airplane.

3 – Yasser Arafat torna-se lider da OLP – Organização para Libertação da Palestina.

9 – O Boeing 747 faz seu primeiro vôo comercial.

Março

É fundada a SEE – Society for Environment Education (Sociedade para a Educação Ambiental).

Tropas soviéticas e chinesas têm confrontos nas fronteiras.

Lançado o álbum Goodbye, Cream.

2 – O Concorde efetua seu primeiro vôo de teste.

5 – É lançado o álbum Dr. Byrds & Mr. Hyde, The Byrds.

10 – James Earl Ray é condenado a 99 anos pelo assassinato de Martin Luther King Jr.

12 – Paul McCartney casa-se com a fotógrafa Linda Eastman, em Londres.

20 – É criada a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

- É lançado o álbum Aoxomoxoa, Grateful Dead.

30 – Morre no Rio de Janeiro o cantor e compositor Ataulfo Alves.

Abril

6 – É inaugurado o Estádio Beira-Rio, do Internacional de Porto Alegre.

7 – É criada a ArpaNet, o embrião da Internet.

9 – É lançado o álbum Nashville Skyline, Bob Dylan.

Daniel Cohn-Bendit em maio 68

19 – Daniel Cohn-Bendit é deportado da França para a Alemanha.

23 – É lançado o álbum With A Little Help From My Friends, Joe Cocker.

24 – Maior protesto anti-Guerra do Vietnã em Nova York.

Maio

3 – Jimi Hendrix é preso em Toronto por posse de heroína.

- É lançado o álbum Stand ! Sly and The Family Stone.

9 – É lançado o álbum Unfinished Music nº 2: Life With The Lions, John Lennon.

- É lançado o álbum Eletronic Sounds, George Harrison.

12 – É lançado After The Rain, Muddy Waters.

18 – 26 – Missão Apollo 10 orbita a Lua.

23 – É lançado o álbum da ópera-rock Tommy, The Who.

29 – É lançado o álbum Crosby, Still & Nash, Crosby, Still & Nash.

Junho

3 – É lançado o álbum Empty Sky, o primeiro de Elton John.

14 – Morre Cacilda Becker, a grande diva do teatro brasileiro.

15 – George Pompidou é eleito Presidente da França.

- Fundação da TV Cultura.

20 – É lançado o álbum póstumo Love Man, Otis Redding.

26 – O Pasquim, tablóide semanal do Rio de Janeiro, tem sua primeira edição publicada e lançada nas bancas do país.

Julho

1 – É fundada por torcedores corintianos a “Gaviões da Fiel”.

Brian Jones com Jimi Hendrix, no Monterey Pop Festival

2 – Brian Jones, fundador dos Rolling Stones, morre afogado em sua piscina. Há suspeitas de assassinato.

5 – The Rolling Stones reúnem 250.000 pessoas em concerto-tributo para Brian Jones, no Hyde Park, Londres. As borboletas brancas trazidas para serem lançadas em homenagem a Brian, caíram mortas depois de lançadas.

8 – É lançado o álbum Hallelujah, Canned Heat.

18 – Mary Jo Kopechne fica presa pelas ferragens e morre afogada em acidente de carro com o Senador Edward Kennedy, ao cairem da Ponte Chapaquiddick. Kennedy declarou-se culpado por ter abandonado o local do acidente e foi condenado a 1 ano de prisão domiciliar.

20 – A Missão Apollo 11 pousa na Lua e os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin pisam no solo lunar. O 3º astronauta, Michael Collins, permanece em órbita no Módulo de Comando.

20-21 – Caetano Veloso e Gilberto Gil fazem show de despedida no Teatro Castro Alves, em Salvador, antes de seguirem para o exílio em Londres.

Tríptico da Guerra, 1929, de Otto Dix

25 – Morre o pintor expressionista alemão Otto Dix. Pintou os horrores da guerra, da qual participou.

30 – É lançado o álbum In A Silent Way, Miles Davis.

Agosto

Lançado o álbum Blind Faith, Blind Faith.

Lançado o álbum Looking Back, John Mayall & The Blues Brothers.

3 – É lançado o álbum Green River, Credence Clearwater Revival.

5 – É lançado o álbum The Stooges, The Stooges.

Sharon Tate no dia de sua morte

9 – Sharon Tate (leia sobre o caso Tate-LaBianca neste link) e 4 amigos são assassinados por engano, pela família manson, comandados por Charles Manson, que tinha pretensão de ser um rock star, enviou seus asseclas para matar o produtor musical que o recusou e que supostamente morava na casa, em Los Angeles, CAL.

13 – Morre no Rio de Janeiro, o bandolinista e compositor Jacob do Bandolin.

14 – 17 – O Festival de Woodstock reúne mais de 400.000 pessoas, no Estado de Nova York.

28 – É criado o Museu de Arte de Goiânia.

31 – O Presidente Costa e Silva é afastado por motivo de saúde. Em seu lugar assume uma Junta Governativa Provisória.

- Morre nos EUA, Rocky Marciano, um dos maiores campeões de boxe de todos os tempos.

Setembro

IV FIC, TV Globo – 1º lugar: Cantiga Para Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), com Evinha (ex-Trio Esperança); 2º lugar: Juliana (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar), com Brasuca.

Lançado o álbum I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama, Janis Joplin.

Lançado o álbum Volume Two, Soft Machine.

1 – Vai ao ar a 1ª edição do Jornal Nacional, da TV Globo.

2 – Morre Ho Chi Minh, líder dos vietcongs.

4 – O embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, é sequestrado no Rio de Janeiro por militantes do MR8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro – de Carlos Marighela, e ALN – Ação Libertadora Nacional.

22 – É lançado o álbum The Band, The Band. É a banda que acompanhava Bob Dylan desde o Newport Festival de 1965, quando Dylan eletrificou o folk.

Abbey Road ao contrário

26 – É lançado Abbey Road, The Beatles. Primeiro álbum gravado em 8 canais além de outras inovações. Foi lançado antes de Let It Be, mas é a última gravação dos Beatles.

30 – Golpe de Estado na Líbia. Muammar al-Gaddafi toma o poder.

Outubro

O Museu Calouste Golbenkian é inaugurado em Lisboa.

1 – Vôo inaugural do Concorde, construído por um consórcio franco-britânico. É o 1º avião comercial a atingir velocidade supersônica.

10 – É lançado o álbum Hot Rats, Frank Zappa.

- É lançado o álbum In The Court Of The Crimson King, King Crimson.

21 – Morre Jack Kerouac, poeta e escritor Beatnik (leia o post), autor de On The Road.

22 – É lançado o álbum Led Zeppelin II, Led Zeppelin.

25 – É lançado o álbum Ummagumma, Pink Floyd.

26 – É enviada a 1ª mensagem de e-mail entre computadores distantes.

8 – Um vôo brasileiro é sequestrado para Cuba.

Novembro

A importância dos festivais na cena musical e cultural brasileira é inegável. Revelaram artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e outros.

V Festival MPB da TV Record – 1º lugar: Sinal Fechado (Paulinho da Viola), com Paulinho da Viola; 2º lugar: Clarisse (Eneida e João Magalhães), com Agnaldo Rayol; 3º lugar: Comunicação (Edson Alencar e Gonçalves Mateus), com Vanusa.

Caetano Veloso lança o compacto simples com “Charles, Anjo 45″, de Jorge Benjor, e “Não Identificado”, de sua autoria.

2 – É lançado o álbum Willie And The Poor Boys, Credence Clearwater Revival.

4 – O guerrilheiro e militante Carlos Marighela é morto em São Paulo, na Alameda Casa Branca, jardins, em emboscada coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury.

- É lançado o álbum The Allman Brothers Band, The Allman Brothers Band.

- É lançado o álbum Space Oddity, David Bowie. A partir desse álbum David Bowie desponta no cenário como um dos artistas mais importantes contemporâneos.

7 – É lançado o álbum Wedding Album, John Lennon e Yoko Ono.

19 – Pelé faz seu milésimo gol, aos 34 minutos do 2º tempo, contra o Vasco da Gama no Maracanã.

24 – O oficial William Calley é acusado de ordenar o Massacre de My Lay (março 1968).

30 – Sem eleições diretas, o Gal. Emílio Garrastazu Médici é o novo Presidente do Brasil.

Dezembro

Lançado o álbum Roberto Carlos, Roberto Carlos.

Lançado o álbum Alegria, Alegria Volume 4 ou Homenagem à Graça, à Beleza, ao Charme e ao Veneno da Mulher Brasileira, Wilson Simonal.

5 – É lançado o álbum Let It Bleed, The Rolling Stones.

6 – Acontece o Festival de Altamont, CAL. organizado pelos Rolling Stones. A idéia era fazer um ‘woodstock do oeste’. Equivocadamente, contrataram os Os Hell’s Angels para a segurança do evento. Geraram violência e mataram Meredith Hunter, que assistia ao show.

12 – É lançado o álbum Live Peace In Toronto 1969, Plastic Ono Band.

17 – Morre o ex-presidente Gal. Costa e Silva, o 30º presidente da história do Brasil.

18 – A pena de morte é abolida na Inglaterra.

24 – A “Família Manson” é presa e acusada de homicídio (v. agosto).

31 – John Lennon é eleito “The Man of The Year”, pela revista “Rolling Stone”, dos EUA.

- A BBC britânica exibe um programa intitulado “The Man of The Decade”, totalmente dedicado a ele.

31 – Jimi Hendrix and The Gypsys fazem 2 apresentações no Fillmore East, em Nova York. Foi a primeira banda de rock formada inteiramente por negros.

Bibliografia

Meados de 60

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Hélio Oiticica, Tropicália, 1965

A primeira metade dos anos 60, foi palco de grandes e importantes mudanças no contexto cultural, político (e geo-político) e econômico. Nos EUA, a luta pelos Direitos Civis, eventos como o assassinato de John Kennedy (1963), e por consequência, a ampliação da presença dos EUA no Vietnã (teoria conspiratória: alguém tem dúvida quanto ao motivo do assassinato de Kennedy ?); a Guerra Fria; revoluções libertárias por todo o mundo; e, no Brasil, o golpe militar de 1964, com escolha de novo presidente e a suspensão dos direitos políticos de qualquer cidadão e cassação de mandatos parlamentares durante 10 anos. Só poderia resultar em combustível bastante inflamável  na passagem para a 2ª metade da década.

As artes sempre foram o trombone anunciador de mudanças. Os Beatles, pós-modernos (sendo que a 3ª fase do Modernismo vai de 1945 a 1960), vanguardistas, antenas de um novo tempo, foram a resposta do inconsciente coletivo para a construção de uma nova sociedade contestadora.

O rock era a música e as bandas se tornaram os shamãs desse tempo, imprimindo o rítmo, as batidas, a entrada e a saída dos transes. Essa turma inicial, quem criou a sonoridade dos 60 (Bob Dylan, Beatles, Stones, Who, Animals, Kinks, etc) nasceu nos anos 40, entre 1940 e 1945. Quem desfrutou foram os baby-boomers, nascidos pós 2ª Guerra Mundial, adolescentes nos anos 60.

E ouça só o sonzaço dos Beach Boys (início em1961) – I Get Around, do álbum All Summer Long, 1964, o último de surf rock - uma resposta aos Beatles e à invasão britânica. The Beach Boys deixaram um grande legado na contribuição da evolução do rock, a partir principalmente de 1965 com os álbuns Today e Summer Days (and Summer Nights), uma espécie de pré Pet Sounds (1966). A propósito, o álbum “Smile”, de 1967, é finalizado com os remanescentes Brian Wilson, Jardine, Mike Love. “The Smile Sessions” será lançado em 31 de outubro de 2011, 44 anos depois.

No início dos 60 (v. post http://anos60.wordpress.com/2007/12/02/surgimento-dos-beatles-mudancas/.  2.12.07), a Inglaterra era o país com a menor taxa de crescimento, em comparação com os países ocidentais, mais EUA, Japão e URSS (v. Eric Hobsbawn, A Era dos Extremos, pg 255). Segundo Hobsbawn, a Era de Ouro do século XX ocorre entre 1947 e 1973, sendo a década de 60 a mais próspera.

Em contrapartida, foi criada a expressão Anos de Chumbo, para designar a repressão sobre grupos revolucionários, como Baader- Meinhof, na Alemanha, nos anos 70. Mas no Brasil, esse termo faz sentido principalmente a partir do AI-5, de 13.12.1968, no governo Costa e Silva, mas utilizado com toda potencialidade anti-democrática sob o governo Garrastazu Médici (1969-1974). Sob a euforia econômica, massivas campanhas publicitárias, a vitória da seleção na copa mundial do México, e o slogan da época : ” Brasil: ame-o ou deixe-o”, ao qual todos respondiam, ” o último a sair apaga a luz do aeroporto”.

A explosão dos Beatles contribuiu para tornar a economia inglesa mais fortalecida, com o “boom” do mercado fonográfico, que atravessou o Atlântico e encontrou o pote de ouro no fim do arco-íris: o mercado norte-americano. A Invasão Britânica, trouxe imenso reforço ao rock e gerou um enorme negócio nos EUA.

Esse foi o estrondo que dividiu o tempo já na 2ª metade do século 20.

Explodiu o mercado fonográfico, gerando empregos e multiplicando o mercado de consumo, ávido pelos produtos novinhos em folha, isto é, uma nova geração de bandas de rock com grande potencial criativo e as fusões entre as inúmeras correntes. Esse rejuvenescimento do velho império, as divisas que entraram na economia inglesa através de um novo e surpreendente mercado, os adolescentes, os jovens, mais as altas taxas em impostos para quem gerava riqueza, colocou Londres como centro cultural mundial em todas as frentes. Explosão de boutiques. Carnaby Street ferve. Youthquake. Op Art, mini-saias, botas de plástico, vitrines super coloridas.

Foi esse o motivo da condecoração oferecida aos Beatles (serviços prestados) pela rainha, o título MBE, recusado a princípio, mas, convencidos por seu empresário, aceitaram, e foram condecorados em 26 de outubro de 1965. John Lennon devolveu a sua em 25 de novembro de 1969, contrário ao envolvimento da Inglaterra “no lance Nigéria-Biafra”, e contra o apoio à guerra do Vietnã.

Penso que o nascimento dos Beatles em 1962-1963, e as consequencias culturais desse evento, corresponde a exatos 100 anos de aniversário do que passou a ser chamado de Modernismo, a partir da obra que causou escândalo em Paris em 1863 : “Le Déjeuner sur l’Herbe” (1862-1863) ou “O almoço sobre a relva”, de Édouard Manet,

embora para muitos a era Moderna se inicie em 1848, com o Movimento Revolucionário do Proletariado Industrial, as rebeliões dos oprimidos contra o Status Quo;  o Manifesto Comunista, de Marx e Engels; e a Primavera dos Povos, nos EUA, por volta de 1865, mas resultado de um processo iniciado com os movimentos europeus de 1848, e, como se sabe, resultou na Guerra da Secessão, uma guerra civil entre o sul e o norte, que durou de 1861 a 1865. No Brasil, também em 1848, ocorreu a Revolução Praieira, em Pernambuco, muito semelhante ao que ocorreu nos EUA, com os escravos se manifestando junto aos excluídos sociais, com grande violência contra aqueles que detinham o poder sócio-econômico. Logo depois, em 1850, foi criada a Lei Eusébio de Queirós, que aboliu o tráfico negreiro, e ainda, a Lei de Terras, que na prática acabou gerando latifúndios. E há ainda os que pensam ser no começo do século xx, porque foi uma época de grandes rupturas e mudanças, com movimentos artísticos muito provocativos e estranhos para a época, como o Dadaísmo, para citar apenas um. E todos têm suas razões. Tudo isso vai reverberar na Semana da Arte Moderna, em São Paulo, 1922. Mas isso era eco dos desenvolvimentos anteriores, como a obra citada de Manet, com um pé na Renascença e outro no futuro, para o moderno, como uma ponte. Em 1960, praticamente 100 anos depois, Picasso pinta o seu “Déjeuner…”

Picasso, Le Déjeuner sur L'Herbe, d'aprés Manet

No final dos anos 50, em 1958, o surgimento da Pop Art na Inglaterra (nos EUA a partir de 1962), tendência da década como fenômeno urbano da civilização, já determina o início do pós-modernismo.

Richard Hamilton, Colagem, 1956 – Uma das primeiras obras da pop Art, Londres

E a Nova Figuração, “movimento artístico contemporâneo que fez a transição entre a abstração hegemônica dos anos 50 e uma figuração narrativa”. Realidade do momento, relação com o real. De 1964 a 1968 foi o período nas artes plásticas brasileira, de confluência dos movimentos neo-figurativos, ou seja, de assumir uma posição crítica da realidade brasileira, como por exemplo, Lígia Clark e Hélio Oiticica.

Lygia Clark, Bichos, 1960

Hélio Oiticica, Bólide, Caixa 18, Homenagem a Cara de Cavalo, 1966

Também presente no Opinião 65, Wesley Duke Lee, A Zona: A Vida e a Morte, 1965

Por conta disso, surgiu a exposição “Opinião 65″ (nome  emprestado do show “Opinião” de Nara Leão, João do Vale e Zé Ketti), no MAM, RJ, de 12 de agosto a 12 de setembro de 1965, e foi o início dos debates culturais que serviram de discussão sobre essa nova arte emergente, segundo Daysy Peccinini, em Figurações. v. em www.mac.usp.br e em Ana Cláudia Salvato Pelegrini (bolsista) e profa. Daysy Peccinini (coordenadora)  http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo4/opiniao/opiniao.html

A metade dos anos 60 – é o tempo que abrange 1964, 1965 e 1966 – representou uma virada, uma nítida linha divisória sobre a primeira fase da década e consolida os 60 como o auge do experimentalismo, mas também de incertezas, no século XX. O mid 60, 1965, 1 ano depois da British Invasion e 2 anos antes do Verão do Amor, é um divisor de águas, o tempo em que houve, vamos chamar de amadurecimento de tendências.

O Verão do Amor, 1967

Se a década de 60 foi a década de transição, a metade dos 60 foi de transição da década. Conscientização de uma jovem geração em relação às violências (guerras, revoltas libertárias, golpe militar) tanto aqui quanto no exterior. Aqui, todos os setores, estudantes, artistas, participaram de militância política e cultural, junto à classe média urbana. Confrontos ideológicos presentes por exemplo, nos festivais de música, radicalismos necessários, porém,  super nacionalistas e conservadores. Parte dos universitários eram absolutamente contra as guitarras elétricas, que consideravam instrumentos colonizadores do “imperialismo norte-americano”. Vale destacar Caetano Veloso, acompanhado pelos Mutantes, na fase declassificação do III FIC na PUC, São Paulo, (já em 12 de setembro de 1968) onde foi vaiado sem dó por um público enfurecido enquanto cantava “É Proibido Proibir”. Caetano manteve sua verticalidade e fez o famoso discurso:

“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder ?  …Vocês são iguais aos que foram na “Roda Viva” e espancou os atores…Estão querendo policiar a música brasileira… Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos !… Deus está solto”.

E nos EUA, no Festival Folk de Newport, 1965, Bob Dylan foi vaiado longamente por utilizar guitarras elétricas. V. post http://anos60.wordpress.com/2008/05/07/o-experimento-newport/

A necessidade de explorar novas experimentações e o LSD foi uma ferramenta de dilatação da percepção. A década de 60 é a era pós-religião na configuração da época, mas de abertura para a filosofia oriental. Novos limites foram alargados porque tudo passou  a ser contestação através da comunicação de massa. No Brasil, acabou a Jovem Guarda (inicialmente com a não participação de Roberto Carlos nos programas), por força das novas tendências, renovações que estavam ocorrendo praticamente em todos os cantos. A cena musical, a Nova Esquerda, os Direitos Civis e os Hippies (v. nesse blog, o post http://anos60.wordpress.com/2008/08/07/hippies/), tornaram-se o tripé daquilo que passou a se chamar de Contracultura, ou seja, Underground, Cultura Marginal, Cultura Alternativa. Isso tudo junto formou a grande corrente de transformações de consciência e expressão, individuais e coletivas. “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, era o slogan do Cinema Novo brasileiro, inspirado na Nouvelle Vague  – Godard fez “O Acossado” (1959), sem roteiro nenhum (e sem dinheiro também) e dessa forma abriu caminho para a linguagem independente – e também em função da necessidade de baratear a produção e contestar os valores-guias (exemplo: Hollywood) do cinema nacional. “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do baiano Gláuber Rocha, é de 1964.

Até então, as bandas brasileiras de rock tocavam versões de hits americanos primeiro e ingleses depois. Não podemos esquecer os pioneiros desse tempo, como Celly Campello e seu irmão Tony Campello (a partir de 1958), The Spuniks (banda fundada por ninguém menos que Tim Maia, em 1957), Nick Savoia, Ronnie Cord, Sérgio Murilo, The Jordans, The Clevers, The Jet Black’s, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Renato e seus Blue Caps, Eduardo Araújo, Ronnie Von, Trio Esperança, devo estar esquecendo um monte. Os Mutantes inventaram o novo rock brasileiro. Hibridismo. Mesmo super influenciados inicialmente pelos Beatles, e em seguida pelos baianos Caetano e Gil e ainda pelo Tropicalismo (1968, pós Sgt Peppers), eram muito criativos tanto nas letras e música, quanto nos arranjos (Rogério Duprat) e na irreverência. Depois deles e Raul Seixas, o rock brasileiro floresceu na década de 80, com maior identidade, o Brock, mas com as honrosas excessões que rolaram desde o início década de 70, que foi um grande desbunde, e seguiram tendências do rock progressivo, heavy rock, misturas rítmicas, que, em sua maioria, deixaram poucos ou nenhum registro, enquanto outros fizeram história. Secos & Molhados; A Cor do Som; Barca do Sol; Made in Brazil; Bicho da Seda; A Bolha; Joelho de Porco; O Terço; Patrulha do Espaço; Som Imaginário; Vímana; Humauaca; Casa das Máquinas. Veja mais em :

http://whiplash.net/materias/especial/000104.html

Acho interessante esse momento na cultura brasileira, porque é a partir daí que os baianos passam a exercer grande influência no sul maravilha, como era chamado o eixo Rio-São Paulo. A presença dos baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Betânia, Raul Seixas (este um pouco depois) – também nascidos entre 1940 e 1945, com excessão de Gláuber (1939) e Bethânia (1946), – entre outros, na vanguarda da produção musical e na cultura nacional, contribuiu muito para a superação dos preconceitos existentes que paulistas e cariocas tinham dos baianos, designação dada a qualquer nordestino. Inclusive ampliou as fronteiras do turismo para os jovens de São Paulo e Rio, que saiam em busca de aventuras em novas plagas paradisíacas e lugares que, no auge da era hippie, representavam o novo comportamento, como Arembepe, na Bahia, a princípio, e Canoa Quebrada, no Ceará, mais para frente. Mesclou, aproximou os grupos,  influenciou os jovens através da renovação estética em sua produção artística.

Na Inglaterra, os Mods (abreviação de modernos. V. post http://anos60.wordpress.com/2008/01/03/mods-e-rockers/) substituiam os Beatniks em termos comportamentais. Os Beatniks não eram um movimento a princípio, mas veio a ser, a partir da febre das novas publicações, da expansão dos saraus literários nas livrarias de São Francisco, e da qualidade dos poetas da Beat Generation (V. http://anos60.wordpress.com/2007/11/04/beatniks/). Além disso, eles eram a contracultura, que ganhou dimensão com os movimentos dos anos 60. Os Mods eram estudantes de arte e a música era a nova sonoridade do rock proporcionada por Beatles – que se inspiraram na música dos artistas negros norte-americanos, como sempre fizeram questão de afirmar, e até muitas canções do início eram releituras dessas músicas. Mas, ao invés de seguir a linha do R&B, seguiram sua própria trilha, ousando e compondo suas próprias canções e inovando. Isso é que foi determinante – The Rolling Stones, Dave Clark Five, Animals, Who, e ainda, o Merseybeat. Também, a inspiração vinda dos blues, gerou artistas e bandas que também fariam parte da 1ª geração do rock inglês: Rolling Stones, Yardbirds, Eric Clapton, Kinks, John Mayall.

É a partir de 1965 que tem início a evolução experimental do rock. Experimentalismo, psicodelia, sons instigantes, foram o tempero que colocou Londres como centro fervilhante e criativo, e se consolidasse como irradiador de cultura no mundo.

O surgimento do Movimento Hippie nos EUA (que sucedeu os Beats) é fator decisivo do Psicodelismo, junto à obra de Timothy Leary, o papa do LSD,  “A Experiência Psicodélica”. (V. post http://anos60.wordpress.com/2008/01/03/nozens-e-provos/)

Em 1965 nasce em Memphis, o funk, fusão de soul music, soul, jazz, rock psicodélico e R&B, na voz de James Brown, com a canção “Papa’s Got a Brand New Bag”. Consta que os músicos que acompanharam James Brown eram oriundos da banda de Little Richard, que havia se retirado do rock’n’roll  para se tornar pastor.

O ativista dos Direitos Civis Malcolm X é assassinado em 21 de fevereiro de 1965, enquanto discursava em Manhatan. V. post http://anos60.wordpress.com/2008/02/04/direitos-civis-nos-eua-malcolm-x/

Os Rolling Stones lançam “Satisfaction”, a canção-símbolo dessa virada na década, e o álbum “Out of Our Heads”.

The Who lança “My Generation”, e era o que se podia chamar de uma banda de rock, contestadora e incendiária.

Os Beatles lançam “Yesterday”, no álbum “Help” (composta em 1964 e lançada em agosto de 1965), uma canção pop barroca acompanhada por guitarra acústica e quarteto de cordas. Sofisticação que foi explorada logo em seguida no Rubber Soul. É a música mais tocada de todos os tempos.

John Coltrane lança “Love Supreme”, uma masterpiece, espécie de caleidoscópio/oração/jazz/étnico.

O skate é criado na Califórnia, EUA.

Nesse contexto as cenas musicais – Bossa Nova, Folk, Country, Funk, Black Music, Merseybeat, Rock – não eram movimentos artísticos, mas evolução que influenciaram movimentos – Hippies, Tropicália, e lá nos 80, Mangue Beat. Exemplo disso são os álbuns Revolver e Sgt Pepper’s, dos Beatles: artesanato musical com alta tecnologia, invenção, música do passado e do futuro, ao mesmo tempo regional e urbana, popular e de experimentação. High Brow e Low Brow : fusão de alto repertório intelectual e artístico com as culturas populares de massa.

Essa conceituação é importante na concepção do Tropicalismo, como disse Caetano Veloso: …”Uma  necessidade de inclusão nacional de estilos e gostos, vindos de grupos, etnias e classes sociais diferentes”.

Caetano Veloso com Parangolé

“Tropicália” (1968), em pleno regime militar (só sabe a dureza que foi quem viveu na época), “Acabou Chorare” (Novos Baianos, 1972),

Mangue Beat (Chico Science & Nação Zumbi, “Da Lama ao Caos”, anos 80), passando pelo Clube da Esquina (Milton Nascimento, Lô Borges, Wagner Tiso, 1972),

são ressonâncias do que ocorreu a partir de 1965. É a partir daí o momento da virada, que o caldeirão cultural vai ferver, um salto vertiginoso em pouquíssimos anos. Tudo foi vivido nesse período. Bossa Nova, samba, xote, xaxado, baião, poesia concreta, tango brasileiro, Manifesto Antropofágico, Beatles, Macunaíma, Villa-Lobos, rock. Maracatu, hip-hop, tambor, guitarras. Em clima político não favorável, mas em uma época de transgressões.

Dentro dessas correntes de renovação, Chico Buarque, ainda que fiel ao samba tradicional, inovou com letras e canções belíssimas, trouxe rejuvenescimento à MPB, determinante nas composições críticas que provocavam a ditadura e  burlavam a censura.

Um clássico. Começou a destacar-se a partir dos festivais nos meados dos anos 60 (A Banda).

Marcos e Paulo Valle, também injetaram energia renovadora nesse tempo efervescente.

E ainda, Luís Melodia, que ainda moleque, no início dos 70, compôs simplesmente, Pérola Negra.

Mas, não dá para negar que, no Brasil, o que aconteceu de bom musicalmente, tem uma inspiradora imagem de fundo : João Gilberto. Erudito e popular – High brow, low brow.

Em apenas 3 anos, de 1965 a 1967, 6 obras tiveram papel definitivo naquilo que representou mudança de paradigma, nítida quebra de curso, de virada revolucionária, que redefiniriam as linhas e os valores do rock. V. http://anos60.wordpress.com/2008/05/06/fusao-frutos-e-sementes/ A eletrificação do folk (com The Band acompanhando Dylan, influencia Beatles), a experimentação e o aprofundamento nas letras dos Beatles (influencia  Dylan), a renovação do rock norte-americano na Califórnia, a partir principalmente de 1965 (influência Beatles e Dylan, The Byrds, com o seu álbum “Mr. Tambourine Man” de dez 64; o nascimento dos Doors – ouça “Love me Two Times”, 1968)

e bandas como The Grateful Dead, Jeferson Airplane, The Lovin’ Spoonful, Country Joe and The Fish, Steppenwolf, The Moody Blues, The Grass Roots, The Yardbirds, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Cream, Velvet Underground, The Troggs, The Mamas and the Papas e muitas outras).

Quando ouvi essa gravação do Spencer Davis Goup, com Stevie Winnwood, de 1966, jurava que era uma daquelas bandas só de negão da Motown.

O surgimento dos Hippies e o psicodelismo, são os fatores que imprimiram um tom de renovação e expansão de conteúdo nas obras que se seguiram e de comportamento e produção artística de forma geral. Até 1968 tudo já teria acontecido (festivais, desbundes, recrudescimento na guerra do Vietnã, assassinatos políticos, movimentos libertários, movimentos estudantis, Maio de 68, Primavera de Praga, esperanças perdidas) com excessão do Festival de Woodstock em 1969 e da chegada do homem à Lua, embora o precursor de todos os festivais tenha acontecido em 1967 em São Francisco, Califórnia, em pleno Verão do Amor, o Monterey Pop Festival. Mas, voltando a citar o historiador Eric Hobsbawm, em seu livro “Tempos Interessantes – Uma vida no século XX” (Companhia das Letras), ele escreve na página 290, “O que realmente transformou o mundo foi a revolução cultural da década de 1960. O ano de 1968pode ter sido menos um ponto decisivo na história do século XX do que o ano de 1965, que não teve qualquer significação política, mas foi o ano em que pela primeira vez a industria francesa de roupas produziu mais calças femininas do que saias, e no qual o número de seminaristas católicos romanos começou a declinar visivelmente”…”Pode-se argumentar que a marca indicativa realmente importante da história da segunda metade do século XX não é a ideologia nem as ocupações estudantis, e sim o avanço dos ‘jeans’.

v. http://anos60.wordpress.com/2008/09/02/monterrey-pop/

As obras a que me referi são :

Março de 1965 – Bringing it All Back Home – Bob Dylan – É o disco que explora a eletricidade em algumas composições, um afastamento de Dylan do folk tradicional, mas sempre no campo das canções temáticas, críticas, poéticas, sarcásticas.

30 de agosto de 1965 – Highway 61 Revisited – Bob Dylan – Mais rocker do que nunca, um dos maiores álbuns de todos os tempos, com Michael Bloonfield na guitarra.

Dezembro de 1965 – Rubber Soul – The Beatles – Lembro muito bem da primeira vez que vi e ouvi, era diferente de tudo. Causou  estranheza e magnetismo, com aquela capa que tinha uma distorção tão sutil, ao mesmo tempo enigmática e incopiável. É o início de uma mudança de parâmetro em relação aos instrumentos convencionais de uma banda de rock, embora isso já tenha ocorrido com a canção Yesterday, do álbum Help, de agosto de 1965. É um ábum meio country, folk e rock, já psicodélico, mas nós, eu, pelo menos, não sabia onde encaixar aquela informação. Esse é o álbum que inspirou Brian Wilson a fazer o Pet Sounds, que inspirou os Beatles (principalmente Paul McCartney) a fazer o Sgt Pepper’s, que surtou o Brian Wilson. Figura em Top 5, na lista da R.S.

16 de maio de 1966 – Blonde on Blonde – Bob Dylan – O que começou com Bringing…teve seu auge aqui. É um álbum duplo de Dylan e o mais denso desde Highway 61, dos 3 álbuns citados. Esses álbuns parecem ter esgotado o período mais rock e criativo de Dylan (teve um sério acidente de motocicleta).

16 de maio de 1966 – Pet Sounds – Considerado o 2º melhor álbum de todos os tempos, 2º a lista dos “500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos”, da Rolling Stone Magazine. Para a revista MOJO, em avaliação de 1995, é “o melhor álbum já feito”. Enfim, Art Rock.

4 de agosto de 1966 – Revolver – Uma obra-prima com grande unidade de construção, mesmo com tantas variações de temas, instrumentos e estilos. Alucinógeno, principalmente nas composições de Lennon, é o álbum que define o gênero psicodélico, juntamente a Pet Sounds, dos Beach Boys, e Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd. Aparece em Top 3, na lista da Rolling Stone.

1 de junho de 1967 – Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band – The Beatles – Psicodelia, arte, música clássica, rock’n’roll, em sequências harmônicas. A partir daí não haveria mais regras e tudo poderia ser tentado.

Veja a lista dos 500 maiores álbuns, segundo a revista Rolling Stone: http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http://www.rollingstone.com/music/lists/500-greatest-albums-of-all-time-19691231

Mortes Trágicas no Universo Rock – Janis Joplin

Posted in Década de 60 with tags , , , , , on 27/02/2009 by edi cavalcante

jmp0023-fp Janis em foto de Wolfangs Vault

A garrafinha na mão é de Southern Comfort. Como ela vivia andando com essa bebida, resolveu ir à companhia fabricante e exigiu que a pagassem pela divulgação. Os fabricantes hesitaram, então o escritório da empresa foi invadido com recortes de jornal com a imagem de Janis segurando a bebida. Com isso, eles resolveram que ela merecia sim algo em troca, e lhe ofereceram presentes de cerca de US$ 2.500 à época.

Janis Lynn Joplin nasceu no dia 19 de janeiro de 1943 em Port Arthur, Texas, USA.

janis-crianca

Começou a cantar blues e folks quando estava na Universidade do Texas, em Austin. Não era bonita e isso lhe trouxe muitos problemas em sua vida. Foi eleita o homem mais feio do campus. Com isso, saiu fora e passou 2 anos viajando, cantando e se drogando. Ela gravitava do folk ao jazz, passando pelo blues, especialmente Bessie Smith, em quem se espelhava em seu início. Mas foi assistindo ao show do Otis Redding no Fillmore, de Bill Grahan, em 1966, que houve a virada que definiu o seu estilo. Antes, por volta de 1963 esteve na Califórnia já ensaiando uma carreira como cantora. Porém, o excesso de álcool fez com que retornasse a Austin para se recuperar. Sua voz e forma peculiar de cantar seus rocks e blues a tornaria conhecida como uma cantora branca de alma negra. Sua figura se mistura com o nascimento do Movimento Hippie – ela era uma psicodélica ambulante – a partir do momento em que volta para San Fran, chamada por Chet Helms, dono do salão Avalon, para cantar com a banda da casa, o Big Brother Holding Company, com quem gravaria depois o Cheap Thrills.

janis-fashion

Explodiu no Festival Pop de Monterey, 1967, em pleno Verão do Amor, e no Festival de Woodstock, em 1969. Veio ao Brasil em fevereiro de 1970, para o Rio. Ficou hospedada no Copacabana Palace, de onde foi expulsa por nadar nua na piscina. Também quase foi presa por “atentado ao pudor” na praia de Copacabana. Ela estava aqui para se divertir ( e também para se afastar da heroína) e girava numa voltagem para além, muito além da falsa moralidade. Eu li uma vez numa coluna do Arnaldo Jabor, acho que na Folha, que ele estava com amigos no Varanda (bar de Salvador) e Janis – ela foi para a Bahia de carona com um amigo que tinha uma motocicleta – chega à sua mesa, completamente chapada, e pergunta : “Where can we have some fun around here ?” (algo como, onde podemos nos divertir por aqui ?). Como nada do que sugeriu a agradasse, levou-a a um puteiro, e parece que ela se divertiu muito, porque segundo ele, ela estava caindo de porre e ficava cantando pontos de candomblé com alguma puta do pedaço.

janis-carO Porsche psicodélico de Janis

Em 3 de outubro de 1970, Janis foi com Nick Gravenite, na audição do take instrumental de “Buried Alive in The Blues”, que gravaria no dia seguinte. Ouça a canção apenas no instrumental:

Foi encontrada morta em 4 de outubro de 1970 em Los Angeles, Califórnia, de overdose de heroína em seu quarto no Landmark Hotel. Foi cremada em Westwood, Cal, e suas cinzas lançadas sobre o Pacífico. Seis meses depois saiu o disco póstumo “Pearl”, com sua nova banda Kozmic Blues. Certamente Janis viveu intensamente. De tudo o que ela disse, o que ficou mais comentado após sua morte foi : “Puxa, prefiro ter dez anos de ultra-super-máximo do que viver até os setenta sentada numa cadeira de balanço, vendo televisão”.

Hippies

Posted in Década de 60 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 07/08/2008 by edi cavalcante

 

Os Hippies, junto com a Nova Esquerda e o Movimento dos Direitos Civis, são o tripé daquilo que ficou conhecido como Contracultura.

A palavra ‘Hippie’, – de hip, hipsters, que vem de hep, que quer dizer, estar por dentro, descolado, bacana, – saiu na imprensa pela 1ª vez, no artigo “A New Haven For Beatniks”, em 5 de setembro de 1965, assinado pelo jornalista de San Francisco, CA., Michael Fallon. Nesse artigo ele escreve sobre o “Blue Unicorn”, um coffee house, usando o termo hippie para se referir à nova geração de beatniks que se mudaram de North Beach para Haight-Ashbury, distrito de S. Francisco. Mas tornou-se massificado pela mídia a partir de 1967, depois que o colunista Herb Caen, do “Crônica de S. Francisco”, passou a se referir a hippies, em suas colunas diárias. Segundo Malcolm X, a palavra hippy, que aparece na língua Wolof do oeste africano, tem reminiscências no fim dos anos 40 no Harlem e era usado para descrever um tipo específico de ‘branco’ que age de forma mais ‘negro’ que os negros. Porém, suas raízes remontam aos filósofos gregos Diógenes de Sinopes (e os Cínicos) e Epícuro de Samos.

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Diógenes de Sinopes ( 413 a.C. – Sinop, hoje na Turquia), é o maior representante do cinismo. Ele desprezava a opinião pública, e seus únicos bens eram um alforge, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e a auto-suficiência perante o mundo). A felicidade, entendida como auto-domínio e liberdade espiritual, era a verdadeira realização de uma vida. Defendia a liberdade sexual total, a igualdade entre homens e mulheres, a supressão das armas e da moeda, entre outras coisas.

epicuro

Epícuro de Samos (341 a.C. – Atenas – discípulo de Diógenes), dizia que ser feliz era mais barato do que se pensa. Considerava que a busca da felicidade e do prazer estavam condicionadas ao domínio sobre as emoções e sobre si mesmo, e elegeu 3 questões principais frugais para alcançar a felicidade. 1. Amigos – não apenas tê-los, mas conviver com eles. Comprou uma grande casa, convidou um monte de amigos para morar juntos e assim, foi um precursor da vida em comunidade. 2. Liberdade pessoal – sem dependência de patrões cruéis. Independência em relação ao consumismo, e, 3. Auto-reflexão, encarar as questões que incomodam de frente, analisá-las com sinceridade e resolvê-las. Paradoxalmente, sofria de cálculos renais.

As influências também passam pelas idéias de Jesus Cristo, Buda, São Francisco de Assis, Krishna, Gandhi, Henry David Thoreau (“Walden ou A Vida nos Bosques” e “Desobediência Civil”), Walt Whitman (“As Folhas da Relva”) entre outros. Em 1890, inspirados nas obras de Nietzche, Herman Hesse e Eduard Baltzer, jovens alemães iniciaram um movimento de volta à natureza, abandonando seus status sociais e buscando valores espirituais pagãos que tinham raízes em seus ancestrais. Com a imigração alemã para solo norte americano, décadas depois, surgiu a 1ª loja de produtos naturais, mais saudáveis, no sudoeste da Califórnia, onde puderam praticar um estilo de vida mais alternativo em um clima mais ameno. Jovens americanos influenciados por esse estilo de vida criaram um grupo chamado “Nature Boys” e se fixaram no deserto californiano. Esse movimento tornou-se popular em 1947 quando Nat King Cole gravou uma canção “Nature Boy” *,

 de autoria de Eden Ahbez, abaixo, um dos integrantes do grupo.

Remanescentes desse grupo, incluindo o famoso Gipsy Boots, foram para o Norte da Califórnia em 1967, bem à época do Verão do Amor, San Francisco. Também o movimento jamaicano Rastafari, propunha volta à natureza e volta às raízes filosóficas africanas. Na década de 50, por causa da imigração em larga escala de jamaicanos para a Inglaterra, influenciou o desenvolvimento do movimento hippie inglês com contatos que permitiam aos jovens brancos comprar cannabis das comunidades negras.

O Verão do Amor, 1967, em S. Francisco, a capital dos hippies, foi um evento que atraiu 200.000 pessoas e um consumo inacreditável de LSD. Allen Guinsberg (“Uivo”), Jack Kerouac, (“Pé na Estrada”), os ‘beats’ novaiorquinos entre outros,  que já haviam chegado à S. Francisco na década de 50, criaram um reduto inicialmente em North Beach. Eles foram os precursores dos ‘hippies’, estes, porém, abraçaram o rock como música oficial, o rock que veio da Inglaterra e que re-eletrificou a música norte-americana.

“Se você for a San Francisco, não deixe de colocar flores em seus cabelos”, dizia a canção de John Phillips, dos Mamas & The Papas, cantada por Scott Mackenzie.

Conceitos como paz, amor, liberdade sexual, maconha, LSD, underground e contracultura, começaram a antagonizar aos da Guerra do Vietnã, materialismo, consumismo, individualismo. Emergiam novos e urgentes referenciais. Os hippies eram basicamente contestadores, isso fruto de educação mais liberal, o que estimulava uma maior capacidade de expressão crítica, de se colocar diante de fatos como poluição atmosférica, questão ambiental, racismo, pobreza, o estilo dos pais, o consumismo exagerado. Contra o stablishment, os valores da classe média, armas nucleares (principalmente na Inglaterra), a Guerra do Vietnã (principalmente nos EUA), políticas ortodoxas, Nixon, ultra direita, doutrinação ideológica. A favor do paganismo, religiões e filosofias orientais, liberação sexual, LSD, expansão de consciência, vida em comunidades, paz, amor liberdade pessoal.

Essa era a cena hippie. Basicamente saíram do campo para a cidade e lá, pregavam o contato com a natureza e a volta para o campo, ao mundo caipira, que não gostavam dos hippies. Caipiras gostavam de música country, Willie Nelson (ótimo) ou até de Bob Dylan e Joan Baez. Nos anos 60 o folk foi eletrificado (Byrds, com influência Beatles e Dylan). A cultura hippie era mais comportamental que musical, mas influenciou caipiras, folks, beats, Beatles e outros na Inglaterra e Europa que influenciaram sua contrapartida norte-americana e na fusão de rock, folk, blues e rock psicodélico. Segue vídeo dos Dead, fazendo parte das experiências de Ken Casey com LSD.

Cabelos e barbas compridos, eram considerados ofensivos para quem não estava associado à contracultura. A língua oficial era o rock. E mesmo sendo o movimento caracterizado pela busca do prazer, não arregavam diante da opressão e das injustiças sociais. A “festa” começou com uma comunidade urbana que se chamava The Family Dog, que organizou o primeiro baile de rock na cidade, em 16 de outubro de 1965, no Longshoreman’s Hall, animados por 4 bandas locais. Depois disso, o point mais quente migrou de North Beach para a área em volta da esquina da Haight com Ashbury, um reduto negro que foi redecorado com cores psicodélicas, artigos orientais, muito incenso e obviamente, muito LSD.

Vida comunitária, amor livre, culto à natureza, religiões orientais, astrologia, tarô, canabis e LSD. Nascia o psicodelismo.  Abaixo, um dos embriões do nascimento do Rock Psicodélico, The 13th Floor Elevator, num experimento com LSD, em 1966.

The Family Dog acabou em 1966, e os bailes passaram a ser organizados por Bill Graham, dono do Filmore Auditorium, que viria a ser o templo do rock dos anos 60; e por Chet Helms, dono do salão Avalon, que mandou trazer do Texas uma velha amiga: Janis Joplin (foto abaixo), a futura musa dos hippies, que seria a cantora da banda da casa, o Big Brother & Holding Company.

Em janeiro de 1967, foi convocada uma “Reunião de Tribos” no Golden Gate Park, onde aconteceria o World’s First Human Be-In, que teve a presença de ceca de 20.000 jovens cantando, dançando, cobertos de flores, colares e pulseiras de contas. A partir daí, esperava-se a chegada de 100.000 hippies em junho de 1967, para o chamado Verão do Amor. Vieram 200.000 (foto maior, abaixo) como escrito mais acima. Eles foram chegando, a Comissão de Parques liberou áreas em torno de Haight-Ashbury para sacos de dormir (abaixo, uma imagem fashion no evento).

O Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band (Beatles, 1.06.67) contribuiu muito para o deslanchamento do Verão do Amor. Esse disco elevou o rock à categoria de arte. Melodias incandescentes, sons e texturas psicodélicas e justaposição de rock com barroco, faz com que irradie ondas de choque através da paisagem musical. Mas essas mudanças nos rumos da banda já haviam começado em 1965, com Rubber Soul, e Revolver, 1966. “Tomorrow Never Knows” (Revolver) é um exemplo claro disso. É interessante porque essa música é o ponto de encontro dos caminhos que cada um estava buscando. Paul estava voltado para a cultura clássica, George para a música indiana. E Lennon, voltou-se para o espaço interior, através do LSD (ele buscava livrar-se de seu ego). Foi aí que encontrou a compilação do budista “Livro Tibetano dos Mortos”, de Timothy Leary. O LSD era visto como um caminho de iluminação, e associado aos ensinamentos budistas, encontraria-se o despertar do campo ilusório da existência. Havia na época um paralelo entre LSD e o estado experimentado no satori zen budista. Lennon queria trazer 5000 monges do Tibete para conseguir o som como o do Dalai Lama e monges cantando no topo da montanha. Ele, o produtor George Martin e os técnicos de som, tiveram de inventar meios no limitado estúdio de Abbey Road, para conseguir os efeitos desejados (e diminuir os custos da produção) enviando e revolvendo várias vezes as fitas com vozes para  o gabinete Leslie e para o órgão Hammond, um processo extremamente cansativo. Acho que é por isso que o disco se chama Revolver, de tanto revolverem fitas, vozes, de ter que inventar um sistema : o ADT (automatic double-tracking). Lennon não ficou totalmente satisfeito, mas essa música e Revolver representa o início da segunda revolução no rock e no pop. Enquanto galvanizaram a concorrência e inspiraram muitas bandas novas, deixaram todos muito para trás.

David Soulsby, em seu livro “Somewhere In The Distance”, escreveu: (em tradução livre) “Se você estivesse procurando por uma apresentação eletrizante ao vivo em 1967, não tinha que buscar nada mais que The Who: era uma banda plena de ambição e atitude bombástica, teatralidade, e mais que isso, eram músicos excelentes para colocar isso em cena.” … “Tenho de confessar, com um certo embaraço, que Sgt Pepper’s foi o 1º álbum dos Beatles que tive. Claro, eu ouvia suas músicas desde o começo mas nunca havia comprado nada deles; suas músicas tocavam sem cessar nas rádios e nas TVs e eu estava muito ocupado com os Beach Boys, Rolling Stones, Searchers e Jefferson Airplane, para dar mais atenção aos Fab Four. Mas Sgt Pepper’s mudou tudo. Foi o vinil que tocou e tocou plenamente por todo o verão e além”. … “Porque Sgt Pepper’s é o maior álbum de todos os tempos ? Porque inauguraram uma nova era na manufatura de um álbum/disco: a partir dele agora são conceituais, com idéias e temas que não eram considerados. Capas com design, com arte encapsuladas de forma e caminhos dinâmicos e experimentais. E músicos podem ir em qualquer direção que quiserem, livres para misturar todas as formas de música em ricas palhetas em infinitas variedades. Não é a primeira vez que eles se colocaram para fazer essas coisas, mas a porta é agora bem aberta e verdadeira.”

A exploração turística foi tão grande que, a partir desse evento, os hippies deixaram Haight-Ashbury, e foram viver em comunidades rurais. Sociedade alternativa. Nasceram muitas comunidades. Passaram a criar e elaborar produtos limpos, naturalistas e feitos artesanalmente, que logo foi engolido pelo sistema, que percebeu o potencial comercial desses produtos de consumo com grande apelo conceitual, natural. O que aconteceu em S. Francisco em 1967, refletiu o que estava acontecendo ou iria acontecer em quase todas as cidades do mundo industrializado.

É fato que o espírito criativo e positivo iniciado em 1961 começou a desaparecer com a visão horrorosa da Guerra do Vietnã, os assassinatos de John e Robert Kennedy e de Martin Luther King.

O Movimento Hippie é identificado com a “We decade”, conforme colocou Tom Wolf, em contraposição a “Me decade” simbolizado pelos anos 70. Colaborou com aspectos inovadores, criativos e humanizadores. O espírito de “conheça-se e expresse-se” do começo e do meio dos anos 60, combinava idealmente com sensibilidade comunitária e identificação grupal. Começou nos EUA nos 60, foi para outros países e teve seu declínio nos anos 70.  Mas deixou marcas, rompeu barreiras para as gerações seguintes:

Amor Livre; Vida em comunidade; Negação de todas as regras do capitalismo; Decisões tomadas em conjunto; Agricultura de subsistência; Troca solidária como moeda; Moda: Roupas brilhantes de inspiração indiana, estampas inspiradas em motivos psicodélicos; Valores religiosos com influência oriental; Liberação Sexual – a invenção da pílula anticoncepcional nos anos 60, colocou as mulheres em um patamar de liberdade, através da possibilidade de escolha, e libertando-a da gravidez indesejada, que sempre foi vista como uma vergonha e coisas piores através dos séculos. E puderam organizar melhor suas vidas, abrindo espaço para igualdade de sexo.

A década de 60 viveu uma revolução, sem dúvida:

Auto-afirmação de movimentos das minorias, como Feminismo, Movimento Gay; Luta pelos Direitos Civis; Pacifismo e contra as guerras; Bases do Movimento Ambientalista. Influências na cultura como: Contra-Cultura; HQ; Poesia Concreta; Cultura de Massa; Artes Plásticas: artistas inspiram-se em conceitos hippies para criar suas obras.

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Acima, o Mini S (lançado em 22 a 24 de maio de 2009 em Londres)inspirado no Mini 1966 de George Harrison (morto em 2001) com ilustrações de origem indiana e grafismos psicodélicos, presente de Brian Epstein, empresário da banda, a cada um dos Beatles. Ao fundo o Mini de George.

A pintura que ilustra a capa do livro acima, é de Isaac Abrams, “All Things Are One Thing” (Todas as coisas são uma coisa só), óleo sobre tela, 1967. Foto de Alan Meyerowitz, para a exposição “Summer of Love”, Arte da Era Psicodélica – 27/5 – 25/9, 2005 – Tate Liverpool, UK www.tate.org.uk/liverpool

Leia também os posts:Verão do Amor – Monterey Pop” e “Woodstock”

O Rolls Royce acima pertenceu a John Lennon e o Porsche era de Janis Joplin

* Nature Boy ( Música e Letra de Eden Ahbez)

There was a boy / A very strange and enchanted boy / They say he wandered very far, very far / Over land and sea / A little shy / And sad of eye / But very wise / Was he. / And then one day / A magic day he passed my way / And while we spoke of many things, fools and kings / This he said to me /  “The greatest thing / You never learn / Is just love and be loved in return”.

Maio de 68 – 40 anos

Posted in Década de 60 with tags , , , , , , , , , , on 26/05/2008 by edi cavalcante

por edi cavalcante

“É Proibido Proibir”, “A Imaginação no Poder”, “Tomo meus desejos por realidade, pois acredito na realidade de meus desejos”, “Quando penso em revolução quero fazer amor”, “Somos realistas: queiramos o impossível”, “As ruas são do Povo”, “Não pedimos nada. Não exigimos nada. Nós tomaremos. Ocuparemos”. São slogans que remetem a maio de 1968. Mas 1968 foi o ano em que tudo aconteceu, que emergiu uma realidade que que gerou uma politização automática, foi o paroxismo dos confrontos entre o sentimento libertário e autoritarismo. E contra a liberdade de expressão, a repressão. Durante todo o ano muitos eventos ocorreram em sincronismo por todo o mundo. As manifestações por mudanças nas estruturas era fundamental. Crítica radical do cotidiano, do consumo, do automóvel, da intoxicação pela mídia. Os Provos (em 1965) já haviam se manifestado e redigido um manifesto sobre esses assuntos. As manifestações estudantis em Paris (acima, as barricadas) tiveram início com a rebelião dos alunos de Nanterre (março), por não serem atendidos na permissão para que as meninas e os meninos pudessem circular livremente pelos dormitórios uns dos outros. Em 21 de março acontece a tomada do campus de Nanterre. No Rio, em 28, ainda em março, um estudante secundarista, o Edson Luís, é morto de forma estúpida, porque não fazia nada que pudesse ser considerado subversivo quando a PM invadiu o restaurante estudantil Calabouço, onde ele estava, gerando um confronto entre estudantes e policiais. A liderança da UNE, clandestina nesse período, reage com a convocação de greve nacional dos estudantes. Os confrontos continuaram em 29, e, à noite, após o enterro, os manifestantes queimaram a bandeira dos EUA, visando atingir o governo brasileiro.

1968 trouxe uma forte densidade política contra o regime militar. Mas o ano prometia, porque já em janeiro, em 31, acontece a Ofensiva Tet, lançada pelos Vietcongs. Foi o começo do fim para os americanos, que viram cada vila, cada lugarejo, ser tomada pelos guerrilheiros, sitiando-os  e diminuindo seu espaço. A guerra começa a ser perdida pelos EUA. Em fevereiro a ofensiva prossegue e as TVs documentam tudo, levando aos lares americanos cenas brutais de violência. E em 16 de março acontece o Massacre de My Lai, e a opinião pública não suporta a visão das atrocidades cometidas. Em 4 de abril Martim Luther King é assassinado em Memphis. Por todo os EUA, as comunidades negras protestam após o enterro de Martim Luther. Em maio, Daniel Cohn-Bendit “Dany, Le Rouge”, estudante de sociologia em Nanterre, onde teve origem a revolta contra o sistema educacional na França, propõe a ocupação da Sorbonne.

Entre os dias 5 e 7, o Quartier Latin vira um campo de batalha. Em 9 de maio o exército soviético chega à fronteira da Tchecoslováquia. Em 11, Georges Pompidou anuncia a reabertura da Sorbonne e anistia aos estudantes. Mas não adiantou. Mais de 10.000 trabalhadores franceses iniciam greve geral no dia 21, em apoio aos estudantes. A França pára. Ruas incendiadas, carros virados. No Rio, na Candelária, passeata dos 100.000, com participação de artistas e intelectuais.

Protestos na Alemanha, Japão e Inglaterra. Nos EUA, os confrontos tornam-se mais violentos. Na França, De Gaulle dissolve a Assembléia Nacional e propõe novas eleições. Em 30 de maio, a classe média francesa atendeu ao apelo de De Gaulle em passeata de apoio ao governo. Em junho, o Quartier Latin continua queimando. Em Nova York, o artista plástico Andy Warhol é baleado por uma mulher, Valerie Solanas. No dia 5, Bob Kennedy (Robert Fitzgerald Kennedy), irmão do ex-presidente John Kennedy, em campanha presidencial, é assassinado em Los Angeles.

By Antony Bridle

Com as eleições, a França volta à ordem. Os comunistas são derrotados.

O acordo sindical não animou os estudantes, e acusam a CGT, central dos trabalhadores, de impedirem a revolução.

Em São Paulo, acontece a batalha campal na rua Maria Antônia, entre alunos da Filosofia, Ciências e Letras, contra alunos da Faculdade de Direito do MacKenzie, mas na verdade, o pessoal do CCC, Comando de Caça aos Comunistas, que, presume-se, provocaram o conflito, ao jogarem um ovo sobre os alunos da USP. O mesmo CCC que em 17 de julho, invade o teatro onde era levado a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque, e espanca os atores.

O exército do Pacto de Varsóvia (URSS, Polônia, Alemanha Oriental, Hungria, Bulgária), liderado pela União Soviética, sob Leonid Breznev, invade a Tchecoslováquia em 21 de agosto e impõe um retorno ao totalitarismo.

Foi uma operação estilo blitzkrieg, com aviões fazendo vôos rasantes já na madrugada do dia 21 e uma rápida ocupação com os blindados nos pontos estratégicos de Praga, passando por cima de quem quer que estivesse à frente, inclusive um jovem que tropeçou diante de um tanque e foi esmagado pelas esteiras. Repressão volta com tudo na Tchecoslováquia.

Essa invasão desmontou o que ficou conhecido como a Primavera de Praga, uma experiência iniciada 8 meses antes, “socialismo com face humana”. Isso aconteceu porque Alexander Dubcek, um torneiro mecânico eleito Secretário Geral do Partido Comunista Tcheco, em janeiro de 1968, iniciou um processo de democratização no país – sindicatos independentes, abolição da censura, livre competição entre as empresas estatais – com forte adesão dos jovens e estudantes e de parte da população, e que já tinha provocado uma reação soviética posicionando os tanques na fronteira alguns meses atrás – o que significava ir contra a política do Kremlin.

Esse evento põe fim ao sonho de a Tchecoslováquia se ver livre do peso da Cortina de Ferro, como era chamada a fronteira que abrangia os países do Pacto de Varsóvia.

Em 12 de outubro, em Ibiúna, interior paulista, a PM invade o 30° Congresso da UNE e todos são presos.

No México, em simples manifestação pacífica, 500 são mortos. Estava claro que em todo mundo, que a geração que detinha o poder no pós-guerra tinha valores enraizados, cristalizados, com dificuldade de aceitar o novo que impunha e confrontava tudo que já não fazia sentido. A juventude por sua vez jamais viveu tamanha utopia com palavras de ordem e ações de enfrentamento em sintonia com a força criativa transformadora. E em 13 de dezembro de 1968, o presidente da República, general Arthur da Costa e Silva, decretou o AI-5, Ato Institucional nº 5, fechando o Congresso e concentrando todo o poder na figura do presidente, o que significava a perda dos direitos constitucionais do cidadão, e o recrudescimento da violência e da repressão, da censura, perseguições, cassação em massa e prisão de políticos e também de qualquer um que não se alinhasse a esse ‘estado de coisas’. E ainda ia piorar, os anos de chumbo batem à porta. Caetano Veloso e Gilberto Gil são presos.

Com isso, os artistas tiveram de encontrar formas de expressar idéias. Se antes do AI-5, as iniciativas dos artistas levavam a passeatas e manifestações, depois, a força da repressão foi muito maior e com consequências muito mais fragmentárias do que se poderia supor. Essa penúria durou longos 11 anos. Abaixo, faixa em passeata com a alusão à canção de Chico Buarque.

E apesar de toda a revolução de costumes, na cultura, de valores, apesar de tudo isso, chama a atenção a matéria “A Irrelevância de 1968″ (e os livros “Never Had It So Good” e “White Heat”), de Dominic Sandbrook, em 5.05.08, publicada na UOL Mídia Global, em que diz que “para as pessoas que tiveram uma vida boa nos 50 e 60, nos EUA, p.e., votaram maciçamente (os jovens incluídos) em Nixon, e a guerra do Vietnã durou mais 7 anos, e só acabou com a vitória do Vietnã”. Essa grande maioria silenciosa, medíocre, “foi quem conduziu a história nos anos que se seguiram e se mantiveram conservadores em suas atitudes políticas e culturais”. E na Inglaterra, a desvalorização da libra esterlina, enfraquecia o governo trabalhista de Harold Wilson, os salários estagnaram-se e as greves paralisavam o país. No mundo todo, o final dos 60 (e no Brasil por volta de 1974) já havia mostrado que a irreverência, as ações vanguardistas, a significação da obra de arte, os hippies, beatniks, freaks, tinham chegado ao ponto de diluição, tudo absorvido pela classe média. Saturação. Como disse Otília Beatriz Fiori Arantes (“Depois das Vanguardas”, Arte em Revista nº 7, Ceac, 1973), “tentar escandalizar quando nada mais escandaliza é arrombar uma porta aberta”. Também é interessante citar Jean Claude Milner, autor de ensaios implacáveis (v. “O Sábio Judeu”, edit. Grasset, 2006), que no pós-68 pertencia à Esquerda Proletária (GP, sigla em francês), principal organização maoísta na época. Atualmente, no Instituto de Estudos Levinessianos, – criado em 2000 ao redor de seu amigo Benny Lévy, antigo chefe da GP – em palestra para examinar o “encontro” entre Maio 68 e o esquerdismo francês, coloca que Maio de 68 tem de ser visto como questão do presente. Uma questão do AGORA, referindo-se à época. Ele diz, “Maio de 68 não é para os outros, para mais tarde. É para nós, aqui e agora” (v. cesarkiraly.wordpress.com). A corrente vigente nos EUA acadêmicos de hoje é que os 60 não deixaram legado. Talvez venha daí a frase que diz que “a década de 60 é a década da esperança perdida”. Mas, na minha opinião, o fato de que a Guerra do Vietnã não tenha acabado ainda nos 60, p.e., não significa que as manifestações pela paz, inspirados pelo “Flower Power”, que perdeu o sentido de existir – e os confrontos diretos com a polícia ou que o Cassius Clay (depois Mohammed Ali), tenha se recusado a servir no Vietnã – não tenham influenciado mentes e corações de todo o mundo, e que isso não tenha causado uma pressão interna cada vez maior dentro dos EUA, mesmo com a força do sistema corporativo canibalizar e reverter tudo em números (financeiros, a seu favor); ou que a música de Dylan e Beatles, os festivais, não tenha influenciado toda uma sequência de transformações culturais; ou que artistas como Hélio Oiticica, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto e o Tropicalismo (mesmo durando pouco) não tenha sido um divisor de águas na cultura brasileira. E ainda, as conquistas dos direitos civis nos EUA, Martim Luther King, Malcom X, o fim do apartheid, o direito do negro de votar; o Feminismo, a emancipação da mulher; o Orgulho Gay, o Ambientalismo, que tiveram campo para se expor, lutar, se afirmar e expandir.

A seguir, filmes realizados por volta de 1968, do Cinema Novo e Cinema Marginal na “MOSTRA MEMÓRIA E CENSURA NO CINEMA BRASILEIRO”. 10 A 26 DE JUNHO DE 2008 – 19 HORAS – CINECLUBE PÓLIS – R. Araújo 124, Centro – Entrada Grátis – depois dos filmes debates

Fome de amor – Nelson Pereira dos Santos – 1968; Bandido da Luz Vermelha – Rogério Sganzerla – 1968; Navalha na Carne – Braz Chediak – 1969; Lance Maior – Sílvio Back – 1968; Brasil Ano 2000 – Walter Lima Jr. – 1968.

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