“A Queima dos Sutiãs”- a fogueira que não aconteceu


por edi cavalcante

O episódio conhecido como Bra-Burning, ou A Queima dos Sutiãs, foi um evento de protesto com cerca de 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) contra a realização do concurso de Miss America em 7 de setembro de 1968, em Atlantic City, no Atlantic City Convention Hall, logo após a Convenção Nacional dos Democratas. Na verdade, a ‘queima’, propriamente dita, nunca aconteceu. Mas a atitude foi incendiária. A escolha da americana mais bonitinha era tida como uma visão arbitrária da beleza e opressiva às mulheres, por causa de sua exploração comercial.

Elas colocaram no chão do espaço, sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros “intrumentos de tortura” (v. Duffet, Judith. WLM vs. Miss America. Voice of the Women’s Liberation Moviment. October 1968, pg 4.). Aí alguém sugeriu que tocassem fogo, mas não aconteceu porque não houve permissão do lugar (que não era público) para isso. Também ninguém tirou seu sutiã. Essas lendas urbanas surgiram porque, ao dar ampla cobertura para o evento, a mídia o associou a outros movimentos, – como o da liberação sexual; dos jovens que queimaram seus cartões de segurança social em oposição à Guerra do Vietnã - e passou a chamá-lo de “bra-burning”, (queima de sutiãs), encorajados por ativistas como Robim Morgan (ex-estrela-mirim da rádio e TV, ativista, escritora, poeta e editora do “Sisterhood is Powerful e Ms. Magazine). Na sequencia, a manchete do New York Post saiu com o título “BraBurners and Miss America” (Queimadoras de Sutiãs e Miss América), que logo ficou associado às mulheres sem sutiãs. Desde então, a cultura popular ligou para sempre feministas e “queima de sutiãs” ( v. Germaine Greer, jornalista e escritora australiana, que declarou nos anos 60  “que o sutiã é uma invenção ridícula”, declaração que repercutiu  em muitas mulheres que questionavam o papel do sutiã como objeto anti-sexista da liberação feminina). Depois disso, aconteceram queimas de sutiãs em vários cantos do mundo. Mas o evento que gerou as manifestações e que ficou conhecido como Bras-Burning, foi o citado acima.

Nesse site, tem informações sobre o Bras Burning de 1968 : www.jofreeman.com/photos/MissAm1969.html

16 Respostas para ““A Queima dos Sutiãs”- a fogueira que não aconteceu”

  1. tereza kawall Diz:

    Oi Edi
    Dias desses estava vendo um documentário sobre 1968 no mundo todo, o assunto dos soutiens aparece, bem interessante.
    Tempos ricos aqueles….
    Hoje a mulherada é refem de silicones, botox e bundas, qe chatice, que coisa retrógrada, tanto esforço para tão pouco, meu amigo.
    ali havia questões importantes sendo discutidas. Hoje, essa tristeza, essa falta do que fazer consigo mesmo.
    corre e põe botox, corre e compra uma sapato….
    orgasmos pífios de consumo imediatodias estanhos os nossos!
    Tereza

  2. [...] fazendo com que os espartilhos e cintas-ligas continuem no guarda-roupa feminino. Saiba mais: Bra-Burning – A história da queima dos sutiãs em [...]

  3. [...] 6, 2010 por fudeo Eu gostava mais qdo as mulheres queimavam sutiãs…. Gudrun Schyman, líder do partido sueco Iniciativa Feminista, queima dinheiro nesta [...]

  4. [...] estereótipos, não vire as costas para a feminista que você considera radical. Aquela mulher que queimou ou não sutiã no passado, protestando por um mundo mais justo é parte de mim hoje.  Está viva em cada escolha [...]

  5. [...] as pessoas gostam de definir como radicais as mulheres que queimam sutiãs em praça pública (você já viu alguma?), as que são incisivamente a favor da legalização do aborto, as que afirmam que o casamento é [...]

  6. [...] Em tempo: A “queima de sutiãs” foi uma invenção midiática. [...]

  7. [...] sabe que um dia as mulheres tiveram que quebrar batons, pisar em blushes, sombras e pincés durante manifestações públicas, porque a maquiagem significava a obrigatoriedade de ser um estereótipo de mulher que deveria ser [...]

  8. [...] discussão do machismo  ultimamente está sempre em destaque. Desde o episódio conhecido como A Queima dos Sutiãs (a queima em si não aconteceu, mas o episódio é simbólico), em 1968, já evoluímos bastante, [...]

  9. [...] voto e foram, passo a passo, ocupando apenas todos os espaços. Depois que “queimaram sutiãs” (http://anos60.wordpress.com/2008/04/07/a-queima-dos-sutias-a-fogueira-que-nao-aconteceu/) naquele 7 de setembro de 1968, o tempo [...]

  10. sabrina Diz:

    legal agora nos podemos ter tudo que quiser

  11. Rafael Legramandi do Prado Diz:

    No Irã, as mulheres não queimam o lenço porque esse é um símbolo de feminilidade. No ocidente, enquanto algumas se mutilam com plásticas outras “queimam” sutians.

  12. Bom dia.

    Sou da Editora Educacional, onde produzimos livros didáticos – da Educação Infantil ao Ensino Superior.Venho solicitar sua autorização, da imagem que ilustra este post, para utilização no livro de “História 9º ano” , 2012 – 2016, da autoria de Gustavo Celso de Magalhães e Miriam Hermeto da Rede Pitágoras de Educação.

    Asseguro que a utilização da imagem será feita sob a menção obrigatória dos créditos previstos em lei para este tipo de publicação.
    Caso a imagem não seja de sua autoria, é possível informar a fonte da mesma.
    Certa de sua atenção, antecipo nossos agradecimentos e aguardo breve retorno.

    At,

    Michelle Eleutério

    • Bom dia, Michelle,
      essa imagem não pertence a esse blog. O crédito não foi colocado porque não
      encontrei o nome do autor da foto, mesmo tendo procurado muito.
      Dessa forma, infelizmente, não poderei ajudá-la.

      edi cavalcante/60

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