Archive for the Década de 60 Category

Woodstock

Posted in Década de 60 on 25/04/2009 by edi cavalcante

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Um mês depois de o homem pisar na Lua, aconteceu na fazenda de leite alugada de Max Yasgur, em Bethel (com 2.300 habitantes, não comportava o evento), NY, costa leste dos EUA, o Woodstock Music & Art Fair, ou como é mais conhecido, Festival de Woodstock, aconteceu entre os dias 15 e 17 de agosto (6ª a domingo) de 1969.

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Foram 3 dias (muita gente permaneceu acampada depois do evento. E consta que Jimi Hendrix tocou às 9 hs da manhã de 2ª feira, dia 18) de sexo livre, drogas, rock’n’roll, cenas de nudismo, confrontando todas as regras do stablishment. Pode ser considerado o auge da contracultura e da era hippie, culminando com o fim da década, que se tornava difícil e confusa.  Em 21 de agosto de 1969, os tanques soviéticos invadem Praga para reprimir protestos de aniversário da invasão de 1968. A guerra do Vietnã em escalada, o assassinato de Sharon Tate e de seus amigos pela família Manson – o assassinato de Martin Luther em Memphis, Tenessee, e ainda a morte de Robert Kennedy, também abatido a tiros, ambos em 1968 – foram eventos emblemáticos desse tempo. E em 5 de dezembro durante o concerto dos Rolling Stones em Altamont, Califórnia, os Hell’s Angels, contratados para fazer a segurança do evento, assassinam o jovem negro Meredith Hunter, que assistia ao show. Década de extremos.

O Festival de Woodstock foi uma celebração à chegada da Era de Aquário, e nada representava melhor do que isso, o significado dessa Nova Era. Ou melhor, um outro evento que culminou em 20 de julho de 1969, carregava em si o mesmo simbolismo: a chegada do Homem (da Humanidade) à Lua. Outra utopia que se tornava realidade. O homem saltou de seu último limite terrestre, a conquista do Everest, em 1953 (Edmund Hillary e Tenzing Norgay), para o espaço exterior, o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik (1957), e as primeiras naves do programa espacial soviético. E com a motivação da Guerra Fria, os anos 60 dão início a uma nova utopia. Em 1961, o presidente John Kennedy, lança o desafio de colocar astronautas na Lua ainda na década de 60. Isso é muito pós-moderno. Sua morte não modificou o roteiro do Programa Apollo – principalmente a Apollo 8 (representa a partida, porque colocou humanos além da órbita terrestre baixa); a Apollo 11 (representa a chegada, o objetivo alcançado); e a Apollo 13, pela epopéia que foi o retorno à Terra – que teve 17 missões, todas bem sucedidas (menos a Apollo 13, que mostrou a todos o nível de aventura que eram aquelas viagens).  Os soviéticos mudaram seu programa por causa do fracasso de seus foguetes para missão desse porte e passaram  a investir em vôos de longa duração em órbita baixa, que se mostrou muito eficaz nas experiências de permanência no espaço e suas implicações no organismo humano.

Não há nada mais representativo do simbolismo da Era de Aquário do que a imagem da própria Terra flutuando no imenso vazio, vista do espaço.

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Quando a imagem foi divulgada aqui na Terra, o poeta Archibald MacLeish escreveu no “New York Times” : “Ver a Terra como ela realmente é, pequena e azul e bela naquele eterno silêncio em que flutua, é ver-nos como viajantes juntos sobre a Terra, irmãos nesse brilhante afeto em meio ao frio eterno – irmãos que agora se sabem realmente irmãos”. No livro “Nascer da Terra: como o homem viu a Terra pela primeira vez”, 2008, Robert Poole acredita que esse evento “é o nascimento espiritual do movimento ambientalista”, porque “é o momento em que o sentimento da era espacial deixou de ser o que ela significava para o espaço para ser o que significa para a Terra”.

O Festival de Woodstock foi projetado para 50.000 pessoas, chegaram 500.000 jovens,

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daí o caos nas rodovias (os 160 km de estrada que liga Nova York a Bethel eram percorridos em mais de 8 hs, com gente abandonando seus carros nos acostamentos (?) e seguindo a pé) e na infra geral de produção, como alimentação e toaletes, compensados pela constelação de artistas que se apresentaram e pelo espírito de confraternização e da filosofia de paz e amor.

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Mesmo com a chuva que caiu no 2º dia, o que se viu foi tudo se transformar em brincadeira, todo mundo escorregando na lama, batucando com o que encontravam pela frente.

Não houve pânico nem violência. Muitas mães levaram suas crianças ao festival.

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Pessoas da região cooperaram com doações de frutas, sanduíches e enlatados, o que não significava de forma alguma que esses alimentos chegariam ao seu destino, por causa de fatores como o tráfego, para citar apenas um. Todos os espaços da fazenda foram tomados. A cobertura médica teve a participação de 70 médicos e 36 enfermeiras, que realizaram mais de 6.000 atendimentos, sendo que os casos mais graves eram levados de helicópteros para os hospitais. Morreram 3 pessoas, sendo 1 caso de overdose de heroína, 1 atropelamento por trator e 1 por crise aguda de apendicite. Houve também o nascimento de 2 crianças. 600 homens cuidaram do policiamento, entre seguranças contratados e policiais voluntários, que diante de tal situação, tiveram que fechar os olhos para os excessos de consumo de drogas e sexo livre.

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Quem abriu o Festival foi Richie Havens com seu violão de 12 cordas.

https://www.youtube.com/watch?v=rynxqdNMry4

Foi tocando até não ter mais músicas, então resolveu improvisar sobre uma música chamada “Motherless Child”, acrescentando a palavra ‘freedon’ e repedindo-a à exaustão, criou a empolgante “Freedon”, como ficou conhecida a canção, e sua performance foi incluida no álbum e no filme oficiais do festival. A produção tentou levar Beatles, Bob Dylan, The Doors, Led Zeppelin e Frank Zappa, mas não conseguiu. No caso dos Beatles, John impôs a condição de incluir a participação da Plastic Ono Band, o que fez com que a produção retirasse o convite. Apresentaram-se Jimi Hendrix, Janis Joplin (precisou de apoio para entrar no palco), Santana, The Who, Joan Baez, Joe Cocker (outro que entrou chapado, mas quem não ?)

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https://www.youtube.com/watch?v=2EdLasOrG6c

Jefferson Airplane (acima), The Band, John Winter, Country Joe & The Fish, John Sebastian, Tim Hardin, Ravi Shankar, Arlo Guthrie, Canned Heat, Sly & The Family Stone, Grateful Dead (que teve problemas no som durante a apresentação, e porisso ficou fora do álbum que foi lançado posteriormente), Creedence Clearwater Revival, Crosby, Still, Nash & Young, Sha-Na-Na, Paul Butterfield Band, The Incredible String Band e outros.

Um dos melhores momentos foi Alvin Lee (Ten Years After), em sua performance de “I’m Going Home”.

https://www.youtube.com/watch?v=bW5M5xljdCI

O Festival de Woodstock foi o estopim para que nos anos 70 houvesse uma explosão de reinvindicações de minorias étnicas e sexuais, de forma jamais imaginada pela sociedade norte-americana. Revoluções comportamentais, sexo alternativo (com respaldo das pílulas anticoncepcionais). O evento foi tranformado em documentário inovador (aparição simultânea de vários quadros na tela) por Michael Wadleigh. Foi lançado em 1970 e ganhou Oscar de “Melhor Documentário” de 1971. E graças ao filme – que íamos ver repetidas vêzes, em bando e chapados –  pudemos ter uma dimensão do que foi. O desbunde de Woodstock é pura contestação e ativismo. Cito Tom Wolf mais uma vez nesse blog, que chamou a década de 60 de “We Decade” e a década seguinte de “Me Decade”, para concluir que finalizava ali em Woodstock uma era de experimentações e força criativa para dar lugar a uma egotrip voltada para a ascensão profissional e social e o rock sendo controlado pelo mercado. Quando Lennon disse “Dream is Over”, referia-se a isso. Embora exista uma discussão entre aqueles que afirmam  que 1968 e eventos como os festivais e o Movimento Hippie e os anos 60 não tenham contribuido para mudanças duradouras, digo apenas que ainda hoje, de alguma forma vivenciamos as mudanças ocorridas nesse tempo (v. Hippies ), inclusive para o fim da guerra do Vietnã e suas consequências positivas – porque eram pacifistas e sua exposição na mídia influenciou movimentos estudantis (não apenas eles) pela paz e pelo fim da guerra, e levando também em conta que a mesma mídia colocava imagens horrorosas da guerra na sala de jantar da classe média norte americana, ou seja, a opinião pública – também em relação aos direitos civis e minorias étnicas e sexuais, que se organizaram e foram à luta por seus direitos.

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Grandes performances aconteceram. Talvez, o ponto máximo tenha sido quando Jimi Hendrix tocou o hino americano com sua guitarra imitando sons de bombas, metralhadoras e aviões e transformando sua performance num gesto ritualístico, ao botar fogo em sua guitarra.

https://www.youtube.com/watch?v=sjzZh6-h9fM

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Um museu foi criado no local onde aconteceu o festival. O Museu de Bethel Woods, inaugurado em junho de 2008.

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+ imagens sobre Woodstock : www.woodstockwitness.com/filmcrew.html

Leia também o post Verão do Amor – Monterey Pop de 2 set 08, neste blog.

Trilha Sonora – 1969

As 10+ Agosto 69, EUA

1. In the Ghetto – Elvis Presley

2. Je t’Aime…Moi non Plus – Jane Birkin & Serge Gainsbourg

3. Stay Awile – Lee Lynch

4. The Year 2525 – Zaeger & Evans

5. Honky Tonk Women – The Rolling Stones

6. The Ballad of John and Yoko – The Beatles

7. Give Peace a Chance – The Plastic Ono Band

8. Aardig Meisje van den Buiten – Marc Dex

9. Fiesta – Marva

10. Venus – Shocking Blue

fonte : Muziek. com

As 10+ de 1969 – EUA – Músicas que alcançaram o Top 1 em 1969

1. Aquarius / Let the Sunshine In – The 5th Dimension

2. The Year 2525 – Zaeger & Evans

3. Get Back – The Beatles

4. Sugar, Sugar – The Archies

5. Honky Tonk Women – The Rolling Stones

6. Everyday People – Sly & The Family Stone

7. Dizzy – Tommy Roe

8. Wedding Bell Blues – The 5th Dimension

9. I Can’t Get Next to You – The Temptations

10. Crimson and Clover – Tommy James & The Shondells

fonte : Billboard; The 60s Official Site

As 10+ 1969 – Brasil

1. As Curvas da Estrada de Santos – Roberto Carlos

2. Aquele Abraço – Gilberto Gil

3. Hoje – Taiguara

4. Aquarius / Let The Sunshine In – The 5th Dimension

5. País Tropical – Wilson Simonal

6. Get Back – The Beatles

7. Mustang Cor de Sangue – Marcos Valle

8. Sugar, Sugar – The Archies

9. I Started a Joke – Bee Gees

10. F…Comme Femme – Adamo

fonte : jovem-guarda.com

Mortes Trágicas no Universo Rock – Torquato Neto

Posted in Década de 60 on 03/04/2009 by edi cavalcante

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O Anjo Torto da Tropicália, Torquato Pereira de Araújo Neto, nasceu em Teresina, Piauí, em 9 de novembro de 1944. Está incluido nesse “Mortes Trágicas …” porque sua composição “Geléia Geral” é considerada o verdadeiro manifesto tropicalista, e um dos idealizadores da Tropicália

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(aparece na capa do disco homônimo sentado ao lado de Gal Costa e duas composições : “Mamãe Coragem” e “Geléia Geral”), movimento de Contracultura, juntamente com Caetano, Gil e Capinam.

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 Uma semana antes do AI-5 (o famigerado Ato Institucional nº 5, que tirou dos brasileiros todos os seus direitos constitucionais), Torquato foi contemplado com uma bolsa de estudos para escrever sobre as influências africanas na MPB. Assim, viaja para os EUA e Europa no final de 1968. Em Londres ele encontra com os baianos Caetano e Gil, em exílio político, depois da prisão no Brasil.  Entre outras coisas, conta que um dia foi visitar Jimi Hendrix em seu ap e o encontrou ouvindo “aquele álbum branco dos Beatles”. No final de 1969, volta ao Brasil rompido com os baianos.

 Sua morte foi uma retirada inesperada. Na madrugada de 10 de novembro de 1972, 1 dia após completar 28 anos, ele e sua mulher, Ana Maria dos Santos e Silva, voltaram de uma festa. Ela foi dormir. Ele trancou-se no banheiro, ligou o gás e suicidou-se. Deixou o seguinte bilhete : “Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega ! Não sacudam demais o Thiago (seu filho de 3 anos), que ele pode acordar”.

Os artigos de sua coluna na Última Hora (Rio de Janeiro, entre 1971 e 1972), “Geléia Geral”, e poesias inéditas, foram reunidos no livro “Os Últimos Dias de Paupéria”, organizado por Waly Salomão e Ana Maria.

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Torquato Neto foi enterrado no Cemitério São José (lado sul, próximo ao muro frontal), em Teresina, no mesmo espaço de sua mãe, Salomé Araújo Nunes.

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Para saber mais do percurso e obra de Torquato Neto : www.naoser.hpg.ig.com.br/torquato.htm e http://blogln.ming.com/profiles/blogs/torquato-neto-o-cara-que-nao-1 , por Gregório Macedo – “Torquato Neto O Cara que não Andava Sendo Feliz por Aí”. Veja também o livro “Torquato Neto ou A Carne Seca é Servida”, de Kernard Kruel, Editora Zodíaco, 2008, 2ª edição.

Leia também o fundamental livro de Tom Zé, “Tropicalista Lenta Luta”, Publifolha, 2003, onde, na págna 115, encontra-se o texto ‘Torquato, Torquato’, publicado originalmente em junho de 1987 no Estadão. Nele, Tom Zé conta como recebeu a notícia de sua morte e sua compreensão daquele drama.

Eu Agradeço

Posted in Década de 60 on 23/03/2009 by edi cavalcante

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Hippy Sun, de Rick Ruhman

A todos os que visitam esse blog, aqueles com quem trocamos informações, os blogs e pessoas que fico conhecendo e me surpreendem com tanta diversidade. E se essa lista é grande (8848 visitantes em março 09 e quase 30000  desde novembro 08 até aqui) é porque sou uma pessoa de sorte. Sejam sempre bem vindos.

edi cavalcante

Prêmio Selo Dardos de Reconhecimento

Posted in Década de 60 on 07/03/2009 by edi cavalcante

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O Anos 60 foi indicado pelo Coluna Blues Rock ao Prêmio Selo Dardos de Reconhecimento, um dos mais importantes prêmios destinados aos blogs da internet brasileira.

Agradeço imensamente pela indicação.

As regras do prêmio:

1. Colocar a imagem do selo no blog

2. Linkar o blog que nos indicou

3. Indicar mais 15 blogs ao prêmio

4. Comentar no blog dos indicados sobre essa postagem

Meus indicados são:

Blues de Raiz

César Kiraly

Something

Estante Virtual

Jazzman

Na bocarra da madrugada

o blog da cami

Pitadas Cotidianas

Rockloco

Sovaco de Cobra

Trabalho Sujo

Twilight Haters Brasil

O Gato de Rodas

Deveria estar estudando

Impressões Seresteiras

Mortes Trágicas no Universo Rock – Jim Morrison

Posted in Década de 60 on 01/03/2009 by edi cavalcante

 “Somos conduzidos ao massacre por plácidos almirantes. Lerdos e obesos generais tornam-se obscenos pelo sangue jovem”. Jim Morrison

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James Douglas Morrison (Melbourne, Flórida, 8.12.43 – Paris, 3.07.71) devia saber o que estava falando pois ele próprio era filho de um almirante. Jim Morrison, o Rei Lagarto, “Eu sou o Rei Lagarto, posso fazer tudo”, disse certa vez, assim como um dos slogans de Maio 68, “Nós queremos o mundo e o queremos agora”.

A história oficial diz que na última noite de sua existência, Jim Morrison foi ver 2 filmes com sua namorada, Pamela Courson, em Paris, e depois foram para a cama. Ela conta que Jim sentiu-se mal e foi tomar um banho para se reanimar. Foi encontrado na banheira às 5 horas da manhã por Pamela. O que consta nos autos é que sua morte foi causada por um  ataque cardíaco. Ele chegou a Paris depois que, em 1969, culpado de comportamento indecente durante um concerto – botou o pau prá fora e simulou masturbação – foi condenado a 70 anos de prisão, mas o pagamento de uma fiança de US$ 50.000 livrou-o provisoriamente. Esse evento foi responsável pela anulação dos concertos dos Doors.

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Jim andava pelas ruas de Paris carregando seus escritos em uma sacola plástica e fazia festas com seus amigos.

Também consta que Pamela não o tenha avisado de que aquilo não era cocaína e sim heroína da maior pureza. Significa que em primeiro lugar, Jim não era tão chegado em heroína. E depois, que, acostumado a uma determinada dosagem, ao usar essa dosagem com heroína pura, foi fulminado com uma overdose. Ainda há a hipótese de que Jim suspeitava que seria o nº 4 a morrer – depois de Jimi Hendrix, Janis Joplin e Brian Jones, a turma do j,  todos com 27 anos – numa maquinação de autoridades americanas.

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Porém, pesquisando em jornais parisienses, descobri que na edição de 21 de julho de 2007 do Le Nouvel Observateur (v. http://www.challenges.fr/depeches/20070720.REU6075/), pouco depois do aniversário de 36 anos de sua morte, uma matéria da jornalista Dominique Vidalon conta que na data acima, através de um livro, Sam Bernett, o antigo gerente de uma boate parisiense, o Rock and Roll Circus, afirma que Jim Morrison morreu em uma das toilletes masculinas de seu clube, depois de uma overdose de heroína. Diz que manteve sua história secreta até que sua mulher deu-lhe a idéia de escrever um livro. “A turma de Jim Morrison, seus amigos próximos e sua namorada Pamela Courson decidiram pela versão de que não era uma questão de drogas, álcool ou overdose. Não polemizei por respeito à sua família e à seus amigos”, explica Bernett, em entrevista à Reuters no Flore, um café de Saint-Germain-des-Prés, um dos preferidos de Morrison. Disse que decidiu escrever para que a verdade seja enfim conhecida. No livro, intitulado “The End: Morrison”,

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Bernett conta que na noite de sua morte, Morrison foi visto em seu clube e que se encontrou com 2 homens que lhe venderam a heroína. Essa versão contradiz totalmente à contada por Pamela à polícia. Bernett diz que Morrison conhecia todas as celebridades que frequentavam o R&R Circus : Marianne Faithfull, Roman Polanski, Salvador Dali, etc.

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Alguém forçou a porta da toilette que estava fechada e descobriu Morrison caído no chão. “Sua face estava cinzenta, os olhos fechados e havia sangue saindo de seu nariz. E uma baba com espuma em torno da boca ligeiramente aberta. Jim não respira mais”, conta ele. Continua, dizendo que os 2 traficantes queriam crer que ele estava apenas inconsciente. Ele acha que Morrison foi levado ao seu apartamento e colocado na banheira na tentativa de reanimá-lo.

Jim Morrison foi enterrado em 7 de julho de 1971 no cemitério Père Lachaise. Não foi feita autópsia. Lá, seus vizinhos são Fréderic Chopin, Balzac, Edith Piaf, Alan Kardec, Oscar Wilde.

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A estranha inscrição KATA TON AIMONA EAYTOY, é uma frase em grego. Antes do Aimona tem um triângulo que pode ser lido como Delta, o D grego. Então ficaria, KATA TON DAIMONA EAYTOY, e significa ” CONTRA O DEMÔNIO INTERIOR”. O que resume sua vida.

Pamela Courson morreu de overdose em 1974, também com 27 anos.

Mortes Trágicas no Universo Rock – Janis Joplin

Posted in Década de 60 with tags , , , , , on 27/02/2009 by edi cavalcante

jmp0023-fp Janis em foto de Wolfangs Vault

A garrafinha na mão é de Southern Comfort. Como ela vivia andando com essa bebida, resolveu ir à companhia fabricante e exigiu que a pagassem pela divulgação. Os fabricantes hesitaram, então o escritório da empresa foi invadido com recortes de jornal com a imagem de Janis segurando a bebida. Com isso, eles resolveram que ela merecia sim algo em troca, e lhe ofereceram presentes de cerca de US$ 2.500 à época.

Janis Lynn Joplin nasceu no dia 19 de janeiro de 1943 em Port Arthur, Texas, USA.

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Começou a cantar blues e folks quando estava na Universidade do Texas, em Austin. Não era bonita e isso lhe trouxe muitos problemas em sua vida. Foi eleita o homem mais feio do campus. Com isso, saiu fora e passou 2 anos viajando, cantando e se drogando. Ela gravitava do folk ao jazz, passando pelo blues, especialmente Bessie Smith, em quem se espelhava em seu início. Mas foi assistindo ao show do Otis Redding no Fillmore, de Bill Grahan, em 1966, que houve a virada que definiu o seu estilo. Antes, por volta de 1963 esteve na Califórnia já ensaiando uma carreira como cantora. Porém, o excesso de álcool fez com que retornasse a Austin para se recuperar. Sua voz e forma peculiar de cantar seus rocks e blues a tornaria conhecida como uma cantora branca de alma negra. Sua figura se mistura com o nascimento do Movimento Hippie – ela era uma psicodélica ambulante – a partir do momento em que volta para San Fran, chamada por Chet Helms, dono do salão Avalon, para cantar com a banda da casa, o Big Brother Holding Company, com quem gravaria depois o Cheap Thrills.

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Explodiu no Festival Pop de Monterey, 1967, em pleno Verão do Amor, e no Festival de Woodstock, em 1969. Veio ao Brasil em fevereiro de 1970, para o Rio. Ficou hospedada no Copacabana Palace, de onde foi expulsa por nadar nua na piscina. Também quase foi presa por “atentado ao pudor” na praia de Copacabana. Ela estava aqui para se divertir ( e também para se afastar da heroína) e girava numa voltagem para além, muito além da falsa moralidade. Eu li uma vez numa coluna do Arnaldo Jabor, acho que na Folha, que ele estava com amigos no Varanda (bar de Salvador) e Janis – ela foi para a Bahia de carona com um amigo que tinha uma motocicleta – chega à sua mesa, completamente chapada, e pergunta : “Where can we have some fun around here ?” (algo como, onde podemos nos divertir por aqui ?). Como nada do que sugeriu a agradasse, levou-a a um puteiro, e parece que ela se divertiu muito, porque segundo ele, ela estava caindo de porre e ficava cantando pontos de candomblé com alguma puta do pedaço.

janis-carO Porsche psicodélico de Janis

Em 3 de outubro de 1970, Janis foi com Nick Gravenite, na audição do take instrumental de “Buried Alive in The Blues”, que gravaria no dia seguinte. Ouça a canção apenas no instrumental:

Foi encontrada morta em 4 de outubro de 1970 em Los Angeles, Califórnia, de overdose de heroína em seu quarto no Landmark Hotel. Foi cremada em Westwood, Cal, e suas cinzas lançadas sobre o Pacífico. Seis meses depois saiu o disco póstumo “Pearl”, com sua nova banda Kozmic Blues. Certamente Janis viveu intensamente. De tudo o que ela disse, o que ficou mais comentado após sua morte foi : “Puxa, prefiro ter dez anos de ultra-super-máximo do que viver até os setenta sentada numa cadeira de balanço, vendo televisão”.

Mortes Trágicas no Universo Rock – Jimi Hendrix

Posted in Década de 60 on 17/02/2009 by edi cavalcante

por edi cavalcante

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“Todos nós viemos de um escravo, cantando no campo, em algum lugar”. Lenny Kravitz, 1995

Jimi Hendrix nasceu às 10:30 h da manhã de 27 de novembro de 1942 em Seattle, USA.  Considerado até hoje o guitarrista nº 1 da história do rock, só se consagrou quando mudou para Londres, levado por Chas Chandler, ex- Animals, que já trabalhava como empresário. Muito de suas performances vem do seu interesse por cultos africanos, depois que conheceu o baterista Kwasi Dzidzornu, mais conhecido como Rocki. Suas distorções sonoras, os sons alucinantes que conseguia produzir, e o ápice ritualístico quando tocava fogo em sua guitarra, subvertia a ordem das prioridades no rock, colocando o som da guitarra à frente das letras das canções. Passou por todos os gêneros musicais associados ao rock : Blues Rock, Hard Rock, Acid Rock, Rock Psicodélico, Rock Experimental.

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Sua última apresentação foi no Festival da Ilha de Wight, Inglaterra, com sua nova formação Band of Gypsys, em agosto de 1970. Em 18 de setembro de 1970, foi encontrado agonizante em seu quarto de hotel em Londres, por sua namorada alemã Monika Danneman. Foi levado de ambulância para o St. Mary’s Abbot Hospital, mas já chegou sem vida. O laudo médico oficial diz que foi vítima do próprio vômito e de uso de barbitúricos. Poucos dias antes de sua morte, em entrevista à Melody Maker (publicação musical de Londres), disse : “Tenho pensado sobre o futuro. Esta era de música deflagrada pelos Beatles está terminando. Alguma coisa nova virá e Jimi Hendrix estará lá”. Uma pessoa que diz isso não pode estar pensando em se matar. Morreu aos 27 anos, assim como Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e …Robert Johnson. E ainda o famoso J em todos os nomes.

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v. “Excuse me while I kiss the Sky : The Life of Jimi Hendrix”, David Henderson, International Music Publication, 1990. “Jimi Hendrix – A Dramática História de uma Lenda do Rock”, Sharon Lawrence, Jorge Zahar Editor. www.minerva.ufpel.edu.br/~castro/hendrix.htm e www.mortesubita.org (O Blues, o Rock e o Diabo, por Marcio Ribeiro)

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